sábado, 2 de julho de 2016

O conservadorismo é o inimigo comum



Para a grande mídia, meios intelectuais e para a classe política, o conservadorismo continuará a ser o que sempre foi: uma ameaça ao status quo.



Cada vez mais, fica evidente que não se deve fazer concessões àqueles que não comungam dos mesmos objetivos, que não possuem a mesma cosmovisão e possuem paradigmas que se diferenciam muito dos seus, ainda que, politicamente, haja alguma afinidade de idéias.



No ano passado, quando a disputa presidencial ficou entre Dilma Rousseff e Aécio Neves, a quase totalidade dos conservadores brasileiros fizeram uma campanha positiva em favor do candidato do PSDB. Apesar desse apoio ter sido dado com desconfiança, ele foi bem explícito, chegando a parecer mesmo uma aprovação à figura do senador mineiro.



Eu mesmo, ainda que sempre deixando claro que votaria nele bastante envergonhado, tomei uma posição muito clara em seu favor. Inclusive, cheguei a defender esse chamado voto útil, ou a escolha por um mal menor, de forma ardorosa contra a crítica de alguns outros conservadores um tanto mais inflexíveis. 


Estes negaram apoio a Aécio por uma razão muito simples: diziam que o partido social-democrata, apesar de ser um tanto mais liberal em matérias econômicas, em todo o resto, como nas questões de valores familiares, defesa da vida e assuntos culturais era tanto ou até mais radical em favor da visão esquerdista do que o próprio Partido dos Trabalhadores.


Na época, achei, sinceramente, que esse discurso estava equivocado. 


Na minha cabeça e de tantas outras que se expressaram nesse sentido, era melhor se concentrar em tirar o PT antes de tudo e, depois, poderíamos nos concentrar no PSDB, que estaria no poder.



No entanto, passado mais de um ano daquelas eleições e vendo a atitude da cúpula tucana, inclusive do senhor Aécio Neves e, agora, observando os ataques histéricos que um de seus maiores defensores na mídia, o senhor Reinaldo Azevedo, tem impetrado contra os conservadores e, principalmente, contra o provável candidato à presidência em 2018, o deputado federal Jair Bolsonaro, começo a reconhecer que talvez aqueles conservadores mais inflexíveis estivessem realmente com a razão.


Pode ser que, em algum momento, tenhamos acreditado que os tucanos, apesar de suas raízes fabianas, pudessem ser aliados dos conservadores. Talvez tenhamos tido a ilusão de que o apoio conservador ao candidato do PSDB causasse algum tipo de simpatia em seu partido pelas nossas causas, fazendo com que aliviassem um tanto o discurso progressista que sempre lhes foi próprio.


No entanto, os sinais foram claros que tudo isso não passara de um grande engano. O próprio Aécio Neves, ainda na época da campanha, declarou que jamais se direcionaria para o espectro da direita política. Além do mais, o programa de governo do PSDB era ainda mais radicalmente contrário aos valores conservadores do que o do próprio PT. Findadas as eleições, o candidato derrotado simplesmente se negou a dialogar com a parcela da população que votou nele, escolhendo a reclusão, em um sinal claro de que não havia qualquer afinidade entre ele e seu novo eleitorado.


Quanto aos seus defensores na mídia, principalmente no caso de Reinaldo Azevedo, que sempre foi um explícito apoiador dos personagens tucanos, até quando foi possível, tentaram manter uma relação cordial com a parcela mais conservadora da sociedade. Como havia um inimigo comum, pareceu que as aparentes pequenas divergências que havia entre eles ficaria diluída diante do problema maior, que era o PT.


No entanto, surgiu um fenômeno inesperado no meio do caminho: um provável candidato a presidente que está arrebatando grande parcela daqueles mesmos eleitores que apoiaram Aécio Neves em 2014: o deputado Jair Messias Bolsonaro.


É evidente que ao ver as cenas das pessoas carregando aquele que eles apelidaram carinhosamente de Mito nos ombros, em todas as cidades por onde passa, o alerta vermelho soou no quartel-general do PSDB e, a partir desse momento, um novo inimigo surgiu.


Então, aqueles que até aqui eram tratados como aliados, quase como companheiros de armas, de repente são tidos por fanáticos, radicais, ou como gosta de falar o senhor Azevedo, fascistas. Aquela que parecia uma aliança, ainda que tática, se mostrou, de fato, inexistente. O que se ouve, agora, é o destilar de um ódio irracional e a expressão de um medo histérico, que tentam demarcar os conservadores como extremistas que devem ser contidos.


Fica claro, com isso, que nós, os conservadores, realmente cometemos um erro. 

Acreditamos que era possível, de alguma maneira, compor-se, nem que fosse apenas precariamente, com esquerdistas aparentemente menos radicais. A realidade, porém, está deixando bem claro que tal acordo tácito apenas se sustentaria enquanto fosse favorável aos representantes social-democratas. 


Enquanto o apoio conservador oferecia suporte e votos para os políticos do PSDB, o fingimento permanecia. Bastou, porém, aparecer uma alternativa para esses conservadores e eles começarem a demonstrar que seu apoio e voto não seria mais para o tucanato, para se tornarem incômodos e não bem-vindos nos círculos progressistas, recebendo destes a pecha de radicais obtusos.


Isso deixa evidente, portanto, que o conservadorismo, se quiser se impor neste país, vai ter de buscar apoio onde ele sempre se manifestou da maneira mais natural, a saber, no meio do povo. Porque na mídia, nos meios intelectuais e na classe política ele vai continuar a ser o que sempre foi: uma ameaça ao status quo.


http://www.fabioblanco.com.br/

As 10 melhores maneiras de educar seus amigos esquerdistas no Facebook…

Por Diane Schrader
As 10 melhores maneiras de educar seus amigos esquerdistas no Facebook…ou em qualquer outra rede social. [Eis aqui] apenas algumas leves considerações …


Todos vocês são blogueiros, vocês sabem disso. Se possuem uma conta no Facebook, é-lhes oferecida uma oportunidade de expressar suas opiniões diante da plateia composta pelos amigos do Facebook. Mais de nós deveria estar tirando vantagem dessa oportunidade.

Porque, a menos que você preserve, zelosamente, a pureza ideológica da sua lista de amigos do Facebook, limitando-a apenas a outras pessoas que também limitem suas respectivas listas a conservadores, você está sujeito a “logar” um dia e encontrar algum comentário espetacularmente irritante e/ou completamente estúpido, ao qual você deve responder. E eu estou dizendo que você PRECISA responder. (Veja #10, abaixo)

Agora, isso pode causar alguns estragos porque, de acordo com minha experiência, discussões em forma de textos tornam-se agressivas muito mais rapidamente do que em conversas cara a cara.  A maioria das pessoas é bem mais educada pessoalmente do que quando protegidas pelo relativo anonimato da tela de seus computadores, e isso vale em dobro para os esquerdistas.  

E mais: muitas vezes, você se verá respondendo aos amigos dos seus amigos, e eles podem, muito bem, ser pessoas que você não conhece e com quem jamais terá um encontro pessoal, o que pode elevar os insultos a níveis estratosféricos. Mas, munido com estas dicas, você pode ter uma troca de ideias gratificante, esmagar o esquerdismo e preservar a sua dignidade.

10. Não deixe nenhuma idiotice esquerdista passar em branco
Essa é a regra básica. [Eis] um exemplo de um dos meus amigos no Facebook depois das eleições de terça-feira:
“Estou vendo os resultados das eleições e estou bastante assustada.”
Quando me deparei com esse status, vários amigos dessa pessoa, igualmente insensatos, já tinham entrado na conversa, apresentando variações sobre o tema, como “Aterrorizado!” e coisas do tipo. Esquerdistas raramente sentem a necessidade de explicar tais respostas impensadas ou de postar um link que nos leve a algo que sustente suas opiniões. No Mundo Esquerdista, simplesmente declarar algo já lhe confere autenticidade. Pronunciamentos presunçosos e vagos são a tática favorita. Sua primeira resposta deve ser uma pergunta simples, formulada como se você estivesse simples e inocentemente pedindo esclarecimentos – nesse caso: “O que é assustador?”.
Rota alternativa: cortar [o mimimi], imediatamente, com sarcasmo: “Sim, acho que impostos mais baixos, mais empregos, uma economia melhor e menos desperdício nos gastos poderia ser francamente assustador”.

 9. Desafie-os nos xingamentos

Como eles possuem poucos argumentos coerentes, a você, frequentemente, será atribuído algum nome desagradável. Permanecendo no exemplo das eleições que eu mencionei acima, quantos comentários você acha que levaram antes de eu ser chamada de “teabagger”? [NOTA: trocadilho vulgar aplicado aos simpatizantes do “Tea Party” (Partido do Chá), movimento político-social ligado às ideias direitistas. Teabagging, por outro lado, é um ato sexual.] Se você apostou dois [comentários], ding ding ding! Acertou! Quando eu disse que usar uma ofensa sexual e vulgar não acrescentava nada à qualidade da discussão, o cavalheiro em questão ofereceu a resposta comumente usada [por um esquerdista]: a de que ele “não quis dizer isso”.
“Se você me conhecesse, o que não é o caso, e [não] estivesse simplesmente fazendo suposições, saberia que eu não quis dizer isso…. Um “saquinho de chá” (tea bag), na minha casa, é simplesmente isto: um saquinho de chá. Minha mente não foi tão longe. Um Partido do Chá (Tea Party) deve ser constituído por um monte de saquinhos de chá de qualquer forma, certo? …se não, como cada membro é chamado? Folha de chá?”
Você pode notar todas as deixas que ele me deu? O mais óbvio, é claro, é que as palavras têm significados e, se alguém está negando desonestamente esses significados, então qualquer chance de uma discussão significativa desaparece. Demorou algumas trocas e vaivéns cansativos para esclarecer isso para ele; ele era um educando particularmente lento. Se forem lançados xingamentos diretamente contra você ou contra pessoas que pensam como você, não deixe que essa loucura fique impune.

8. Desafie-os a falhar na resposta

Todo mundo fica cansado quando uma discussão já dura há algum tempo, mas, se for possível de alguma forma, mantenha-se firme até eles se renderem. Lembre-se, você tem argumentos mais numerosos e superiores. Eu penso que a maioria dos esquerdistas simplesmente desiste quando ficam sem resposta, o que é muito revelador para aqueles que presenciam a conversa. Você poderia permitir que alguém se retirasse quieta e graciosamente, mas eu sempre induzo uma saída provocadora. Exemplo: “Chega dessa merda [de discussão]!”
Não, eles não terminaram. Só queriam dar um soco de despedida, então devolva o favor. Pergunte qual é a “merda” em debater um assunto. Mostre que parece que eles não têm mais provas das suas reivindicações. O que quer que você tenha que fazer, não deixe os desafiantes desistentes saírem dessa. E, se eles aparecerem de novo, depois de dizerem“Para mim chega!” (como eles quase sempre fazem) – sinta-se livre para dizer “Pensei que você tinha dito que ia sair da discussão!”

7. Desafie-os em acessos de raiva


Essa é para fazer o circo pegar fogo. É perceptível quando alguém perde o controle, porque uma birra verbal (ou virtual) é recheada de letras maiúsculas, pontos de exclamação e, geralmente, de uma profunda falta de gramática, ortografia ou lógica. Eles simplesmente disparam estas coisas em você:
“
Você é uma desgraça de ser HUMANO por que você não faz um favor ao mundo e se mata SUA V@DI@ FDP IDIOTA !!!!”

Poético, não? Nunca deixe que eles tenham a última palavra depois de uma afronta como essa. Essa atitude apenas encorajá-los-á a usar suas táticas de bullying em algum outro usuário do Facebook desavisado. De qualquer forma, por inúmeras razões, é crucial que você cultive uma atitude de zoação diante de tal acesso de raiva. Em primeiro lugar, isso te ajudará a evitar picos indesejáveis de pressão arterial. Em segundo lugar, vai impedi-lo de pagar na mesma moeda. É muito, muito mais eficiente exibir seu bom humor diante do descontrole emocional deles. Ainda que você sinta que está ficando com raiva, nunca os permita vê-lo suar. Vire o jogo contra eles: “Entendi. Será que alguém esqueceu os remédios hoje de manhã?” Permaneça o adulto no controle, indulgente e divertido. Você vai enlouquecê-los!

6. Desafie-os nas palavras de baixo calão


Nós já cobrimos isso de alguma maneira na seção sobre birras, mas vale a pena ressaltar que você nunca deve usar palavras de baixo calão, e, quando eles (invariavelmente) o fizerem, imediatamente use a postura de adulto indulgente que acabamos de descrever: “Ai, ai, ai! Alguém aqui precisa lavar a boca com sabão?”.
Rota alternativa: lembrete imediato e conciso de regra [básica]: “Palavras de baixo calão são sinal de um vocabulário limitado. Seja gentil e evite usá-las, já que são antitéticas em uma discussão civilizada”.

5. Desafie-os ao fugirem do assunto ou distraírem-se.

Às vezes, quando os esquerdistas estão perdendo uma discussão, eles tentam mudar o assunto. Isso pode ser realmente divertido se você imediatamente derrotá-los no novo tópico também, mas, geralmente, é importante lembrá-los rapidamente de que eles estão fugindo do assunto.
Outra situação frustrante é quando várias pessoas estão contribuindo para a discussão e os esquerdistas distraem-se (ou se fazem de distraídos) com um aspecto periférico mencionado na conversa. “Oh, eu adoro um bom pote de Earl Grey, mas meu marido gosta de Darjeeling[1]”. Você pode trazê-los, gentilmente, de volta ao tópico em pauta ou, se demonstrarem humildade suficiente, você pode escolher deixá-los fugir. Essa tática pode, afinal, significar a tentativa deles de fazer uma saída elegante.

4. Desafie-os a descaracterizar suas declarações

Isso é muito importante. Certifique-se de ler cuidadosamente o que eles estão dizendo, e impeça-os de terem QUALQUER margem para reapresentarem suas posições (Você pode reapresentá-las, se desejar, porque é responsabilidade deles chamarem a sua atenção por isso – e eles quase nunca o farão). Não permita que eles mudem o significado de suas palavras ou façam suposições.
Na postagem sobre as eleições, eu pedi, inúmeras vezes, por um exemplo específico, substantivo, a respeito do que eraassustador nas eleições (depois de o meu oponente ter esgotado todo o “eu não quis dizer que você é uma teabagger”). Reproduzida aqui, em toda a sua glória original, eis a resposta:
“Qual ponto por você levantado na minha resposta gostaria que fosse acompanhado por fundamentação? Você levantou pouquíssimos pontos sobre os quais eu sinta que você se importe em ouvir o outro lado. Você deixou claro que apenas escuta um lado de uma questão, de qualquer forma. Acho que não sabia que estávamos discutindo alguma coisa. Nós estamos? O que nós estamos discutindo? O fato de que o resultado das eleições foram assustadores?”.
Eu sei o que está pensando: esse cara está abrindo a guarda! Às vezes, tem tanta brecha para atacar que não sabemos nem por onde começar. Estupidez absoluta é difícil de ignorar, mas, nesse caso, o ponto óbvio imediato que precisava ser destacado era que ele descaracterizou minhas declarações ao tentar me pintar como desinteressada pela sua opinião – quando, na verdade, eu tinha acabado de pedir a opinião dele. Simplesmente indicar isso foi a melhor resposta.
3. Desafie-os nas mentiras descaradas
Como já descrevi, a declaração original da minha amiga era que ela estava assustada com os resultados das eleições. Os outros amigos dela entraram na conversa demonstrando o quanto estavam horrorizados, e um disse que queria se mudar para o Canadá. (Tudo isso sem uma razão específica – apenas porque as eleições foram “assustadoras”). Logo depois do comentário irracional que dizia “o que estamos discutindo”, mencionado acima, a amiga [que fez a postagem] escreveu este disparate:

“Talvez seja inteligente reler meu post original. Eu nunca mencionei o ‘outro lado’ ou estar com medo de ‘inimigos’. Apenas estar assustada com os resultados das eleições… o que inclui, incidentalmente, o baixo comparecimento às urnas e uma série de outras preocupações que não têm nada a ver com um determinado republicano ou democrata”.

Hahahaha. Essa é muito fácil. Baixo comparecimento às urnas! Isso estava fazendo as pessoas quererem mudar para o Canadá! Desnecessário dizer, eu fui forçada a apontar a desonestidade terrivelmente óbvia da sua declaração.

2. Desafie-os em cada declaração inadequada

Às vezes, como em alguns dos exemplos que citei, existe tanto material para responder que você talvez fique tentado a deixar algumas coisas passarem. Isso, é claro, é um julgamento que depende de quão perto você quer se manter do seu ponto inicial. Mas eu gosto de colocá-los em uma situação constrangedora a cada comentário inadequado proferido.
Outra pessoa, no tópico sobre eleições (aparentemente só tem esquerdistas nessa lista de amigos), postou esta informação útil:
“Toda vez que eu leio sobre pessoas gritando sobre Estado inchado e impostos demasiados, meu marido e eu lembramo-nos imediatamente de que a maioria das pessoas não é muito inteligente. Estou chocada com a ignorância e a falta de profundidade que vejo”.
Por favor, note que, de acordo com a cartilha esquerdista, ela não oferece nenhum argumento a favor da sua opinião, mas, em vez disso, diz que (a) conservadores gritam, (b) ela e seu marido são mais inteligentes que a maioria dessas pessoas e (c) essas pessoas são ignorantes e superficiais.
É importante tirar um momento para apontar isso tudo.

1. Desafie-os a se sentirem “ofendidos”

Depois que apontei uma série de declarações inapropriadas feitas por outro escritor na questão da eleição (ver #2), finalmente chegamos ao ponto nevrálgico da indignação esquerdista – a oportunidade de se fazer de vítima ofendida. Nesse caso, o mimimi cansativo, mas totalmente previsível, veio da escritora original, que ME acusou de insultar os seus amigos. Nesse ponto, muitas vezes é útil fornecer um sumário breve da questão toda… algo como estas linhas:

  1. RB faz uma piada sobre o fato de as eleições serem assustadoras.
  1. PB diz que a situação é terrível e que ele quer se mudar para o Canadá.
  1. Diane pergunta o que é assustador.
  1. PB a chama de teabagger.
  1. Diane sugere que esse não é um argumento eficaz.
  1. PB diz que Diane não pode saber o que ele realmente estava pensando quando a chamou de teabagger.
  1. Diane diz que as palavras têm significado, e pergunta se ele vai responder a sua pergunta.
  1. PB diz que ela só se preocupa com a sua própria opinião.
  1. Diane observa, mais uma vez, que ela acabou de pedir justamente a opinião dele.
  1. RB diz que quando ela afirmou que as eleições eram assustadoras, ela quis dizer que estava com medo do baixo comparecimento às urnas.
  1. Diane ri histericamente.
  1. AC entra na conversa para noticiar que ela e seu marido são mais espertos do que todos os gritadores conservadores estúpidos, ignorantes e superficiais.
  1. Diane suspira e salienta que este também não é um argumento, mas simplesmente um ataque “ad hominem”.
  1. RB acusa Diane de insultar seus amigos, os quais, implícita ou abertamente, declararam que Diane é uma estúpida, ignorante, superficial, escandalosa, teabagger que não vai ouvir o outro lado. Embora eles nunca tenham declarado o lado deles.
Ahhh … Discutir com esquerdistas. Às vezes é como tirar doce de criança. Mas lembrem-se, quase sempre outras pessoas estão à espreita, lendo, e considerando. Fique tranquilo (fácil de dizer, difícil de fazer – eu certamente atingi minha cota de erros nisso) e tente ser a pessoa mais sensata. Os leitores que espreitam serão capazes de ver quem está apresentando pensamentos racionais, e quem está caindo em histerismo. Eu acho que quer dizer alguma coisa o fato de que, nessa discussão que usei como exemplo, alguns dos participantes voltaram no dia seguinte e apagaram todos os seus comentários. Aparentemente, mesmo eles, eventualmente, reconheceram quão tolos soaram. Ponto.
[*] Diane Schrader. “Top 10 ways to school your leftist friends on facebook”. News Real Blog, 7 de Novembro de 2010.
Tradução: Fernanda Ferreira
Revisão: Hugo Silver
Revisão Gramatical: Gleice Queiroz
[1] Earl Grey e Darjeeling são tipos de chá.

O conservadorismo de Jorge Luis Borges


jlb



Seu ódio por Perón e sua ideologia era extremo, mas também era um sentimento conservador – Perón, afinal de contas, foi um socialista esquerdista e amigo de Che Guevara e Salvador Allende.



Como um conservador que ama as artes, muitas vezes tenho momentos frustrantes quando percebo que um escritor, artista ou músico que eu particularmente admiro está fervorosamente comprometido com a esquerda política. É razão para uma pequena celebração pessoal quando descubro um artista realmente importante que expressa publicamente [seu] apoio ou entusiasmo por ideias ou políticas conservadoras. 


O inimitável escritor Jorge Luis Borges foi um desses gênios artísticos conservadores. Embora ele e sua obra tenham alcançado reconhecimento internacional, seu conservadorismo não é tão bem conhecido ou compreendido. Tanto seu trabalho quanto suas inclinações políticas merecem mais atenção e estudo.



A primeira coisa que podemos considerar a respeito das crenças políticas de Borges são as suas posições sobre as mais importantes questões políticas globais de sua época. Em cada uma delas, não seria controverso dizer que ele estava “certo”: ele desprezava Hitler e Franco e outros déspotas europeus que causaram tanto caos e miséria no século XX. Ele não gostava de ideologias totalitárias de qualquer tipo: comunista, fascista ou qualquer outra. 


Ele se opôs ao nazismo, ao antissemitismo e ao racismo de qualquer espécie em termos inequívocos, num momento em que essas ideologias não eram universalmente rejeitadas, nem mesmo entre pessoas inteligentes e educadas. Ele descreveu sua associação ao partido conservador da Argentina como “prova de seu ceticismo”: [um] ceticismo presumivelmente em relação a uma ideologia rígida, esquemas utópicos e promessas de políticos sem princípios. A história do século XX, quando vista retrospectivamente, mostra que esse ceticismo conservador era prudente.


O conservadorismo de Borges foi mais profundo do que essas opiniões sensatas. Um aspecto do seu conservadorismo era sua forte crença no governo limitado e na importância da liberdade individual. Ele escreveu que sua crença era comum aos argentinos, dizendo jocosamente que “o argentino é um indivíduo e não um cidadão”. Ele ainda foi além na explicação de suas crenças:


“Os filmes feitos em Hollywood muitas vezes se sustentam na admiração do caso de um homem… que procura a amizade de um criminoso a fim de entregá-lo à polícia; o argentino, para quem a amizade é uma paixão e a polícia uma máfia, considera este “herói” um porco incompreensível”.


Os conservadores certamente discordarão entre si sobre se o informante descrito é um herói, um porco ou algo entre os dois; independentemente, fica claro que Borges, como muitos conservadores, acreditava na restrição do poder do estado. Ele chegou a dizer que “o problema mais urgente de nossa época… é a gradual interferência do Estado nos atos do indivíduo”, descrevendo “esse mal, cujos nomes são o comunismo e o nazismo”. Talvez, mais importante ainda, ele acreditava que simples experiências humanas, como a amizade, mereciam mais proteção do que os objetivos abstratos do estado – outra ideia essencialmente conservadora.


Outro aspecto do conservadorismo de Borges foi sua afinidade com a tradição e a sabedoria do passado. Ele disse uma vez, sobre uma das primeiras obras de arte, que “neste caso, como em outros, o precursor é infinitamente mais valioso do que os sucessores.” Ele adorava os antigos filósofos gregos e outros autores mortos há muito tempo, e, em seus escritos, ele frequentemente invocava a ideia de que muitas coisas eram universais através do tempo e do espaço, e aquilo que parecia moderno era meramente uma repetição de algo antigo. Ao descrever o papel da Inglaterra na derrota das Potências do Eixo, por exemplo, ele disse que eles tinham “voltado a travar mais uma vez … a batalha cíclica de Waterloo.” 


Em outras palavras, a vitória na Segunda Guerra Mundial não foi um novo evento, mas “apenas” a repetição de mais um triunfo do passado sobre outro ditador louco. Por extrapolação, podemos imaginar que um outro futuro desastre possa criar ainda uma outra Waterloo, continuando o ciclo. Esse prognóstico é profundamente conservador, pois expressa, como é o caso, a imutabilidade do coração humano e sua insistente capacidade de [fazer] loucuras. Ele também expressa a noção conservadora da importância do passado como um auxílio na compreensão e na abordagem do presente.


Embora, ocasionalmente, ele tenha expressado opiniões como essas em seus escritos, Borges não era ativo em políticas locais e, principalmente, manteve distância dos assuntos políticos ao longo de sua vida. No entanto, como o falecido Marshall Berman dizia, ainda que você não esteja interessado em política, a política está interessada em você. Borges teve uma vida atribulada devido a sérios desentendimentos com ninguém menos que Juan Perón, o socialista argentino líder/ditador e marido da famosa Evita. Em 1946, logo após ser eleito, o regime de Perón afastou Borges do seu cargo de bibliotecário e atribuiu-lhe o cargo de “inspetor de frangos”, em uma tentativa de humilhá-lo. Ele também foi “perseguido pela polícia de segurança” durante esse tempo, de acordo com seu biógrafo Gene H. Bell-Villada. 


Quando Perón deixou o cargo quase uma década depois, em 1955, Borges foi homenageado com uma nomeação como diretor da Biblioteca Nacional da Argentina, mas, em uma ironia verdadeiramente trágica, esta nomeação coincidiu com o fato de Borges ficar completamente cego. Borges disse que Deus lhe havia “concedido os livros e a noite de uma só vez”.



Os pequenos insultos e as dificuldades da profissão, que Borges sofreu nas mãos de Perón por tantos anos, estimularam seu ódio ao peronismo e tudo o que ele sentia que aquilo representava: o populismo vulgar, o nacionalismo impensado e a política como um palco para que fingidores corruptos ganhassem o coração dos ingênuos através de lisonjas e subornos. Embora ele quase sempre tenha mantido temas atuais fora de sua ficção, seu conto, “O simulacro”, é explicitamente uma denúncia contra Juan e Eva Perón, e mostra o quanto Borges os odiava. 


Nele [no conto], ele se pergunta que tipo de homem Perón poderia ser: “um fanático? … um homem louco? Um cínico impostor?”, e conclui que Juan e Eva, em suas carreiras políticas, “representaram, pelo amor ingênuo da classe trabalhadora, uma mitologia grosseira e ignóbil”.  Seu ódio por Perón e sua ideologia era extremo, mas também era um sentimento conservador – Perón, afinal de contas, foi um socialista esquerdista e amigo de Che Guevara e Salvador Allende.


Esses detalhes da vida política de Borges são, no entanto, apenas pormenores, e Borges era um homem que se preocupava, acima de tudo, com o universal. Mesmo nas lutas cruciais da Segunda Guerra Mundial, Borges não enxergou os interesses e posições dos países envolvidos como excessivamente importantes: ele dizia que o inglês ou o francês deveriam se considerar sortudos por conta da “perfeita coincidência da causa particular de [seus] países com a causa universal da humanidade”. A causa da humanidade era o que realmente importava para Borges, era o que motivava seu desprezo por Hitler, Franco e Perón sem a atenção indevida quanto às suas políticas particulares. 


Ele escreveu uma vez que o problema da arte ser [ou não] um instrumento político era um pseudoproblema, porque “na arte, nada é mais secundário que as intenções do autor”. Isso certamente se aplica ao seu próprio trabalho: apesar de algumas citações aqui, os escritos de Borges raramente tocam em questões políticas ou biográficas. Eles são de outro mundo, atemporais, belos e austeros. Os escritores de hoje, da direita, da esquerda ou de qualquer outro lugar, fariam bem em igualar-se a Borges, seu humanismo conservador e sua incomparável arte não-ideológica.



[*] Bradford Tuckfield. “The Conservatism of Jorge Luis Borges”. 


The Imaginative Conservative, 31 de Dezembro de 2015.


Tradução: Fernanda Ferreira
Revisão: Felipe Galves Duarte
http://tradutoresdedireita.org