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sábado, 5 de novembro de 2016
9 “verdades” que esta eleição desmente
sexta-feira, 4 de novembro de 2016
Efeito profilático - MERVAL PEREIRA
sexta-feira, novembro 04, 2016
O Globo - 04/11
O que está decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com a efetivação suspensa pelo pedido de vista extemporâneo do ministro Dias Toffoli, é que, uma vez réu, o integrante da linha de substituição tem que ser afastado dessa posição, que o habilita a exercer a Presidência da República. Se o próprio presidente não pode ser réu, muito menos alguém que tenha que substituí-lo eventualmente pode sê-lo.
Isso implica que, se for recebida uma denúncia contra o presidente do Senado, da Câmara ou do STF, esse agente automaticamente deve ser afastado dessa presidência, podendo, porém, permanecer no exercício do cargo de origem (senador, deputado ou ministro do STF). O mérito da medida é impedir que uma pessoa nessas condições exerça a liderança institucional máxima.
Suposta “linha sucessória” não existe, pois há apenas um sucessor legal do presidente brasileiro, que é seu vice, que o substitui em eventualidades, ou sucede a ele em caso de vacância permanente, por doença, morte ou impeachment. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Renan Calheiros, assim como a presidente do STF, Cármen Lúcia, portanto, não fazem parte da linha sucessória, mas substituem o presidente por no máximo 90 dias, para convocar eleições.
Do ponto de vista constitucional, portanto, Michel Temer não tem vice-presidente, assim como Itamar Franco e Sarney não tiveram, mas a Rede, que impetrou a ação que foi julgada ontem pelo plenário do STF, defende que um réu não pode substituir o presidente da República, mesmo em caráter provisório.
Após o STF confirmar o julgamento, Renan perderá automaticamente a presidência do Senado se tiver denúncia contra si recebida, e já há uma aguardando pauta. Ele não pode simplesmente “abrir mão” de assumir a Presidência da República e passar para o próximo, afirma o juiz Márlon Reis. Essa prerrogativa não é dele, mas do cargo. Por isso ele sai do cargo para que o Senado não perca a prerrogativa.
A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) apresentada pela Rede Sustentabilidade foi arquitetada na Faculdade de Direito da Uerj pelos advogados Daniel Sarmento, principal autor da ação no Supremo, e Eduardo Mendonça, que ficou com o escritório de advocacia do hoje ministro do STF Luís Roberto Barroso, que por essa razão declarou-se impedido de participar do julgamento.
O pedido de vista feito por Toffoli, após 5 ministros já terem dado seus votos a favor da tese, teve o efeito prático de ajudar Renan a permanecer na presidência do Senado mais tempo, provavelmente até o fim de seu mandato, em janeiro.
Como o recesso do Judiciário é de 20 de dezembro a 20 de janeiro, dificilmente haverá tempo útil para o caso voltar a julgamento nesse período, mesmo que nele seja julgado, o que é improvável, um dos 11 processos contra ele já liberado por Edson Fachin. Trata-se de decidir se a empreiteira Mendes Junior pagou pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem o parlamentar tem uma filha fora do casamento. O escândalo data de 2007 e provocou a renúncia de Renan da presidência do Senado, para não ser cassado.
A atitude de Toffoli foi tão extemporânea que o ministro Celso de Mello decidiu dar mesmo assim o sexto voto, que formou a maioria do plenário a favor da proibição de que um réu permaneça na linha de substituição do presidente da República.
Anteriormente, Toffoli havia sido derrotado pela maioria na primeira decisão do dia, quando se posicionou contra dar prosseguimento ao julgamento por “perda de objeto”, já que a ação original referia-se ao então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que já saiu da linha de substituição da Presidência.
A suspensão do julgamento sem a formalização da decisão que já está tomada é um favor, voluntário ou não, a Temer, que temia que a saída de Renan da presidência do Senado prejudicasse a votação da PEC do controle de gastos ainda este ano.
O juiz Márlon Reis, conhecido por sua atuação na aprovação da Lei da Ficha Limpa, considera que a Câmara e o Senado não mais elegerão réus, ou potenciais réus, para a sua presidência. “O efeito profilático da medida para o futuro é avassalador”, comemora o juiz, que lançou a tese que foi encampada pela Rede num artigo no GLOBO, a propósito de Eduardo Cunha.
O que está decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), com a efetivação suspensa pelo pedido de vista extemporâneo do ministro Dias Toffoli, é que, uma vez réu, o integrante da linha de substituição tem que ser afastado dessa posição, que o habilita a exercer a Presidência da República. Se o próprio presidente não pode ser réu, muito menos alguém que tenha que substituí-lo eventualmente pode sê-lo.
Isso implica que, se for recebida uma denúncia contra o presidente do Senado, da Câmara ou do STF, esse agente automaticamente deve ser afastado dessa presidência, podendo, porém, permanecer no exercício do cargo de origem (senador, deputado ou ministro do STF). O mérito da medida é impedir que uma pessoa nessas condições exerça a liderança institucional máxima.
Suposta “linha sucessória” não existe, pois há apenas um sucessor legal do presidente brasileiro, que é seu vice, que o substitui em eventualidades, ou sucede a ele em caso de vacância permanente, por doença, morte ou impeachment. Os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Renan Calheiros, assim como a presidente do STF, Cármen Lúcia, portanto, não fazem parte da linha sucessória, mas substituem o presidente por no máximo 90 dias, para convocar eleições.
Do ponto de vista constitucional, portanto, Michel Temer não tem vice-presidente, assim como Itamar Franco e Sarney não tiveram, mas a Rede, que impetrou a ação que foi julgada ontem pelo plenário do STF, defende que um réu não pode substituir o presidente da República, mesmo em caráter provisório.
Após o STF confirmar o julgamento, Renan perderá automaticamente a presidência do Senado se tiver denúncia contra si recebida, e já há uma aguardando pauta. Ele não pode simplesmente “abrir mão” de assumir a Presidência da República e passar para o próximo, afirma o juiz Márlon Reis. Essa prerrogativa não é dele, mas do cargo. Por isso ele sai do cargo para que o Senado não perca a prerrogativa.
A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) apresentada pela Rede Sustentabilidade foi arquitetada na Faculdade de Direito da Uerj pelos advogados Daniel Sarmento, principal autor da ação no Supremo, e Eduardo Mendonça, que ficou com o escritório de advocacia do hoje ministro do STF Luís Roberto Barroso, que por essa razão declarou-se impedido de participar do julgamento.
O pedido de vista feito por Toffoli, após 5 ministros já terem dado seus votos a favor da tese, teve o efeito prático de ajudar Renan a permanecer na presidência do Senado mais tempo, provavelmente até o fim de seu mandato, em janeiro.
Como o recesso do Judiciário é de 20 de dezembro a 20 de janeiro, dificilmente haverá tempo útil para o caso voltar a julgamento nesse período, mesmo que nele seja julgado, o que é improvável, um dos 11 processos contra ele já liberado por Edson Fachin. Trata-se de decidir se a empreiteira Mendes Junior pagou pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem o parlamentar tem uma filha fora do casamento. O escândalo data de 2007 e provocou a renúncia de Renan da presidência do Senado, para não ser cassado.
A atitude de Toffoli foi tão extemporânea que o ministro Celso de Mello decidiu dar mesmo assim o sexto voto, que formou a maioria do plenário a favor da proibição de que um réu permaneça na linha de substituição do presidente da República.
Anteriormente, Toffoli havia sido derrotado pela maioria na primeira decisão do dia, quando se posicionou contra dar prosseguimento ao julgamento por “perda de objeto”, já que a ação original referia-se ao então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, que já saiu da linha de substituição da Presidência.
A suspensão do julgamento sem a formalização da decisão que já está tomada é um favor, voluntário ou não, a Temer, que temia que a saída de Renan da presidência do Senado prejudicasse a votação da PEC do controle de gastos ainda este ano.
O juiz Márlon Reis, conhecido por sua atuação na aprovação da Lei da Ficha Limpa, considera que a Câmara e o Senado não mais elegerão réus, ou potenciais réus, para a sua presidência. “O efeito profilático da medida para o futuro é avassalador”, comemora o juiz, que lançou a tese que foi encampada pela Rede num artigo no GLOBO, a propósito de Eduardo Cunha.
A lei para quase todos - FERNANDO GABEIRA
sexta-feira, novembro 04, 2016
ESTADÃO - 04/11
Por que parlamentares se apegam tanto ao foro especial e desqualificam os outros magistrados?
Foro privilegiado, ou foro por prerrogativa de função? Cláusula de barreira ou cláusula de performance? As palavras, principalmente em política, costumam expressar posições bem definidas.
O que chamamos foro privilegiado nem sempre foi visto assim. No passado era pior. As pessoas tinham direitos a partir de sua origem, de sua classe social, algo que as acompanhava até à morte. Nesse sentido, ao limitar o foro especial ao exercício de uma função, houve um avanço indiscutível. Perdido o cargo, retorna-se ao destino comum.
Deputados e senadores só podem ser processados pelo Supremo Tribunal. Em princípio, não é uma coisa boa se você fez algo errado. Os juízes do Supremo são mais competentes e, portanto, mais capazes de desarmar todas as tramas da defesa. Além disso, ao ser condenado pelo Supremo, não há para onde correr, não há chances de recursos a uma instância superior, como na vida aqui embaixo, onde os condenados se veem às voltas com juízes de primeira instância.
Por que os parlamentares se apegam tanto ao foro especial? Por que desqualificam os outros juízes, considerados por Renan Calheiros juizecos de primeira instância? Por que preferem o que deveriam temer?
A resposta está no tempo, isso que nem sempre sabemos definir, mas sabemos muito bem o que é. Os processos no Supremo levam anos para ser julgados, o tempo corre a favor dos acusados.
Segundo os últimos números, cerca de 224 parlamentares são objeto de investigação ou ações no Supremo. De 1988 para cá, 500 foram investigados e apenas 16, condenados.
Os números atuais são um recorde. Alguns parlamentares respondem a mais de um processo. Há os recordistas, como o senador Lindberg Farias (PT-RJ)ou o ex-deputado Paulo Cesar Quartiero, hoje vice governador (de Roraima), com 13 inquéritos cada um.
Nada tenho pessoalmente contra Quartiero. Desenvolvi mesmo uma visão crítica sobre a delimitação da área indígena Raposa-Serra do Sol. Mas andei por lá em algumas ocasiões, inclusive num momento em que Quartiero destruiu suas instalações de beneficiamento do arroz que produzia, revoltado com a perda de suas terras.
Como fiz algumas fotos, a Justiça me chamou para depor. Fui lá, no dia e hora e marcados, e contei o que vi. E disse que tinha as fotos. Por precaução salvei algumas e as mantive na mesa do computador.
Nunca mais fui chamado. De vez em quando, olhava as fotos e pensava comigo mesmo: vou mantê-las aí, pode ser que se interessem, que queiram ao voltar ao tema. Com o tempo retirei-as da minha vista. Nunca mais soube de nada a respeito desse assunto e, na verdade, perdi o interesse.
Claro que quero voltar a Uiramutã e pernoitar numa pensão de R$ 20 por noite, rever todas as belezas daquela região de Roraima, na fronteira com a Venezuela e a Guiana. Mas o destino da Raposa-Serra do Sol, tão discutido no passado, não é mais pauta de reportagem. Teria de fazer uma grande ginástica narrativa para que as pessoas se interessassem pelo que, de fato, aconteceu depois da delimitação da área indígena.
Tudo o que é sólido se desmancha no ar. A frase de Marx, adaptada por Marshall Berman para o continente americano, tem plena validade para o Brasil. Estou falando de um dos 500 casos que, por coincidência, se entrelaçaram com a minha trajetória pessoal.
Um dos inquéritos mais antigos de Renan Calheiros é o que envolvia sua amante mantida por empreiteira. O caso revelou uma riqueza pessoal insuspeitada e também se dissolveu no ar. Todas as etapas foram cumpridas no tempo. Acabou em pizza, o que em termos amorosos quer dizer: em poses para uma revista masculina.
A passagem do foro privilegiado para o comum não significa necessariamente uma solução perfeita para o problema. Lembro-me de que o deputado Bonifácio de Andrada muitas vezes enfatizou, em conversas sobre o tema, como é perigoso ser perseguido por um juiz no interior, sobretudo no momento eleitoral, em que as paixões políticas se acendem.
Atualmente, fala-se numa espécie de Corte dedicada exclusivamente aos parlamentares e outros detentores de foro especial. Não me parece a melhor saída. No entanto, a pior de todas é continuar empurrando com a barriga, enquanto os processos dormem no Supremo.
Aquele célebre momento em que Dilma nomeou Lula para protegê-lo de Sergio Moro deveria ser um ponto de inflexão. Na verdade, o mensageiro acabou ofuscando nossa memória da mensagem. Quem não se lembra do Bessias? Depois que Dilma caiu, todos queriam saber do Bessias, por onde andava, se estava recebendo seu salário, que futuro teria o Bessias num país sem Dilma na Presidência... Se, de repente, começarmos a chamá-lo de Messias, sua mensagem pode ter um significado mais amplo. Seu tropeço anunciaria um novo tempo, sem truques e artimanhas.
Ex-governantes sofrem crueldades, assim como repórteres investigativos. Uma delas é a dispersão de processos, o que os obriga a correr de um lado para o outro, tornando-os escravos de uma defesa de Sísifo: mal se explica aqui e já é preciso sair correndo para se explicar a alguns quilômetros de distância.
Com todas essas pedras no caminho, é preciso buscar uma saída. Dizem que uma das conquistas da Lava Jato foi demonstrar que a lei vale para todos. Mas vale mesmo?
A cadeia de Curitiba está cheia de gente sem mandato. Quem tem mandato tem polícia particular, com sofisticadas malas para desmontar grampos, assessorar bandidos no Maranhão. E ministros no Supremo para, com a rapidez de um relâmpago, livrá-lo das complicações. Mexam com os jagunços de terno preto e gravata e não faltará uma sumidade jurídica para nos esfregar a Constituição na cara.
A lei vale para todos? Felizmente, ainda não estão prendendo quem responde a essa frase com uma gargalhada.
*Jornalista
Por que parlamentares se apegam tanto ao foro especial e desqualificam os outros magistrados?
Foro privilegiado, ou foro por prerrogativa de função? Cláusula de barreira ou cláusula de performance? As palavras, principalmente em política, costumam expressar posições bem definidas.
O que chamamos foro privilegiado nem sempre foi visto assim. No passado era pior. As pessoas tinham direitos a partir de sua origem, de sua classe social, algo que as acompanhava até à morte. Nesse sentido, ao limitar o foro especial ao exercício de uma função, houve um avanço indiscutível. Perdido o cargo, retorna-se ao destino comum.
Deputados e senadores só podem ser processados pelo Supremo Tribunal. Em princípio, não é uma coisa boa se você fez algo errado. Os juízes do Supremo são mais competentes e, portanto, mais capazes de desarmar todas as tramas da defesa. Além disso, ao ser condenado pelo Supremo, não há para onde correr, não há chances de recursos a uma instância superior, como na vida aqui embaixo, onde os condenados se veem às voltas com juízes de primeira instância.
Por que os parlamentares se apegam tanto ao foro especial? Por que desqualificam os outros juízes, considerados por Renan Calheiros juizecos de primeira instância? Por que preferem o que deveriam temer?
A resposta está no tempo, isso que nem sempre sabemos definir, mas sabemos muito bem o que é. Os processos no Supremo levam anos para ser julgados, o tempo corre a favor dos acusados.
Segundo os últimos números, cerca de 224 parlamentares são objeto de investigação ou ações no Supremo. De 1988 para cá, 500 foram investigados e apenas 16, condenados.
Os números atuais são um recorde. Alguns parlamentares respondem a mais de um processo. Há os recordistas, como o senador Lindberg Farias (PT-RJ)ou o ex-deputado Paulo Cesar Quartiero, hoje vice governador (de Roraima), com 13 inquéritos cada um.
Nada tenho pessoalmente contra Quartiero. Desenvolvi mesmo uma visão crítica sobre a delimitação da área indígena Raposa-Serra do Sol. Mas andei por lá em algumas ocasiões, inclusive num momento em que Quartiero destruiu suas instalações de beneficiamento do arroz que produzia, revoltado com a perda de suas terras.
Como fiz algumas fotos, a Justiça me chamou para depor. Fui lá, no dia e hora e marcados, e contei o que vi. E disse que tinha as fotos. Por precaução salvei algumas e as mantive na mesa do computador.
Nunca mais fui chamado. De vez em quando, olhava as fotos e pensava comigo mesmo: vou mantê-las aí, pode ser que se interessem, que queiram ao voltar ao tema. Com o tempo retirei-as da minha vista. Nunca mais soube de nada a respeito desse assunto e, na verdade, perdi o interesse.
Claro que quero voltar a Uiramutã e pernoitar numa pensão de R$ 20 por noite, rever todas as belezas daquela região de Roraima, na fronteira com a Venezuela e a Guiana. Mas o destino da Raposa-Serra do Sol, tão discutido no passado, não é mais pauta de reportagem. Teria de fazer uma grande ginástica narrativa para que as pessoas se interessassem pelo que, de fato, aconteceu depois da delimitação da área indígena.
Tudo o que é sólido se desmancha no ar. A frase de Marx, adaptada por Marshall Berman para o continente americano, tem plena validade para o Brasil. Estou falando de um dos 500 casos que, por coincidência, se entrelaçaram com a minha trajetória pessoal.
Um dos inquéritos mais antigos de Renan Calheiros é o que envolvia sua amante mantida por empreiteira. O caso revelou uma riqueza pessoal insuspeitada e também se dissolveu no ar. Todas as etapas foram cumpridas no tempo. Acabou em pizza, o que em termos amorosos quer dizer: em poses para uma revista masculina.
A passagem do foro privilegiado para o comum não significa necessariamente uma solução perfeita para o problema. Lembro-me de que o deputado Bonifácio de Andrada muitas vezes enfatizou, em conversas sobre o tema, como é perigoso ser perseguido por um juiz no interior, sobretudo no momento eleitoral, em que as paixões políticas se acendem.
Atualmente, fala-se numa espécie de Corte dedicada exclusivamente aos parlamentares e outros detentores de foro especial. Não me parece a melhor saída. No entanto, a pior de todas é continuar empurrando com a barriga, enquanto os processos dormem no Supremo.
Aquele célebre momento em que Dilma nomeou Lula para protegê-lo de Sergio Moro deveria ser um ponto de inflexão. Na verdade, o mensageiro acabou ofuscando nossa memória da mensagem. Quem não se lembra do Bessias? Depois que Dilma caiu, todos queriam saber do Bessias, por onde andava, se estava recebendo seu salário, que futuro teria o Bessias num país sem Dilma na Presidência... Se, de repente, começarmos a chamá-lo de Messias, sua mensagem pode ter um significado mais amplo. Seu tropeço anunciaria um novo tempo, sem truques e artimanhas.
Ex-governantes sofrem crueldades, assim como repórteres investigativos. Uma delas é a dispersão de processos, o que os obriga a correr de um lado para o outro, tornando-os escravos de uma defesa de Sísifo: mal se explica aqui e já é preciso sair correndo para se explicar a alguns quilômetros de distância.
Com todas essas pedras no caminho, é preciso buscar uma saída. Dizem que uma das conquistas da Lava Jato foi demonstrar que a lei vale para todos. Mas vale mesmo?
A cadeia de Curitiba está cheia de gente sem mandato. Quem tem mandato tem polícia particular, com sofisticadas malas para desmontar grampos, assessorar bandidos no Maranhão. E ministros no Supremo para, com a rapidez de um relâmpago, livrá-lo das complicações. Mexam com os jagunços de terno preto e gravata e não faltará uma sumidade jurídica para nos esfregar a Constituição na cara.
A lei vale para todos? Felizmente, ainda não estão prendendo quem responde a essa frase com uma gargalhada.
*Jornalista
Perguntas difíceis não são bem-vindas nas escolas ocupadas - EDUARDO CUCOLO
sexta-feira, novembro 04, 2016
FOLHA DE SP - 04/11
BRASÍLIA - O movimento de invasão a escolas visto em várias partes do país já conseguiu atrapalhar a vida de muitos estudantes. Mas ainda não produziu alternativas às propostas que, segundo dizem, motivaram essas "ocupações".
Contribui para isso a subserviência de grande parte dos participantes a partidos e movimentos de esquerda, além do apego a ideologias.
Se fossem apartidários, não viriam a Brasília tirar fotos e confraternizar com parlamentares da oposição. Sem se importar que alguns deles sejam investigados na Lava Jato.
O controle de movimentos estudantis por partidos, aliás, não é algo novo e explica 13 anos de silêncio diante dos dois últimos governos.
Superar a doutrinação ideológica no ambiente secundarista também não é fácil. É nítida a dificuldade de apresentar a estudantes uma visão mais liberal do mundo. E propostas como a "Escola sem Partido" acabam por fomentar mais desconfianças do que discussões.
Não parece haver estudante que não defenda um currículo mais flexível. Ao mesmo tempo, surpreende o discurso de muitos para que nada deixe de ser obrigatório.
Propostas de reforma do ensino adormecem nas gavetas da Câmara. A edição de uma medida provisória, que tem prazo para ser votada e transformada em lei, no entanto, é vista como uma tentativa de acelerar debates para evitar discussões.
É possível que o Executivo recue e enterre a reforma. Afinal, é um governo com receio de se impor em temas que não sejam a PEC do teto de gastos. Com isso, fica tudo como está.
Nesse ponto, aliás, os estudantes são mais um grupo que iniciou a guerra pelos recursos mais escassos desse novo Orçamento.
O Brasil investe pouco em educação. Mas gasta muito com benefícios previdenciários e funcionalismo.
Haverá ocupação de escolas em defesa da reforma da Previdência?
Nas escolas ocupadas, perguntas difíceis não parecem ser bem-vindas.
BRASÍLIA - O movimento de invasão a escolas visto em várias partes do país já conseguiu atrapalhar a vida de muitos estudantes. Mas ainda não produziu alternativas às propostas que, segundo dizem, motivaram essas "ocupações".
Contribui para isso a subserviência de grande parte dos participantes a partidos e movimentos de esquerda, além do apego a ideologias.
Se fossem apartidários, não viriam a Brasília tirar fotos e confraternizar com parlamentares da oposição. Sem se importar que alguns deles sejam investigados na Lava Jato.
O controle de movimentos estudantis por partidos, aliás, não é algo novo e explica 13 anos de silêncio diante dos dois últimos governos.
Superar a doutrinação ideológica no ambiente secundarista também não é fácil. É nítida a dificuldade de apresentar a estudantes uma visão mais liberal do mundo. E propostas como a "Escola sem Partido" acabam por fomentar mais desconfianças do que discussões.
Não parece haver estudante que não defenda um currículo mais flexível. Ao mesmo tempo, surpreende o discurso de muitos para que nada deixe de ser obrigatório.
Propostas de reforma do ensino adormecem nas gavetas da Câmara. A edição de uma medida provisória, que tem prazo para ser votada e transformada em lei, no entanto, é vista como uma tentativa de acelerar debates para evitar discussões.
É possível que o Executivo recue e enterre a reforma. Afinal, é um governo com receio de se impor em temas que não sejam a PEC do teto de gastos. Com isso, fica tudo como está.
Nesse ponto, aliás, os estudantes são mais um grupo que iniciou a guerra pelos recursos mais escassos desse novo Orçamento.
O Brasil investe pouco em educação. Mas gasta muito com benefícios previdenciários e funcionalismo.
Haverá ocupação de escolas em defesa da reforma da Previdência?
Nas escolas ocupadas, perguntas difíceis não parecem ser bem-vindas.
quinta-feira, 3 de novembro de 2016
FAZENDO SEXO COM A TERRA: CHEGOU A VEZ DOS ECOSEXUAIS?
Rodrigo Constantino
3 de novembro de 2016
A insanidade está sem freio! Eu já escrevi aqui sobre as bizarrices do carnivorismo, que acredita que o consumo de carne tem relação com o machismo. Já escrevi sobre o capacitismo, que vê preconceito até mesmo no ato de ajudar um deficiente físico. Agora escrevo sobre os ecosexuais. Parece piada, mas conforme apontam os seguidores dessa prática, existem cerca de 100.000 pessoas no mundo que se identificam abertamente como ecosexuais. Mas o que seria isso?
De acordo com o site Vice, que publicou uma matéria sobre o assunto intitulada Ecosexuals Believe Having Sex with the Earth Could Save It [Ecosexuais acreditam que fazer sexo com a Terra poderia salvá-la], para os adeptos desta prática ou “identidade” como dizem, seria possível fazer sexo com a Terra.
Isso inclusive já é objeto de estudo nas universidades dos Estados Unidos. Segundo o site, que entrevistou Jennifer Reed, estudante de sociologia pela Universidade de Nevada, em Las Vegas e que está escrevendo uma dissertação sobre a ecosexualidade, o número de pessoas que se identificam como ecosexuais tem crescido nos últimos dois anos. Além disso, o mesmo site informa que os dados de pesquisa do Google confirmam isso ao mostrarem que as buscas pelo termo aumentaram muito. Eu mesmo fiz buscas em inglês e português e confirmei: existe muito material sobre o assunto.
Não duvido que logo nossas universidades estejam elaborando workshops para a divulgação da prática e que doutores orientem pesquisas sobre o tema – tudo com dinheiro público, claro. O resultado? Aecosexualidade será concebida como normal, apenas como mais uma identidade sexual dentre as dezenas que já foram criadas pelos delírios da esquerda. Quem for contra, evidente, será identificado como preconceituoso.
Mas fica a pergunta: se eles podem se relacionar sexualmente com a Terra, como chegarão ao orgasmo? Uma defensora da causa responde. Amanda Morgan, que é membro da UNLV School of Community Health Sciences, diz que as pessoas rolam na sujeira tendo um orgasmo coberto de potting soil, que é aquela terra utilizada em vasos. Morgan também afirma que “existem pessoas que fazem sexo com árvores ou se masturbam sob uma cascata.” Mas quem garante que a árvore está disposta a fazer sexo com o ecosexual? Isso não seria estupro? Ridículo, tudo muito ridículo, eu sei!
Duas grandes representantes do movimento ecosexual, que inclusive escreveram o Manifesto Ecosexual, é o casal Annie Sprinkle e Elizabeth Stephens. Elas chegaram a produzir um documentário demonstrando a relação amorosa delas com os Montes Apalaches. Isso é ou não é loucura? Sinto ter que trazer tais bizarrices para você, leitor. Preferiria que isso tudo fosse piada, mas não é.
Além de relatar a relação do casal com os Montes Apalaches (Risadas!), enquanto viajam pelo país para exibir sua peça Dirty Sexecology: 25 Ways to Make Love to the Earth [Sexologia Suja: 25 Maneiras de Fazer Amor com a Terra], elas também oficializam cerimônias de casamentos onde elas mesmas e outros adeptos da ecosexualidade casam com a Terra, com a Lua e com outras entidades naturais! Juro que não estou brincando com você!
Elas também dizem que a ecosexualidade é uma nova forma de identidade sexual e que na última San Francisco Pride Parade, que é a Parada Gay de São Francisco, estavam lutando para acrescentar a letra “E”, de ecosexual, na sigla LGBTQI. É realmente muita falta do que fazer. Como costuma dizer Luiz Felipe Pondé, se acabasse o conforto do mundo contemporâneo, todas essas idiotices desapareceriam em poucos dias e essa gente teria que voltar para o mundo real.
Se o tema não foi estúpido o suficiente até agora, vale salientar a paranoia da escritora Stefanie Iris Weiss, que publicou o livro Eco-sex: Go Green Between the Sheets and Make Your Love Life Sustainable com a intenção de “ajudar as pessoas a fazerem suas vidas sexuais ‘mais neutras em carbono e sustentáveis’, e para nos ajudar a evitar a poluição dos nossos corpos quando temos relações sexuais.” Assim ela pretende combater o impacto ambiental causado pelo uso de materiais utilizados na fabricação de preservativos, lubrificantes e outros produtos. Não sei mais o que dizer. Fico pensando até onde esse pessoal vai chegar com tantas ideias estúpidas e que geralmente se convertem em seitas.

As militantes Annie Sprinkle e Elizabeth Stephens em sua perfomance.
Amanda Morgan e Stefanie Weiss dizem que veem o sexo como uma ferramenta potencialmente forte para motivar as pessoas a tornarem o meio ambiente uma prioridade. A militância não se satisfez berrando slogans sobre o tal do aquecimento global. A loucura ambientalista não se contentou com os discursos inflamados contra o consumo de carne e a poluição dos rios. Elizabeth Stephens diz que seu objetivo é reconceitualizar a forma com que nós vemos a Terra, ou seja, ela afirma que devemos parar de ver o planeta como uma mãe para vê-lo como um amante. O que Freud diria disso?
Ambientalismo, relativismo, objetivo de salvar a sociedade, o mundo, sexualidade inventada com fundamentações delirantes. Tudo isso é fruto do mesmo marxismo cultural. Compreendo que a sexualidade seja complexa e não possa ser colocada numa caixinha como querem alguns moralistas, masecosexualidade é sair do mundo real para visitar a terra da loucura.
Se o século XX é visto como o século das ditaduras, o século XXI será visto como o século no qual a estupidez humana atingiu seu apogeu!
É sério que alguém que não perdeu a razão possa ter prazer sexual rolando no barro ou fazendo sexo com uma árvore? Pergunto: eles dizem fazer sexo com a Terra. Mas a Terra consentiu? Como ter certeza? Será que não seria interessante tentar compreender também o prazer sexual que as árvores ou a Terra sentem? Onde seria o “ponto G” da árvore? Logo nascerá um movimento ambientalista dizendo que a Terra e as árvores estão sendo estupradas e acabarão entrando em conflito com os ecosexuais, o que é bem comum desse tipo de seita.
Mas é melhor parar por aqui antes que algum ecosexual me chame de ecosexofóbico!
Haja paciência para tanto absurdo!
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
A igualdade é difícil - ROBERTO DAMATTA
quarta-feira, novembro 02, 2016
O GLOBO - 02/11
Temos uma aguda consciência das diferenças e dos abismos que separam e distinguem indivíduos e coletividades. Não há mais nenhum lugar inocente e sem sofrimento
Uma fábrica é uma máquina de igualdade. Seu objetivo é produzir coisas iguais, e sua reputação tem a ver com a capacidade de produzir perfeitamente o mesmo do mesmo. O problema é que, começando com o seu proprietário, a igualdade da produção em massa promove, em outros níveis, uma brutal desigualdade.
Por outro lado, é impossível não constatar a impossibilidade de produzir objetos idênticos em sociedades não industriais. Quando eu vivi com os índios apinayé, surpreendia-me o fato de todos saberem quem eram os autores dos objetos — cestas, esteiras, arcos, bordunas, flechas ou enfeites — que eu havia adquirido para o museu onde trabalhava.
O igual é o modelo do fabricado. Todos seriam iguais perante a lei e igualmente iguais perante certos bens e serviços oferecidos pelo Estado ou adquiridos por meio do dinheiro, cujo valor é — vale falar no óbvio — igual para todos. Mas não se pode esquecer do “perante”. É a lei que é igual para os diferentes entre si.
Numa sociedade cujo ideal é a igualdade, as desigualdades seriam lidas como anomalias, perversões e hóspedes não convidados. Mas nem nas sociedades tribais fundadas na família, com tecnologia produzida por seus próprios membros, existe uma igualdade concreta. Há desigualdades, mas elas são transformadas em particularidades e pertencimentos. Cada grupo interno — metades, associações, linhagens — diferencia produzindo interdependências sem as quais o sistema ficaria abalado.
Ademais, entre os apinayé os demiurgos Sol e Lua, inventaram a Humanidade atirando cabaças nas águas de um ribeirão. As cabaças afundavam e, quando voltavam à tona, estouravam, e delas saíam pessoas. Sol produziu gente sadia e bonita. Mas Lua interferiu e começou a dizer baixinho: feio, cego, surdo e assim surgiram as diferenças. Quando Sol interpelou Lua, ele replicou que um mundo sem diferenças não ia dar certo.
Eis uma concepção na qual a descontinuidade não é fruto da desobediência da criatura, mas é instituída pelos criadores. Acrescento, contudo, que antes do contato com o “civilizado”, as diferenças materiais entre os membros desta coletividade eram mínimas e que a dinâmica que os une e desune é a da filiação e da afinidade, debaixo de uma ética de reciprocidade.
No nosso caso, a questão é outra. Como diz Lévi-Strauss, nós vivemos num mundo incapaz de fidelidade a si mesmo. O vir-a-ser é o tema dominante da nossa cosmologia fundada no individualismo, no progresso e, consequentemente, num futuro no qual tudo vai (ou deveria) se resolver. Temos uma aguda consciência das diferenças e dos abismos que separam e distinguem indivíduos e coletividades. Não há mais nenhum lugar inocente e sem sofrimento. Vivemos o fim das Shangri-Lás, e ninguém sabe mais quem foi James Hilton.
A novidade de um mundo globalizado é a descoberta de que nenhuma sociedade é perfeita ou mais adiantada. A globalização obriga a rever utopias. As musas da modernidade — liberdade, fraternidade e igualdade — são complicadas na prática. Muita igualdade liquida a liberdade. Muita liberdade dramatiza os limites das diferenças e racionaliza a exploração humana. Se o planeta é de todos, como aceitar que alguns países tenham o poder de tudo destruir?
No Brasil, o problema é como acabar de vez com o “Você sabe com quem está falando?”, esse brasileirismo inventado como último recurso hierárquico e escravista contra a igualdade republicana que obriga a entrar na fila, ser parado por um guardinha qualquer, ser compelido a responsabilidade quando se ocupa um cargo público e — eis o escândalo dos escândalos — ser enjaulado por um crime porque a lei vale mesmo para todos, e a igualdade perante e lei acaba com os privilégios. Antes de sermos presidentes, ministros, juízes, senadores e donos de grandes empresas, somos todos cidadãos. Mas como lidar com a contradição que transforma um eleito pelo povo com o nosso dinheiro numa superpessoa acima da lei? Ontem ele pedia votos, hoje — eleito por meio de um fundo partidário! — ele acha legítimo assaltar os cofres públicos.
É desprezível essa batalha judicial (mistificada como política) para manter privilégios. Estou convencido de que o discurso quase sempre vazio que enquadra as pessoas no velho dualismo de direita e esquerda dissimula muito mal o cerne da questão: somos uma sociedade dividida entre aristocratas (ancorados no Estado) e babacas — as pessoas comuns. Os que conhecem os limites dos seus papéis sociais e, com o seu trabalho, sustentam um palacianismo kafkiano de direita e de esquerda, duro de eliminar. Somos os últimos escravos...
Roberto DaMatta é antropólogo
Meirelles jura que não aumentará impostos
Posted: 01 Nov 2016 02:25 AM PDT
Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net
Até
ontem, R$ 50 bilhões retornaram ao Brasil com a Lei de Repatriação de
recursos enviados ilegal ou indevidamente ao exterior. A tributarista
Velhinha de Taubaté acredita que a maior parte da grana que voltou não
foi obtida e exportada de forma ilícita. Na visão dela, isto é coisa de
intrigueiros, já que nenhum dinheiro sairia ilegalmente do Brasil sem
que a rigorosa fiscalização da Super Receita Federal pudesse perceber.
Agora,
a Velhinha de Taubaté comemora que os bilhões retornam esquentadinhos
oficialmente, para socorrer o caixa do tesouro com as multas e para o
tsunami de investimentos (sobretudo na construção civil) previsto pelo
governo do PMDB – que é uma continuidade cínica, que tenta ser menos
piorada, da catastrófica gestão da petelândia. A hipercrédula idosa
acredita, fervorosamente, que tudo vai melhorar rapidamente na economia
brasileira.
A
Velhinha de Taubaté também confessou que entrou em orgasmo ouvindo a
Voz do Brasil de ontem. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles,
avisou que não haverá aumento de impostos porque o governo evitará o
crescimento de despesas com a PEC do Teto de Gastos. Meirelles só faltou
prestar juramento para negar o aumento da carga tributária: "Só seria
necessário se as despesas continuassem a crescer descontroladamente. No
momento em que o governo corta na carne, elimina a necessidade de
aumentar impostos".
Nem
precisa criar mais que os 92 impostos, taxas e contribuições em vigor.
Por que Meirelles não fala em reduzir o número de impostos? O que o
governo já está fazendo – e os empresários estão sentindo na pele – é
aumentar o apetite da furiosa máquina de arrecadação. As variadas
gestapos fiscais, na União, Estados e municípios, vai aumentar o aperto a
quem tenta o milagre de produzir e gerar empregos. A previsão é que
mais empresas sejam forçadas a pedir Recuperação Judicial, gerando um
clima negativo com a oficialização de calotes e quebra de compromissos. A
situação degrada, mas o governo vende a idéia contrária...
Ontem, simbolicamente, ficou claro que as coisas não mudam no Brasil, porém se reformam. Marketeiros de Michel Temer mudaram o formato da velha Voz do Brasil. Criaram até uma versão mais moderna da ópera “o Guarani”, de Carlos Gomes. No entanto, voltaram com o velho bordão que consagrou o programa: “Em Brasília, 19 horas”. Só faltou ressuscitar a voz do falecido Alberto Cury – que ficou estigmatizado pela leitura do Ato Institucional número 5, em 13 de Dezembro de 1968...
A Voz do Brasil é tão ou mais velha que a Velhinha de Taubaté. O anacronismo radiofônico, que suja a programação das emissoras com o oficialismo noticioso, está há 81 anos no ar. Entrou para o Guiness Book of the Records em 1995 como o mais antigo programa do Hemisfério Sul - no ar desde 1935 (herança da Era Getúlio Vargas).
Agora, só falta ao governo Temer ouvir, de verdade, a voz dos brasileiros que desejam mudanças estruturais efetivas – e não reforminhas na base dos efeitos especiais. No entanto, no ritmo de crescente hegemonia do PMDB, apesar de uma resistente impopularidade, não é previsível que algo mude de verdade – a não ser que as delações premiadas da Odebrecht, na Lava Jato, consigam atingir a prometida centena de políticos corruptos.
A Velhinha de Taubaté acredita que tudo vai melhorar. Viúva de $talinácio, a famosa idosa só não pede o Temer em casamento para não magoar a a bela Marcela...
Taxiando para Curitiba?
Desastro
Jura?
Sem perdão
Queda libertina
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