quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Educando para a boiolice





Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 23 de abril de 2007

Mal eu havia acabado de escrever que os alunos das escolas americanas são “sitting ducks”, e um dos sobreviventes do massacre da Virginia Tech apareceu no show “Today”, da MSNBC, dizendo a mesma coisa. Mas justamente esse, Zach Petkewicz, não foi pato nem ficou sentado. Encostou uma mesa na porta e impediu que Cho Seung Hui fizesse na sua sala de aula o que acabara de fazer nas salas vizinhas. Salvou uma classe inteira. Por que tão poucos, entre milhares de alunos, professores e funcionários, tiveram idêntica presença de espírito? Por que ninguém atacou o coreano maluco enquanto ele recarregava sua pistola automática ou trancava as portas com corrrentes?


Meu filho Pedro, que suportou pacientemente um ano e meio de escola pública na Virginia, garante: “É uma educação para boiolas.” O equivalente inglês da palavra é sissies . Uma sissy não é necessariamente um gay . Sujeitos que nunca tiveram um único impulso homossexual podem ser sissies perfeitas. Basta lhes ensinar que o macho branco heterossexual cristão americano é o bicho mais desprezível da face da Terra e que, se ele for exatamente um deles, deve fazer o possível para parecer outra coisa. Aos mais sortudos dentre eles ocorrerá a idéia, ridícula mas inofensiva, de usar trancinhas afro nos cabelos louros.


Outros tentarão formas de adaptação mais incisivas – e, dentre elas, a mais popular e politicamente correta é tornar-se tão tímidos, fracotes e efeminados quanto possível. Depois de alguns anos desse adestramento, o sujeito está pronto para desmaiar, ter crise histérica ou ficar paralisado de medo ante o agressor, exibindo ainda mais fragilidade na esperança insensata de comovê-lo.


Impossível, diante do espetáculo de pusilanimidade coletiva na Virginia Tech, não recordar aquela vovó tagarela e empombada do conto “A Good Man is Hard to Find”, de Flannery O'Connor, que, diante do assassino armado que acaba de matar a tiros toda a sua família, se apega até o último instante à crença idiota de que ele é no fundo um homem bom, incapaz de lhe fazer dano. Mais ou menos a mesma idéia com que aqueles cabeças-de-toucinho do “Viva Rio” subiram o morro levando flores no “Dia do Carinho” – e foram expulsos a bala.


gays valentes e heterossexuais boiolas. A quintessência da boiolice não tem nada a ver com sexo. É uma covardia abjeta, um desfibramento da alma, uma pusilanimidade visceral – que os educadores de hoje em dia consideram o suprassumo da perfeição moral e os engenheiros sociais da ONU gostariam de espalhar por toda a humanidade. É a fórmula da pedagogia usada nas escolas públicas americanas. É por isso que o pessoal cristão foge delas, preferindo o homeschooling .


 Os meninos educados em casa só vão à escola no fim do ano, fazer exame, e tiram sempre melhores notas do que os trouxas que ficaram lá o ano inteiro só aprendendo boiolice.


Para os negros, as mulheres, os gays e os membros de “minorias” em geral, o establishment usa uma outra receita corruptora, simetricamente inversa. Lisonjeia-os até enlouquecê-los por completo. Infla seus egos até à divinização. Ensina-os a achar que são credores do universo, que o simples fato de dirigirem a palavra a um branco adulto é um ato de generosidade imperial. O fato de que negros e asiáticos, aqueles vindos nas tropas muçulmanas, estes nas hordas bárbaras, tenham atacado e escravizado milhões de europeus séculos antes de que o primeiro português desembarcasse na África é suprimido da História como se jamais tivesse acontecido.


O branco – e, por ironia, especialmente o americano, dos povos ocidentais o que escravizou menos gente e por menos tempo – é definido como escravagista por natureza, o escravagista eterno, herdeiro de Caim, só digno de viver por uma especial concessão da ONU.


Cada página dos manuais didáticos usados nas escolas americanas traz essas crenças insinuadas nas entrelinhas. Cada vez que um professor abre a boca em sala de aula, espalha mais um pouco desse entorpecente pedagógico nos cérebros infanto-juvenis. A coisa foi evidentemente calculada para estragar as almas, para alimentar o ódio e o ressentimento, para destruir o país por desmontagem sistemática.



Todos os preconceitos que existem no mundo surgiram espontaneamente dos conflitos entre os seres humanos. Agora, pela primeira vez na História, há o preconceito planejado, calculado matematicamente por engenheiros comportamentais e inoculado com requintes de técnica pedagógica nas cabeças da molecada. É por isso que há aqui um verdadeiro abismo entre as gerações.



As pessoas de quarenta anos para cima são simpáticas, prestativas, generosas e patriotas. Os jovens são ranhetas insuportáveis, tanto mais pretensiosos e arrogantes quanto mais dependentes, incapazes de cuidar de si próprios e defender-se nas situações difíceis. Falo, é claro, daqueles que foram educados nas escolas públicas. Os que não querem ficar como eles buscam refúgio nas escolas particulares conservadoras (que existem aos montões mas são caras), nas igrejas, no homeschooling e nas Forças Armadas.



Alguns anos atrás, a escritora Christina Hoff Sommers, em The War Against Boys: How Misguided Feminism is Harming Our Young Men (Simon & Schuster, 2000) já advertia contra a epidemia de frescura planejada que educadores e psicólogos feministas, desarmamentistas, pacifistas, gayzistas etc. estavam montando, muitos deles imbuídos da alta missão de amansar por meio da castração generalizada a “cultura americana da violência” – um estereótipo hollywoodiano em cuja realidade acreditavam piamente pelo simples fato de ter sido inventado por feministas, desarmamentistas, pacifistas, gayzistas iguais a eles. 




“Asinum asinus fricat”, já observavam os romanos: o asno afaga o asno – um panaca esquerdista inventa uma lenda difamatória, os outros levam a coisa mortalmente a sério, e dali a pouco há milhares de teses universitárias a respeito, com ares de profunda ciência social, e comissões técnicas pagas a peso de ouro pelas fundações beneméritas para criar soluções geniais. O resultado é Cho Seung Hui.



Cada um desses garotos que de repente saem matando gente a esmo tem a cabeça cheia de ódio ao país que lhe deu tudo. Tim McVeigh queria derrubar o sistema, os meninos de Columbine eram gays intoxicados de falatório anticristão, Cho Seung Hui sonhava em tornar-se um vingador ismaelita para fazer o Ocidente em cacos. Cada um foi educado e doutrinado para fazer o que fez. Enquanto uns intelectuais iluminados lhe infundiam o desejo de vingança contra quem nunca lhe fez mal algum, outros votavam leis que desarmavam os professores e funcionários nas escolas, os padres e pastores nas igrejas.



Uns preparavam psicologicamente o assassino, outros amarravam as mãos das vítimas. Vocês já repararam que os invasores armados de pistolas e rifles só atacam igrejas e escolas? Já ouviram falar de algum que invadisse um clube de caça, um estande de tiro, uma assembléia da National Rifle Association? Aí vigora o princípio do “loco si, pero no tonto”.



O país está repleto de estandes de tiro ao pato – e os Zachs Petkewicz se tornam cada vez mais raros. E depois aqueles que criaram propositadamente essa situação saem diagnosticando o fenômeno como produto da “cultura americana”, recomendando mais desarmamento civil, mais anti-americanismo, mais efeminamento compulsório da juventude nas escolas. Tiram proveito publicitário retroativo da sua própria maldade.


É a receita infalível da propaganda revolucionária: “Xingue-os do que você é, acuse-os do que você faz.”



Mas o pessoal por aqui já começou a perceber o truque, ainda que com um bocado de atraso. Allen Hill, um consultor de segurança entrevistado no mesmo programa que divulgou o episódio de Zach Petkewicz, declarou alto e bom som que as escolas têm de ensinar os meninos a ser mais valentes e agressivos.



“Os bandidos estão contando com que os americanos fiquem sentados e não façam nada.”



“Os maus planejam seus ataques. As escolas têm de planejar sua defesa e reagir com igual agressividade. O treinamento tem de ser tão intensivo e levado tão a sério quanto o assassino leva a sério sua missão de matar.”



Há um país da América do Sul que, se ouvisse esse conselho, talvez não fosse vítima de cinqüenta mil homicídios por ano. Com uma diferença: ali os jovens não são tão fracotes. A boiolice está espalhada entre os homens adultos, nas ruas, nas fábricas, nos escritórios. Essa gente tem medo de armas até quando vistas pelo lado do cabo. E o governo, a Rede Globo e a Folha de S. Paulo querem lhe infundir mais medo ainda. É uma situação muito mais desesperadora que a dos americanos. Com o dobro da população brasileira, os EUA têm cinco vezes menos crimes violentos do que o Brasil.




Teses sobre o movimento revolucionário mundial Para informação dos leitores, transcrevo abaixo umas notas que tomei para a conferência que vou pronunciar hoje para oficiais de Estado-Maior, americanos e brasileiros, na Academia Militar de West Point. Elas são só um esquema para desenvolvimento oral, mas nos próximos artigos darei mais detalhes a respeito.



1. O movimento revolucionário é um fenômeno único e contínuo ao longo do tempo, pelo menos desde o século XV. Cada geração de revolucionários tem consciência de ser herdeira e continuadora das anteriores. Isso está abundantemente documentado nos seus escritos. É um fato, não uma interpretação minha.



2. O movimento é contínuo mas não linear nem unidirecional. Ele progride através de mutações e revoluções internas e alimenta-se de seus próprios fracassos, que fornecem â geração seguinte uma poderosa motivação para o aprofundamento crítico das metas e da estratégia.



Como suas metas declaradas mudam de geração em geração, o movimento geral tem flexibilidade bastante para absorver ou repelir os movimentos parciais, conforme as necessidades estratégicas e retóricas de cada situação. Um mesmo movimento parcial pode ser considerado revolucionário num momento e contra-revolucionário no momento seguinte.



3. A continuidade consciente do movimento revolucionário não implica de maneira alguma que as gerações subseqüentes assumam a responsabilidade pelos erros e crimes das anteriores. A consciência de continuidade histórica que é afirmada no plano dos fatos é negada no plano do julgamento moral. Como na perspectiva do movimento revolucionário as culpas pertencem ao passado, a inocência de cada nova geração de revolucionários é um pressuposto da própria existência do movimento.



Por isso mesmo, os revolucionários antigos, se alguma culpa têm, a têm enquanto personagens do passado, e não enquanto revolucionários. Suas culpas são imputáveis ao “seu tempo”, não à sua atividade revolucionária em si. O inimigo do movimento, ao contrário, arca não só com suas próprias culpas mas também com as de seus antepassados reais ou figurados, isto quando não é acusado também pelos crimes da revolução: o revolucionário, depois de matar meia dúzia de reacionários, os odeia mais ainda porque esses malvados o obrigaram a matá-los, sujando de sangue suas mãos puríssimas.




4. O movimento revolucionário não se identifica com nenhuma de suas metas em particular, mas também não sabe definir de uma vez por todas a “essência” permanente por trás de todas elas. Essa essência, de fato, não pode ser definida substantivamente, só negativamente: (1) o movimento é efetivamente um movimento , uma agitação permanente em busca de (2) uma meta móvel que não pode ser definida no presente porque só o futuro que a realizar a terá diante dos olhos como objeto de conhecimento. O movimento revolucionário é portanto movimento permanente e movimento futurista . O futuro, por definição, permanece futura. O dia do ajuste de contas do revolucionário com sua própria consciência é adiado automaticamente. A coisa mais próxima de um exame de consciência, na mente de um revolucionário, é a crítica aos antecessores.




5. O movimento revolucionário é, desde suas origens, um esforço para tomar o lugar do Cristo anunciado no Apocalipse e substituí-lo por um agente terrestre no papel de salvador da humanidade. Os fins concretos do movimento prevalecem-se assim da dignidade de um mistério que pode ser vagamente anunciado mas não pode ser revelado antes do fim dos tempos. Daí o descompromisso do movimento revolucionário para com suas próprias metas concretas, que ele muda ou abandona à vontade.




6. É inútil usar contra o movimento revolucionário, em qualquer das suas épocas ou versões, a retórica que opõe os ideais aos feitos. O movimento revolucionário troca de ideais com a mesma desenvoltura com que se isenta de responsabilidade pelos seus próprios feitos. Ele vive da tensão entre ideais indefinidos e feitos não assumidos. A essa tensão articulam-se duas outras (v. diagrama): entre o culto dos santos do panteão revolucionário e a crítica devastadora das revoluções; e entre o movimento perpétuo e a esperança num “fim da história”, paraíso estático da justiça e da paz universais.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Pedro Valls: a ditadura do politicamente correto


Colunistas

Pedro Valls: a ditadura do politicamente correto

“De uns tempos para cá, todos parecem ter a mesma opinião sobre tudo – e pobre de quem ousar ser ‘diferente’. Seja sobre conceitos básicos do cotidiano, acerca dos grandes problemas nacionais ou até mesmo no que toca à realidade vivida pela humanidade, vivemos em uma era de censura e alienação”


Você sabia que 40% das mulheres que vivem nos países em desenvolvimento dão à luz sem ajuda médica ou condições de higiene adequadas? Não por acaso, a cada minuto uma mulher morre no mundo por conta de complicações relacionadas à gravidez e ao parto.



Pense agora que tais números são relativos ao século XXI – através deles calcule os níveis de mortalidade do século XIX.



Naqueles dias sombrios, quando as maternidades mais pareciam matadouros de mulheres, viveu Ignaz Semmelweis. Ele era um dos obstetras do Hospital Geral de Viena – na época um dos mais importantes centros culturais do planeta.



Naqueles dias, Louis Pasteur ainda não havia descoberto que muitas doenças se desenvolviam graças à ação de germes – vale dizer, poderiam ser evitadas simplesmente com higiene.
"Vivemos em uma era de censura e alienação"



Eis que o observador Ignaz Semmelweis reparou que as pacientes de médicos que lavavam as mãos antes de tocá-las apresentavam taxas de sobrevivência maiores. Ele resolveu, então, fazer uma pesquisa a respeito – para concluir que uma medida de higiene tão simples reduzia o índice de mortalidade de mulheres em nada menos que 90%!



Entusiasmado com sua descoberta, ele decidiu torná-la pública. Foi o início do fim de sua carreira, e até de sua vida! A esmagadora maioria dos médicos da época ficou ofendida, pois eram todos cavalheiros – e, como tal, nas palavras do obstetra Charles Meigs, “tinham sempre as mãos limpas”.



Discriminado e humilhado, Ignaz Semmelweis acabou deprimido e internado em um asilo de lunáticos – no qual morreria apenas 14 dias depois, aos 47 anos de idade, vítima das surras que levou dos guardas de lá.



O resto da história nós já conhecemos: hoje o simples ato de lavar as mãos já é rotina em qualquer hospital, e Ignaz Semmelweis passou a ser conhecido como o “salvador das mulheres”, graças à sua descoberta.


Que tal pensarmos um pouco sobre este episódio? Para início de conversa, falamos de uma cidade que irradiava luz para todo o planeta. Tratamos de pessoas absolutamente esclarecidas e cultas – “cavalheiros”, conforme anotado. Tudo gravitava em torno de números, de certeza matemática. E ainda assim o pobre Ignaz acabou preso e morto – por ter simplesmente expressado algo que ia contra as convicções da época. Agora tente imaginar, por um instante que seja, o quanto perdeu a humanidade com a morte prematura deste grande profissional.



A saga de Ignaz não acabou. Ela continua, ainda hoje. Está presente em cada semelhante nosso discriminado e amordaçado por conta da ditadura terrível do “politicamente correto”, um código de conduta que nos vem imposto sabe-se lá de onde, ou a partir de quais interesses.



Em cada voz silenciada, em cada órgão de imprensa censurado, em cada autoridade amordaçada, lá está a sanha de tal ditadura, intimidando através da falsa legitimidade das supostas maiorias de ocasião.



Olhe em volta. Perceba que, de uns tempos para cá, todos parecem ter a mesma opinião sobre tudo – e pobre de quem ousar ser “diferente”. Seja sobre conceitos básicos do cotidiano, acerca dos grandes problemas nacionais ou até mesmo no que toca à realidade vivida pela humanidade, vivemos em uma era de censura e alienação que não nos deixa lá tão distantes do Hospital Geral de Viena.



Encerro estas linhas recordando, em homenagem a Ignaz Phillip Semmelweis, a sábia exclamação de Voltaire: “não concordo com uma só palavra do que dizeis, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-las”.



Mais sobre intolerância

sábado, 12 de novembro de 2016

O lado sombrio da América


Desamparados pelo governo, ressentidos por um declínio sem fim e com um agudo sentimento de traição,“os homens brancos com raiva” fizeram a diferença na eleição




Joe Stack era um americano típico da classe operária. Em uma manhã ensolarada de primavera, ele sequestrou um avião de pequeno porte no aeroclube de Austin, no Texas, e o arremessou contra um edifício do governo. Além de Stack, outras duas pessoas morreram. Na carta de despedida, o suicida disse que enfrentava problemas financeiros decorrentes da crise que fechara fábricas na região e citou a história trágica de uma vizinha. Com dinheiro apenas para “comer ração de gatos”, afirmou ele, a pobre senhora era vítima “da falência do sistema.”



O marido dela havia sido demitido de uma indústria de automóveis e morreu pouco depois. Stack é o símbolo máximo dos cidadãos chamados pelos analistas de “angry white man”, os homens brancos com raiva. Eles, mais do que qualquer outra parcela da população, tiveram seus empregos ceifados pelo ocaso econômico das cidades industriais, pelo avanço tecnológico e por uma profunda mudança da sociedade nos últimos 20 anos.




 Desamparados pelo governo, ressentidos por um declínio sem fim e com um agudo sentimento de traição, esses indivíduos se vingaram na eleição presidencial de tudo o que julgavam ser responsável por suas misérias pessoais. Mais do que qualquer coisa, puniram todo o sistema. Por isso elegeram Donald Trump.
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Basta dar uma espiada no mapa dos votos para observar que Trump venceu, com folga, nos subúrbios, nas cidades rurais e no chamado “Cinturão da Ferrugem”, como passou a ser conhecida, de forma pejorativa, a região que se estende pelo nordeste dos Estados Unidos até os Grandes Lagos e que tem sua economia baseada na indústria pesada e de manufatura.



É lá, nesses amplos espaços decadentes (daí o “ferrugem”) outrora ocupados por fábricas vistosas, que os homens brancos com formação escolar média fizeram a diferença a favor do presidente Trump. “Agradeço principalmente às pessoas sem instrução, mas trabalhadoras incansáveis, que me colocaram em condições de derrotar Hillary Clinton”, disse o republicano semanas antes da eleição. “É para elas que vou governar.”



A classe operária americana vem sofrendo reveses. Há cinco décadas, a indústria respondia por 30% dos postos de trabalho nos Estados Unidos. Atualmente, o índice não chega a 10%. É pouco, mas vai ficar pior. Projeções mostram que, até 2030, o setor fabril responderá no máximo por 5% da força produtiva.



Enquanto os empregos desaparecem, a renda também despenca. Os operários não surfaram na onda da riqueza gerada pela nova era tecnológica. Sem bons níveis de educação, eles não conseguiram ocupar as vagas que surgiram.



Outro dado revelador: entre 1975 e 2014, o trabalhador branco sem diploma universitário viu sua renda média cair mais de 20%. Apenas entre 2007 e 2014, o recuo foi de 14%. Em suma: essa enorme massa ficou para trás. Como reflexo disso, se tornou mais e mais nervosa, mais e mais amargurada.



Trump captou a insatisfação e foi direto ao ponto. Nas primárias, fez um discurso na porta de uma fábrica da Ford em Michigan e urrou uma série de ameaças. Se a empresa fechasse aquela unidade para transferi-la para o México, ele imporia uma tarifa de 35% sobre qualquer carro produzido no país vizinho. O futuro presidente também ameaçou a Apple durante a campanha, dizendo que forçaria a gigante a parar de produzir iPhones na China.



A oratória agressiva sempre era acompanhada por um rosário de críticas à globalização e à “invasão estrangeira que mata nossos empregos”.



Esqueça o que Trump diz. Não são os trabalhadores estrangeiros, ou a globalização, que tomam os empregos dos cidadãos americanos. O problema é interno, está no coração do país.



A desindustrialização é um caminho sem volta, porque a sociedade quer assim. Em uma entrevista recente para a revista Piauí, Martin Wolf, principal colunista de economia e política do jornal britânico Financial Times, elucidou a questão. “Nos países ricos, o aumento de renda não é mais gasto principalmente em produtos industriais”, afirmou ele.



 “Todo mundo já tem mais de um carro na garagem nos Estados Unidos, mesmo os pobres. Gasta-se o dinheiro extra indo a restaurantes, pagando por melhores creches, esse tipo de coisa. Os trabalhos industriais já eram.” A única forma de um operário se contrapor a esse cenário é buscar qualificação. Qualificar-se significa estudar mais e, assim, fisgar os bons empregos. Ao contrário do que Trump prega, a globalização não é vilã de coisa alguma. Ela, ao contrário, gera riqueza com interdependências que trazem benefícios mútuos.



Trump seduziu o operário americano que
sofre 
com o sumiço de empregos na indústria
e que teme a presença de estrangeiros



Se os trabalhos industriais desapareceram, outro motor da revolta se deve à profunda transformação de países como os Estados Unidos. Os movimentos sociais deram voz às minorias e tornaram relevantes as causas dos negros, das mulheres e dos gays. Alienado, o americano médio e preconceituoso passou a se sentir ameaçado pela nova ordem social e pressentiu que seus valores fundamentais estavam sendo aniquilados.




Na lógica de muitos trabalhadores, o mundo real estava ferindo o seu senso de masculinidade, por mais estúpido que isso possa parecer. Trump, com a irascível arenga intolerante, deu sentido para esse temor e, sob diversos aspectos, o justificou. “Precisamos de uma América mais máscula”, chegou a falar durante a campanha, mais uma vez captando os anseios de uma parte considerável da nação.


Não à toa, uma multidão de obtusos foi aos comícios de Trump usando camisetas com inscrições como “faça a América mais branca”, “tchau, imigrantes” ou “vamos ser homens de verdade.” Em um artigo publicado na semana passada no jornal The New York Times, o escritor Thomas Friedman resumiu a questão. “Não há nada que possa deixar as pessoas mais irritadas ou desorientadas que sentir que perderam seu lar”, escreveu. “Para alguns, é porque os Estados Unidos estão se tornando um país de minorias e isso ameaça o sentido de comunidade de muitos brancos de classe média, especialmente os que vivem fora das áreas urbanas mais cosmopolitas.” Trump entendeu tudo isso melhor do que ninguém.



Fotos: Mike Segar/REUTERS; John Minchillo/AP Photo; Charles Rex Arbogast/AP Photo

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

PT e aliados tentam transformar Lula em mártir - JOSIAS DE SOUZA

quinta-feira, novembro 10, 2016

BLOG DO JOSIAS DE SOUZA - UOL - 10/11

Em ato programado para as 18h30 desta quinta-feira (10), em São Paulo, o Partido dos Trabalhadores e seus aliados lançarão um movimento que tem o seguinte slogan: ''Por um Brasil justo pra todos e pra Lula.''

Na explicação oficial, o evento servirá para inaugurar uma “campanha em defesa da democracia, do Estado de direito e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.” Na prática, trata-se de uma reação antecipada à provável condenação e à eventual prisão de Lula na Operação Lava Jato. Tenta-se convertê-lo em mártir.

Participam do movimento capitaneado pelo PT legendas e entidades companheiras —PCdoB, CUT e MST, por exemplo—, além de artistas e intelectuais. Será divulgado um manifesto seguido de abaixo-assinado. Nele, a Lava Jato é apresentada como uma iniciativa deletéria.

Insinua-se no texto que, “sob o pretexto de combater a corrupção”, a maior e mais bem-sucedida operação contra o assalto sistêmico aos cofres do Estado promove “ataques aos direitos e garantias” individuais.

Depois de apontar alegados “excessos e desvios” da força-tarefa de Curitiba contra Lula, o documento sustenta: ''Esse conjunto de ameaças e retrocessos exige uma resposta firme por parte de todos os democratas, acima de posições partidárias.”

Acrescenta: “Quando um cidadão é injustiçado – seja ele um ex-presidente ou um trabalhador braçal – cada um de nós é vítima da injustiça, pois somos todos iguais perante a lei. Hoje no Brasil, defender o direito de Lula à presunção da inocência, à ampla defesa e a um juízo imparcial é defender a democracia e o Estado de direito…”

Confrontado com a realidade, o manifesto de vitimização de Lula torna-se uma peça de ficção. Na vida real, a Lava Jato não ameaça nenhum trabalhador braçal. Mas já derreteu a presidência de Dilma Rousseff; prendeu empreiteiros do porte de Marcelo Odebrecht; mantém atrás das grades petistas como José Dirceu, Antonio Palocci e João Vaccari; arrastou Eduardo Cunha da presidência da Câmara para a carceragem de Curitiba; enrolou a corda no pescoço de peemedebistas como Renan Calheiros e Romero Jucá; transformou em protagonistas de inquéritos e delações tucanos com a plumagem de Aécio Neves e José Serra; subiu a rampa do Planalto e bate à porta de ministros palacianos e de Michel Temer.

Ao alcançar Lula, a faxina da Lava Jato perturba a oligarquia que cultivava a fantasia de que um dia seria possível “estancar a sangria”. Pela primeira vez desde as caravelas uma operação anticorrupção deixa impotentes os poderosos que se julgavam acima da lei. Faz isso com o respaldo de tribunais superiores. No caso de Lula, os procedimentos vêm sendo saneados e ratificados pelo Supremo Tribunal Federal. Ou seja, longe de estar ameaçada, a democracia brasileira revela-se vigorosa.

A campanha a ser deflagrada nesta quinta-feira prevê a organização de atos em defesa de Lula no Brasil e no exterior. Entretanto, as únicas defesas que podem ajudar o personagem são as petições que seus advogados enfiam dentro das três ações penais em que Lula figura como réu. Até aqui, essas petições têm se revelado insubsistentes. Ainda assim, Lula sustenta que não tem nada a ver com a corrupção. Quem ousaria discutir com um especialista?

Postado por MURILO às 05:58



Afinal, o Poder Judiciário determinou a “tortura” de secundaristas que ocupam escolas?


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“A ‘narrativa da tortura’ engrossa o rol de ridicularia da esquerda em um de seus momentos mais críticos”



Pintura de Alejandro Marcos, do "Memorial da Democracia"



Causou grande consternação nas redes sociais e nas hostes progressistas a determinação de um juiz do Distrito Federal que ordenou, há poucos dias, a desocupação de uma escola na cidade de Tabatinga. Na decisão, o magistrado autorizou a Polícia Militar a utilizar técnicas alternativas para o cumprimento da ordem, como proibir a entrada de mantimentos e privar os invasores do sono, mediante o uso de equipamentos de som para mantê-los acordados. Entre os “ocupantes” há muitos menores de idade – daí o cuidado de não se determinar a desocupação à força, pura e simples, como se vê na reintegração de posse de invasões, nas quais bombas de efeito moral e balas de borracha normalmente são utilizadas em caso de resistência ao cumprimento da ordem.



Mas quem disse que o cuidado do juiz ao preservar a integridade física dos menores também não geraria enorme grita na esquerda? Foi exatamente o que aconteceu: rapidamente a decisão foi equiparada a “tortura”, já que a privação do sono é um meio de minar a resistência de prisioneiros dos quais se procura obter alguma informação, e é também uma tática de guerra psicológica que já foi muito utilizada em combate. É claro que a equiparação é totalmente descabida e exagerada, fruto da já conhecida histeria da esquerda: um misto de messianismo auto-imposto e má-intenção indisfarçável na condução das suas “narrativas”.



A tortura é proibida por convenção internacional à qual o Brasil aderiu por intermédio do Decreto n. 40, assinado em 15 de fevereiro de 1991 pelo então presidente Fernando Collor. A “Convenção Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes” foi aprovada pela Assembléia da ONU em 1984, com a tramitação para sua promulgação no Brasil tendo iniciado em 1989. Pois bem: logo no art. 1º, o decreto conceitua “tortura”:
“Para os fins da presente Convenção, o termo “tortura” designa qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos, físicos ou mentais, são infligidos intencionalmente a uma pessoa a fim de obter, dela ou de uma terceira pessoa, informações ou confissões; de castigá-la por ato que ela ou uma terceira pessoa tenha cometido ou seja suspeita de ter cometido; de intimidar ou coagir esta pessoa ou outras pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação de qualquer natureza; quando tais dores ou sofrimentos são infligidos por um funcionário público ou outra pessoa no exercício de funções públicas, ou por sua instigação, ou com o seu consentimento ou aquiescência. Não se considerará como tortura as dores ou sofrimentos que sejam conseqüência unicamente de sanções legítimas, ou que sejam inerentes a tais sanções ou delas decorram”.



A “narrativa da tortura” estava se apoiando no fato de a privação de sono e víveres ser um “tratamento desumano e degradante”, mas esquecendo do principal: a determinação vinha em uma ordem judicial de desocupação, que considerou a presença dos estudantes nas dependências de prédio público, impedindo a realização das atividades normais lá desempenhadas, ilegal. Ou seja, se está diante de dores ou sofrimentos que são conseqüência unicamente de sanções legítimas. 




Voltemos às reintegrações de posse que, volta e meia, são exibidas ao vivo no noticiário televisivo: quando os invasores resistem ao cumprimento da determinação, a polícia usa a força física e implementos como bombas de efeito moral e jatos d’água. É bem verdade que, há alguns anos, o episódio do “Massacre do Pinheirinho” (em que NINGUÉM morreu) já foi um ensaio geral da “narrativa da tortura”. Afinal, de acordo com a esquerda escandalizada, era legítimo que quem não tinha onde morar morasse lá – a ordem judicial de reintegração de posse, a ilegalidade da invasão, tudo isso era um mero detalhe. 




É óbvio que a histeria coletiva do “Massacre do Pinheirinho” foi um episódio cuidadosamente elaborado pelos roteiristas habituais das “narrativas” da esquerda, na tentativa de transformar o episódio em um “símbolo de resistência” contra um oponente político. Exatamente a mesma coisa está acontecendo agora, com a “ocupação” de escolas públicas.



Não deveria causar surpresa que a “narrativa da tortura” tenha surgido logo após uma seqüência tragicômica de vídeos em que os “secundaristas” são entrevistados sobre os motivos das “ocupações”, e não conseguem explicar sequer o significado da sigla “PEC”, da proposta de emenda à constituição contra a qual, supostamente, estão rebelados. A “narrativa da tortura” também é uma resposta enviesada ao terrível episódio acontecido em uma escola “ocupada” em Curitiba, no qual dois estudantes, após usarem drogas, se desentenderam e um acabou morto pelo outro – com uma faca do refeitório do colégio. Uma das integrantes do movimento tentou dizer, em depoimento prestado à Assembléia Legislativa do Estado do Paraná, que embora os dois alunos estivessem participando da “ocupação”, a culpada pelo crime era “a sociedade”. 




Não colou: foi pregação para convertidos, e só eles aplaudiram o espetáculo de cinismo que, tivesse sido dado por um adulto, teria sido ainda mais criticado. Na verdade, a jovem foi só a interposta pessoa entre os verdadeiros articuladores das “ocupações” – a CUT, que controla o APP Sindicato no Paraná – e os ouvintes do discurso. Filha de um integrante do PT, a pretensa “Malala das araucárias” não tardou a aparecer em fotos abraçada à senadora Gleisi Hoffman e recebeu um telefonema do ex-presidente Lula parabenizando-a pela atuação.



A “narrativa da tortura” engrossa o rol de ridicularia da esquerda em um de seus momentos mais críticos: os PT e suas linhas auxiliares foram apeados da presidência da república e varridos do mapa nas eleições municipais. Nos EUA, uma virada eleitora de Donald Trump parece a cada dia mais provável. O “protagonismo” da esquerda – e seu controle da máquina e do cofre público – vai minguando, e depois de décadas nadando de braçada e ainda sem uma oposição verdadeiramente organizada, a esquerda está acuada e enfraquecida. É exatamente por isso que ela está usando crianças e adolescentes como se fossem “escudos humanos”, insuflando-os a “ocupar” escolas e desafiar a lei exatamente para que, quando a primeira ordem de desocupação for cumprida, ela possa criar um “mártir” – ou, na falta dele, gritar que houve “tortura”. Não se pode esquecer que a advogada do PT que auxiliava os “ocupantes” da escola na qual aconteceu o homicídio tentou rapidamente capitalizar o cadáver, botando o crime na conta do “ódio e intolerância da direita” horas antes da Secretaria de Segurança elucidar o assassinato, e revelar o que realmente aconteceu.



Tudo isso mostra que a esquerda moderna já superou seus paradigmas do passado: o operário e o guerrilheiro não são mais os soldados revolucionários por excelência. Essa função, hoje, é distribuída entre os criminosos “comuns”, os cães-de-fila defendidos ardorosamente pelo ideário progressista como “vítimas da sociedade”; e o estudantes da rede pública. As escolas e universidades públicas há muito se tornaram verdadeiros madraçais ideológicos, ambientes que alternam a pregação e a permissividade: com a tolerância e o incentivo à sexualidade precoce e o consumo de drogas, os jovens são seduzidos pelo ambiente de “novidade” e transgressão; como uma espécie de “contraturno” dessa balbúrdia, há a pregação ideológica, que consegue ser inserida até em exercícios de matemática e física.


O preço da liberdade, como diz o ditado, é a eterna vigilância: começou-se a questionar projeto de hegemonia da esquerda moderna, mas sua influência e infiltração na sociedade são profundos e duradouros, e a isso é necessário, sempre, estar atento. Por isso é alentador que haja tantos alunos e pais de alunos contrários às “ocupações” e tentando restabelecer a normalidade da rotina escolar, embora o prejuízo almejado pelos manifestantes já tenha sido, em parte, atingido com o cancelamento parcial do ENEM. Seja como for, há esperança; esperança suficiente para não permitir a ascensão do totalitarismo moderno que, há décadas, se disfarça de ingênua boa intenção.



Thiago Pacheco é advogado, pós graduado em Processo Civil e formado em jornalismo. Escreve no Implicante às quintas-feiras.

Carta de Trump a los católicos: “Los políticos de Washington han sido hostiles a la Iglesia”

Carta de Trump a los católicos: “Los políticos de Washington han sido hostiles a la Iglesia”

  • “Mi gobierno estará al lado de los católicos estadounidenses para promover los valores que todos compartimos, como cristianos y estadounidenses”, afirmó en un vídeo, filmado poco antes de las elecciones.
  • “Estados Unidos se ha fortalecido con católicos que trabajan duro”, reconoció.
  • “Desde custodiar los derechos civiles a educar a millones de niños, sirviendo a los pobres y ayudando a definir el movimiento próvida”, ejemplificó.
  • “Defenderé vuestra libertad religiosa y el derecho a practicar vuestra religión plena y libremente, como individuos y como propietarios de negocios e instituciones académicas”, dijo en otro mensaje.
  • Más: “me aseguraré de que órdenes religiosas como las Hermanitas de los Pobres no sean acosadas por el Gobierno federal a causa de sus creencias religiosas”.
  • Trump ha prometido defender el homeschooling [enseñanza en el propio hogar] y poner fin al Common Core (programa de materias comunes utilizado en parte para el adoctrinamiento ideológico de los niños)”.(Defende a Escola Sem Partido)
Según recoge Religión en Libertad, la víspera de las elecciones, la cadena católica EWTN difundió un vídeo del entonces aspirante republicano y hoy presidente electo de EEUU Donald Trump con un mensaje de un minuto a los católicos, en el que recuerda la hostilidad de la Administración Obama hacia la Iglesia, que promete revertir.

Éste es el texto del mensaje:


Los católicos son una parte importante de la historia de Estados Unidos. Estados Unidos se ha fortalecido con católicos que trabajan duro. Desde Nueva York a California, la historia católica es realmente extraordinaria y grandiosa.


Desde custodiar los derechos civiles a educar a millones de niños, sirviendo a los pobres y ayudando a definir el movimiento provida, sacerdotes y laicos católicos en todo el país han hecho innumerables contribuciones al éxito de Estados Unidos y a la historia de éxito de Estados Unidos.


Los políticos de Washington han sido hostiles a la Iglesia, han sido hostiles a los católicos, han sido hostiles a los miembros del catolicismo. Mi gobierno estará al lado de los católicos estadounidenses para promover los valores que todos compartimos como cristianos y estadounidenses. Que Dios os bendiga y Dios bendita a los Estados Unidos de América. Haremos que Estados Unidos sea grande de nuevo”.


Un mes antes de este vídeo, el 5 de octubre, Trump escribió una carta a Gail Buckley, presidente de la Catholic Leadership Conference [Conferencia de Liderazgo Católico], excusando su asistencia al evento, pero dejando muy claros algunos puntos que deberá ahora llevar a término en su gobierno.
“Soy y seré provida.


Defenderé vuestra libertad religiosa y el derecho a practicar vuestra religión plena y libremente, como individuos y como propietarios de negocios e instituciones académicas. Me aseguraré de que órdenes religiosas como las Hermanitas de los Pobres no son acosadas por el gobierno federal a causa de sus creencias religiosas. Protegeré y trabajaré por la libertad de enseñanza y los derechos de las familias al homeschooling [enseñanza en el propio hogar] y pondré fin al Common Core [programa de materias comunes utilizado en parte para el adoctrinamiento ideológico de los niños]”.(Defende a Escola Sem Partido)


Andrés Velázquez
andres@hispanidad.com

Trump, el cambio mundial esperado!. Hillary la defensora del aborto y la ideología de género!

DONALD TRUMP 1


Los latinoamericanos con su voto deben escoger, o la promesa incumplida de Obama que vuelve y promete Hillary sobre los documentos, o el orden, la libertad, la justicia y la seguridad. Además de reconocer valores morales y fundamentales como la vida y decir No a la ideología de género!



Barranquilla, noviembre 8 de 2016.- La elección hoy 8 de noviembre del nuevo Presidente de los Estados Unidos, representa el cambio necesario y esperado en estos momentos en un mundo tan pervertido. Está demostrado que la secuencia de doctrinas perversas destruye la humanidad, así como en la antigüedad ocurría de un rey a otro de la misma familia, aquí ahora es de un mismo partido, de una misma ideología política, sería lo mismo continuar con esa misma doctrina destructora de libertad exagerada y equivocada y de pretender controlar la natalidad de manera perversa. La decadencia en los valores morales y democráticos, la falta de orden, justicia y seguridad, es reclamada hoy de manera vehemente a nivel mundial!.



Los deseos de cambio son provocados por el sufrimiento en una Nación que ha visto como se destruye lo construido: la seguridad de los Estados Unidos que hace seguro a muchos países, la justicia que es un ejemplo igualmente para el hemisferio, son reclamados hoy al igual que cuando David y Salomón, gobernaron, la situación después de ellos fue muy terribles con todos los reyes que pasaron por ese poder. Con la llegada del rey Ezequías, igual que cuando llegó Josías, la vida mejoró para la ciudadanía de la época. Así esperan hoy, aunque Trump no sea Ezequías ni Josías.



El mundo hoy está esperando ese cambio al igual que en aquella época fue esperado, aunque no lo dicen lo sienten y lo demostrarán con su voto en las elecciones hoy en Estados Unidos, aún por encima de lo que revelan la mayor parte de las encuestas y de lo que pretenden gran parte de los medios de comunicación infundir en el votante, y de eso ha sufrido Donald Trump, desde que se refirió a la construcción del muro en México, para evitar la llegada de tanto ilegal. Y quién dice que no es cierto? Hasta las mismas autoridades denuncian que hay políticos Demócratas vinculados al negocio con autoridades corruptas.
Un gobierno de libertad, pero orden, con justicia y autoridad, es lo único que haría fuerte otra vez a los Estados Unidos, y por supuesto irradiaría sobre el mundo entero.
Dada su influencia y con mucha más razón a Colombia viene siendo oprimida, al igual que Venezuela, Centro América, Cuba. Dependemos de lo que ocurra hoy en USA.  
No es un secreto lo que ha ocurrido durante la campaña, medios de comunicación cerrados herméticamente apoyando campañas de mentiras, difamatorias y engañosas. Igual que sucedió en Colombia, con campañas perversas, con medios de comunicación pagos, imponiendo un candidato, así también han pretendido imponer a Hillary Clinton.
También se espera y habrá cambio en la manera como se manejan los medios y periodistas en una mal llamada libertad de prensa
Lo que si no ha dicho HilLary Clinton y mucho menos los medios de comunicación que los Clinton son los promotores mundiales de la ideología de género, a través de Planed Parenthood, que trabaja con la ONU y la Unicef.


Durante la campaña Donald Trump le ha reclamado los 30 años viviendo del erario público de los Estados Unidos en las esferas del poder, y nada ha cambiado, ni cuando estuvo en el Congreso, ni cuando estuvo como Secretaria de Estado, donde le han abierto varias investigaciones por los escándalos revelados por Wikki Leads por la mal utilización de información clasificada del Gobierno.



De inescrupulosa y torcida es calificada. Con demasiados compromisos políticos y con empresarios y negocios a nivel mundial, debido a todos los que apoyan la Fundación Clinton, con dinero, que no ha podido demostrar sobre los verdaderos resultados, por ejemplo en Haití.



Por otro lado Hillary y su circulo, pertenece al Sistema. De qué serviría elegir a una mujer que va a continuar con lo mismo hasta hoy? De qué le beneficia al mundo que ella esté al frente de la Presidencia de los Estados Unidos? 


Inclinar más gente hacía el homosexualismo a través de Planed Parenthood, calificada por el profesor español, Antonio Bárcenas, especialista en el tema, como la mayor central abortista en los Estados Unidos, de propiedad de la familia Rockefeller, con la que exigiendo a los países pobres, o como en Latinoamerica imponiendo a través de acuerdos con los Gobiernos, supuestamente ofreciendo ayuda a través de organizaciones mundiales.



Hillary en su afán  por el control de la natalidad a nivel mundial, porque creen que deben controlarlo, controlar los nacimientos, no con prevención sino a costa de lo que sea, por ello está de acuerdo con el aborto, no reconoce que la vida, la da Dios, pero a ella le parece que decidir hasta cuando una criatura inocente en gestación puede vivir, son cosas menores, temas de los seres humanos.


Muy grave que se le esconda al mundo lo que con la ideología de género pretendiendo homosexualizar a los niños, criaturas inocente quedaría en poder del Presidente de los Estados Unidos, de ser elegida ella.


El tema está claramente demostrado por el profesor Alberto Barcenas, quien denunció este año, en España que en las Cumbre de El Cairo y después en la de Pekín, la ideología de género vistiéndose de varias formas, unas veces de tolerancia, y de concesión de nuevos derechos, se ha ido extendiendo y la han hecho suya en las Cumbres de Naciones Unidas desde los años 90. No es casual ni inocente, van cumpliendo objetivo y primero se acuerda en organizaciones internacionales, para entrar con mayor facilidad a los países pobres.



Es clara la denuncia de Bárcenas quien dice que en estas Cumbres a pesar de que se han opuesto, no son escuchadas o apabullados los delegados que están en contra. No obstante que la única voz que se escucha es la de la iglesia, personajes públicos como Hillary Clintón, piden públicamente que se silencie la voz de la Iglesia en estas Cumbres por lo dañina que resulta para los planes de las políticas abortistas que ella impulsa. Hablan ex profeso de transformar la sociedad.



Afirmó el historiador que ya en la Cumbre preliminar de El Cairo, el propio presidente Clinton torpedeó cuanto pudo aún pasando por encima de los representantes de la iglesia, escarneciéndolos públicamente, incluso siendo el moderador, llevando la batuta abortista la comisión americana.



Denunció que la estrategia de Naciones Unidas para implementar estas políticas natalistas es restringir los recursos a las naciones pobres que no acepten someterse a sus estrategias, esterilizaciones masivas, aborto libre.



Afirma, que existe un proyecto internacional ratificado y planificado en distintas cumbres mundiales (Cairo, Pekín, Estambul,…) auspiciadas por la O.N.U. que persigue, bajo un manto de progresismo y modernidad, suprimir valores no solo cristianos sino valores naturales que atentan contra la propia dignidad del hombre y de la familia en concreto.



Por otro parte, todo este tipo de pensamientos tienen sus pares a nivel mundial en las diferentes naciones, han filtrado las instituciones mundiales, en Colombia hay entendimiento con el Gobierno de Obama, el mismo de donde proviene ella, y aquí pretenden imponer porque se identifican, sin tener en cuenta la opinión de los colombianos.



Pero por otro lado tenemos a un Donald Trump, que si bien no es perfecto, guarda lo básico, sabe que el dueño de la vida es Dios, así lo ha hecho saber en su campaña criticando la posición de Hillary. Sabe también Trump que existe hombre y mujer, aunque respeta las decisiones sexuales de los adultos, es consciente que hay que preservar pura la niñez y la adolescencia.


Con Trump, también habría libertad seguridad y más justicia en el mundo, y la justicia de los Estados Unidos la quieren corromper igual que aquí en Colombia.


Donald Trump ha prometido revisar esos acuerdos hechos por los estados Unidos con las demás naciones, y ahí están los acuerdos con Colombia, con las Farc, que aquí quieren premiar. Si quedara mal establecido ese acuerdo que se negocia ahora, habría la posibilidad de que el Gobierno de Estado Unidos lo revisara estando Trump en la Presidencia. Si estuviera Hillary nada cambiaría y los colombianos también están reclamando cambios.



El narcotráfico, también sería combatido. Revisaría igualmente los Acuerdos con Cuba que si bien hay algo de libertad, es solo para los amigos del régimen Castro que continúan en el poder, pero salen a expandir sus prácticas satánicas de santería por todo el mundo, a regar su inmundicia para destruir a las personas, para desviarlas, para impedirles mejorar su vida y que los pueblos vivan esclavizados pasando hambre como en Venezuela, y a vivir en la violencia permanente.



El Vicepresidente Mike Pence que estaría en el poder si eligen a Donald Trump es una persona tranquila, cristiano gobernador de Indiana con buena administración y reputación defensor de la familia y la libertad de culto. Muy distinto de Hillary y su candidato a Vicepresidente que practica la teología de la liberación.

Obama, el presidente más desastroso de la historia de los Estados Unidos, vende sus ‘logros’



Obama, el presidente más desastroso de la historia de los Estados Unidos, vende sus ‘logros’
  • La Primavera Árabe de Barack y Hillary ha provocado más matanzas que ninguna otra estrategia occidental desde el final de la II guerra mundial.
  • Obama nos ha llevado a la crisis económica permanente, un fenómeno tan nuevo como siniestro.
  • Yo también quería un negro en la Casa Blanca, pero no Obama.
  • Yo también quiero una mujer en la Casa Blanca, pero no Hillary.



Me ha encantado lo de Barack Obama, comprometido con el nuevo Orden Mundial (NOM) tanto como Hillary Clinton (ambos en la imagen). En la recta final de las elecciones del 8 de noviembre, Obama aseguró en un mitin por Hillary, que si gana Trump todo “lo que hemos logrado durante estos ocho años (sí, el lapso de su eficiente Gobierno) se tirará por la borda”. Pero, ¿qué es lo que has logrado campeón?


A ver, repaso somero:


Te has cargado el derecho a la vida, dando en Estados Unidos el último paso del Nuevo Orden en materia del derecho a la vida: el aborto ya no es algo despenalizable, es un derecho.



Más logros Barack: creó en Estados Unidos los nuevos campos de exterminios. Fue el primer acto de su mandato, retrasmitido en directo por las televisiones, del acuerdo para financiar la utilización de embriones humanos como cobayas de laboratorio. Eso, además de una nota derivada homicida del aborto, se ha convertido, apenas cuatro años después de la llegada de Obama a la Casa Blanca, en la mayor estada científica de la historia moderna. Con embriones no se ha curado ni un resfriado. Con la alternativa ética, las de las células adultas se avanza cada día. Pero no se crean que, ni por un momento, Obama se ha planteado rectificar.



Y para que no faltara de nada, ideología de género. Obama ha sido uno de los mejores propagandistas del homosexualismo y de cualquier tipo de feminismo radical, desde los vientres de alquiler a cualquier otra actitud que suponga valorar la feminidad.



En política exterior, Obama será recordado por su Primavera Árabe que ha provocado más matanzas que ninguna otra estrategia occidental desde el final de la II guerra mundial. Y,  naturalmente, el fenómeno del fanatismo islámico se ha disparado en todo el mundo.



Y con su espíritu chulesco, Obama y Hillary -su secretaria de Estado- nos han acercado al abismo de la III Guerra Mundial, a costa de un estúpido enfrentamiento con Putin, al más idiota grito que vieran las cancillerías del siglo XXI: ¡Que vienen los rusos!



En economía, los demócratas Obama y Clinton no sólo han entronizado el financismo y la especulación en los mercados, sino que Estados Unidos ha ampliado el océano de liquidez que ahoga… al resto del planeta, porque ese océano de liquidez ha devaluado toda la economía mundial y nos ha llevado a la crisis económica permanente, un fenómeno tan nuevo como siniestro.
¿Logros? ¿Qué logros?



Yo también quería un negro en la Casa Blanca, pero no a Obama.


Yo también quiero una mujer en la Casa Blanca, pero no Hillary.


Eulogio López



eulogio@hispanidad.com

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Entendo o povão, mas é difícil explicar a atitude dos intelectuais de esquerda - FERREIRA GULLAR

Domingo, novembro 06, 2016



FOLHA DE SP - 06/11

Cada dia que passa me convenço mais de que, sobretudo quando se trata de política, as pessoas, em geral, têm dificuldade de aceitar a realidade se ela contraria suas convicções.

Recentemente, durante um almoço, ouvi, perplexo, afirmações destituídas de qualquer vínculo efetivo com a realidade dos fatos. Minha perplexidade foi crescendo tanto que, após tentar mostrar o despropósito do que afirmavam, fingi que necessitava ir ao banheiro e não voltei mais ao tal papo furado.

Não resta dúvida de que, até certo ponto, essa dificuldade de aceitar a realidade decorre do momento que estamos vivendo, tanto no Brasil como no mundo em geral.

Tem-se a impressão de que atravessamos um período de mudanças radicais quando os valores, sejam ideológicos, econômicos ou éticos, entram em crise.

Isso parece ter a ver tanto com as utopias quanto com a implantação de novos meios de comunicação. Estes tornaram o mundo menor ou, dizendo de outro modo, é como se todos os povos, nos diversos pontos do planeta, vivessem uma mesma atualidade. Sabemos, a todo instante, de tudo o que ocorre em qualquer região, em qualquer país, em qualquer cidade do planeta.

No caso de nós, brasileiros, acresce o fato de que chegamos ao fim de uma fase que culminou no afastamento da presidente da República e na implantação de um governo interino, agora permanente. Acresce o fato de que o governo que findou era a expressão de um regime populista, caracterizado por um ideologismo demagógico, apoiado no setor pobre e carente da população. Na verdade, versão primária de um regime dito de esquerda em aliança com o capitalismo corrupto, que ele fingia combater.

Pois bem: que o povão desinformado se deixe levar pelas benesses recebidas é compreensível. Difícil de explicar, porém, é a atitude de intelectuais de esquerda que aceitam a burla como verdade.

E era isso que transparecia na tal conversa do encontro a que me referi no começo desta crônica. Uma das pessoas presentes, dizendo-se contra Dilma Rousseff, tampouco admitia o governo Michel Temer. Quando a lembrei que o governo de Temer tinha apenas um mês de existência e que herdara do anterior uma situação crítica com mais de 11 milhões de desempregados, ela respondeu: "Na cidadezinha onde moro não há desemprego. Duvido muito desses números".

Lembrei-a que aqueles eram dados do IBGE, divulgados havia três meses, quando ainda era Dilma quem presidia o país, ela respondeu: "E o IBGE não podia estar infiltrado por adversários do governo?"

É que essa senhora se diz de esquerda e, embora não possa negar o estado crítico a que o PT conduziu o país, usa de argumentos infundados para colocar em dúvida o fracasso petista. Já observaram que os que defendem esse populismo nunca tocam nos escândalos revelados pela Lava Jato, no assalto à Petrobras, nas propinas dadas a funcionários e políticos inclusive do PT? É que têm dificuldade de aceitar a realidade dos fatos e admitir que estão errados. E se alguém faz referência a tais escândalos, gritam: "Mas isso é mentira!" Ou seja, para quem não suporta a realidade, só é verdade o que lhe convém.

Saí dessa roda e fui me sentar com outro grupo, que falava de futebol, particularmente do Vasco, meu time do coração, que anda mal das pernas, pois acabara de ser desclassificado, ainda na primeira rodada da Copa do Brasil. Mas eis que chega um velho companheiro, simpatizante do PC do B, do finado PCB e muda o assunto da conversa, de futebol para a polícia. Foi então que um dos presentes afirmou que o comunismo já acabara, uma vez que a própria China era hoje a segunda maior potência capitalista do mundo.

– Isso não, contestou o velho comuna. O comunismo está mais vivo do que nunca. A China encarna a nova forma que o regime socialista ganhou.

– Sim –brinquei eu–, é o comunismo capitalista! Todos riram, menos o autor daquela tese surrealista.

Politização de estudantes e professores colabora para educação ser um lixo - LUIZ FELIPE PONDÉ

segunda-feira, novembro 07, 2016



FOLHA DE SP - 07/11

Sei que muitos inteligentinhos vão ficar nervosinhos, mas, no que se refere a esta onda de invasões que tomou conta das escolas, os professores que apoiam e os estudantes autoritários que realizam o fazem, antes de tudo, porque uns não querem dar aulas e os outros não querem ter aulas.




Casamento perfeito sob a "bênção" do blá-blá-blá da "luta pela educação". Uma das formas mais cínicas de ser um professor ruim é sê-lo em nome de um mundo melhor. Você pode passar a vida inteira sendo esse professor ruim e enrolar todo mundo. Para isso, basta dizer que "acredita na educação para formar cidadãos do futuro".



Antes, um pequeno reparo: claro que a educação no Brasil é um lixo. Mas a politização dos estudantes e dos professores é uma das causas para ela ser um lixo. Um modo chique de torná-la um lixo, dizendo que a está salvando. Como violentar alguém dizendo que está fazendo aquilo porque ela gosta.




Fiz parte de movimento estudantil. Nunca vi gente tão autoritária e manipuladora. Aliás, foi ali que comecei a desconfiar que o problema da esquerda era um problema de caráter, ainda que no contexto da ditadura não havia como não ser contra ela. "Ser de esquerda" era óbvio para todo jovem. Na época, optei por ser anarquista, pois sempre desconfiei de quem queria fazer assembleias, comitês burocráticos e decidir pelos outros. Além do mais, ser anarquista era mais chique e pegava mais meninas. Sexo ainda é um grande motivo (talvez um dos poucos sinceros) para se fazer movimento estudantil.



A educação se tornou, de certa forma, um dos grandes fetiches do mundo moderno. Não que não seja essencial (antes que algum bonitinho tenha um ataque de nervos), mas defendê-la, muitas vezes, é um modo de não realizá-la. A própria palavra "educação" vai, aos poucos, caindo no mesmo tipo de uso da palavra "energia": todo mundo sabe que é importante, que existe, mas ninguém sabe direito o que é.





Umas das melhores formas de matar a educação é dar a ela missões demais. Outra é dizer que ela forma "cidadãos do futuro". Como são do "futuro", ninguém sabe direito o que são. Desconfio de quem diz "eu acredito na educação". Para mim, soa como dizer "eu acredito em energia ruim" –ou seja, não quer dizer nada.





Eu "não acredito na educação", apenas gosto de dar aula. Aliás, grande parte do problema da educação é que muitos professores não gostam de dar aulas ou não gostam de jovens. Risadas? Que tal um cirurgião que não gosta de sangue? Além do eterno problema de grana, você envelhece, torna-se irrelevante e, num dado momento, nem sabe mais o que está fazendo ali. Ao final, está apenas ganhando uma graninha fazendo um negócio que dá um trabalho do cão.





A educação se tornou um fetiche (no sentido freudiano) porque ela serve para você gozar apenas com uma "parte" da experiência humana, "parte" esta que exclui todo o resto da realidade; "parte" esta que faz os professores, pedagogos e alunos gozarem em sua vaidade de se dizerem do bem. A experiência ampla, o enfrentamento da própria humanidade que nos une e nos inferniza, essa ninguém mais quer saber. Refiro-me aqui, claro, à educação não apenas como informação técnica, mas como formação humana (aquela mesma que os picaretas da "educação para a política" dizem representar na sua condição de novo clero hipócrita do mundo).





Outro problema com essas ocupações é que são levadas a cabo por uma parte mínima dos alunos se dizendo representar a totalidade do alunos. Representa nada. O movimento estudantil sempre foi uma excelente escola para você virar um daqueles "políticos de Brasília": alienado do resto do mundo, mentiroso e manipulador de sonhos. Essas invasões sequestram a escola dos outros, apenas.





Há pouco tempo, recebi um e-mail de um aluno de mestrado de uma grande universidade em que ele contava como um professor de sociais deu aos alunos duas opções de trabalho para nota: a primeira, ir a uma manifestação contra o Temer (e, assim, "fazer política" de fato); a outra, não ir e fazer prova oral. O que você escolheria se não estivesse a fim de estudar?




domingo, 6 de novembro de 2016

Educação para o trabalho - MERVAL PEREIRA


O Globo - 06/11

As mudanças no mercado de trabalho devido às novas tecnologias estão exigindo uma educação mais longa e, sobretudo, o aprendizado constante. Essas mudanças, e a necessidade de o padrão educacional brasileiro não apenas melhorar, mas sobretudo se adequar aos novos tempos, foram analisadas no recente ciclo de debates da Academia Brasileira de Letras, coordenado pela escritora Ana Maria Machado.

O sociólogo José Pastore, um dos maiores especialistas do assunto no país, diz que o mercado de trabalho hoje “está atrás de pessoas que saibam transformar informação em conhecimento”. Esse aprender contínuo, ressalta Pastore, nenhuma escola pode oferecer. “O ser humano antes tinha seu tempo dividido entre o trabalho e o lazer. Hoje, no mundo do trabalho, pede-se que se divida o tempo em três partes: trabalho, lazer e aprendizagem continuada”.

Ele adverte que 60% das profissões que existirão dentro de 20 anos ainda não existem hoje. “Aprender por conta própria, aprender a aprender, aprender continuamente. É preciso ter a obsessão da leitura”, recomenda Pastore. Ele destaca que o bom comando da linguagem é fundamental hoje no mundo do trabalho. “Deficiência de linguagem vai junto com deficiência de pensamento, mina a produtividade da economia, a eficiência”.

As escolas do Brasil são deficientes não é de hoje, diz ele. Em 1850, 90% da população dos EUA estava alfabetizada. No Brasil, naquele ano, nós tínhamos 90% de analfabetos. Os EUA passaram os últimos 50 anos investindo em educação, e mesmo assim nos testes de Pisa perdem para Singapura, Coréia do Sul e Finlândia.

Pastore resume assim nossa situação: os trabalhadores não ganham bem, não têm produtividade, não inovam, não geram lucro para as empresas, e as empresas não evoluem e não geram mais empregos.

O economista-chefe do Instituto Ayrton Senna Ricardo Paes e Barros cita outros exemplos: o Chile, em 30 anos, aumentou a produtividade graças à educação, Malásia e a China vão na mesma direção. Com uma ponta de ironia, ele comenta: “Esses países consideram que a educação é um direito humano básico, mas permitem que a educação sirva ao capitalismo”.

Mas no Brasil temos uma educação desprovida de utilidade para o capitalismo, critica Paes e Barros. “A Coreia do Sul levou ao extremo, focou sua educação na tecnologia. E vem o Brasil e desmoraliza a educação. Conseguiu o sonho de alguns de aumentar a educação e não aumentar a produtividade”.

Ele destaca que, em 1980, estávamos na mesma situação da Coréia, o que um brasileiro produzia era igual ao que um coreano produzia. Hoje precisamos de mais de três brasileiros para produzir o que um coreano produz. Na mesma época, eram precisos dez chineses para produzir o que um brasileiro produzia, em 2010, bastava um chinês, hoje um brasileiro já não produz o mesmo que um chinês.

O economista Samuel Pessoa, da Fundação Getulio Vargas, ressalta que no final dos anos 50 começamos a procurar estudar se a educação tinha relação com a desigualdade de renda, e acabamos entendendo que se quiséssemos compreender o aumento da produtividade do trabalho, uma parte seria responsabilidade da educação.

“Há uma correlação positiva entre a escolaridade e a renda. Quem estuda mais ganha mais em média. É uma relação de causa e efeito, olhar o investimento educacional como investimento econômico”. Sem falar no aumento da produtividade. Ele cita exemplos claros: uma hora trabalhada no Brasil produz 1/5 que nos Estados Unidos, e 1/3 dessa diferença dá para explicar pelo atraso da educação.

“O atraso educacional brasileiro explica nossa diferença de produtividade em relação às economias desenvolvidas”. Para Samuel Pessoa, “nunca tivemos uma educação de qualidade para todos”. Nos anos 50, pelo menos metade das crianças de 7 a 14 anos estavam na rua, fora das escolas. “O país parecia estar vivendo seu auge, mas não tinha dinheiro para colocar as crianças nas escolas. A educação pública boa era para 2% da população”.

O economista Samuel Pessoa é taxativo: “O sistema educacional só é bom quando o filho do pobre sai com a mesmo conhecimento do filho do rico. Desigualdade educacional explica a desigualdade de renda”. Ele considera um “erro histórico” termos passado anos 30 aos anos 70 não dando importância para a educação, e pergunta: Qual seria o PIB per capita brasileiro se, entre 1930 e 1980, tivéssemos investido 4% do PIB a mais em educação. E responde, com base em pesquisas: “Seria o dobro. É muito caro desistir de uma criança”.


Para lá do fim do mundo - FERNANDO GABEIRA

O Globo - 06/11

Os que usaram caixa dois consideram a prática tão corriqueira que querem uma espécie de anistia


Saiu a delação de Marcelo Odebrecht e seus 75 executivos. Trezentos novos casos de corrupção devem inundar o noticiário. Os políticos a chamam de delação do fim do mundo. O próprio Sérgio Moro teria comentado: espero que o Brasil sobreviva. Sobreviverá. Olho Lisboa da janela do avião. Em 1775 houve um terremoto, seguido de uma tsunami e um grande incêndio. A cidade lá embaixo está linda e ensolarada. Não será nada fácil. Como não deve ter sido para os contemporâneos do Marquês de Pombal enfrentar tantas calamidades em série. Não é possível começar do zero, vamos ser governados por mortos e feridos. Um cenário que parece ter saído daquela série americana “Black mirror”, cheia de histórias que projetam um sinistro futuro a partir das tendências do presente. Teremos enfermarias de caixa dois, propinas, achaques, chantagens, formação de quadrilha e lavagem do dinheiro.

Poderemos usar os mortos recolhendo todos os seus posts no Facebook, discursos antigos, confissões, com essa base de dados simularemos suas respostas à nova situação. Os que usaram caixa dois consideram a prática tão normal e corriqueira que inclusive querem uma alta da enfermaria, uma espécie de anistia. Afinal, dizem eles, caixa dois existe desde Cabral (Pedro Álvares). Se todos forem punidos, será preciso reescrever a História do Brasil.

É preciso definir um marco no tempo: as próximas eleições, por exemplo. Quem usou recursos lícitos e não declarou, está livre. A partir de 2018, tudo será diferente.

Vai ser uma confusão. O caixa dois, no caso, seria apenas um dinheiro de origem lícita, não contabilizado na Justiça Eleitoral. Ao contrário da propina, grana em troca de algum favor oficial. Tudo isso ainda está na fase de roteiro, conversas de bastidores. O Ministro da Justiça disse que a Lava-Jato iria até onde os fatos a levassem.

O melhor, portanto, é esperar todos os fatos e ver quem, realmente, estará em que enfermaria, quem será ressuscitado para uma breve vida virtual, quem irá para as nuvens do céu de Curitiba.

Ninguém vai morrer calado. O governo, por exemplo, move-se para salvar Renan Calheiros no Supremo. O próprio PSDB que se saiu bem nas eleições vai passar por momentos difíceis. A empreiteiras estão envolvidas em todos os governos do país, elas eram o verdadeiro ministério do planejamento; as obras, assim como as propinas, brotavam de suas planilhas.

Cada estrada, cada ponte, cada viaduto, cada estádio de futebol, onde quer nossos olhos repousem, com ou sem lente de contato, o dinheiro escorre pelos canais do superfaturamento. Cada edifício que cai, cai vergado pelo peso da grana espúria. Essa é nossa história. Não é preciso que os fatos nos levem a ela. A Lava-Jato é apenas um inventário para efeito dos ritos judiciais. No terremoto que abalou Lisboa, seguido de ondas que varreram suas áreas baixas, e um grande incêndio que lambeu seus prédios, foi preciso decisão rápida.


Pombal era um homem decidido, mandou jogar os corpos no mar, articulou engenheiros e construtores, enfim ganhou tempo em vez de apenas se lamentar. Num desastre de natureza política, o caminho da reconstrução não é tão linear. Depois das eleições, o mar está tinto de algas vermelhas. Não foi preciso prender todo mundo para que os eleitores compreendessem. Da mesma maneira, não será com anistia que os políticos ganharão um passaporte para o futuro. Basta seguir os fatos, conhecê-los de uma forma responsável. A delação do fim do mundo deveria ser homologada rapidamente e divulgada com todos os detalhes, não aos poucos, como se fosse uma ação entre amigos.

É preciso examinar a extensão do desastre para começar a reconstruir. Ou será que os escândalos semanais criaram uma espécie de dependência que ficará insatisfeita quando o trabalho essencial for apenas reformar um país devastado?

A hecatombe nos ameaça de todos os lados. Hillary Clinton diz que Trump levará o planeta a uma guerra nuclear. Melhor fazer logo o que tem de ser feito e ver o que há, realmente, para lá do fim do mundo. Keynes dizia que a longo prazo estaremos todos mortos. Isto é válido para pessoas. Países, com raríssimas exceções, sempre sobrevivem.