terça-feira, 6 de novembro de 2018

Evangélicos pedem educação sem “ideologia esquerdista” em novo governo

Evangélicos pedem educação sem “ideologia esquerdista” em novo governo

"Escola sem Partido" já era defendido por Bolsonaro enquanto deputado


ENEM - Beijo de avó lésbica
ENEM – Beijo de avó lésbica. (Foto: Reprodução / Facebook)
Prestes a ser votado na Câmara dos Deputados, o projeto de lei da “Escola Sem Partido”  — que visa coibir a doutrinação ideológica — tornou-se um dos principais focos da base aliada do  presidente eleito Jair Bolsonaro no Congresso.
Lideranças evangélicas que o apoiaram na eleição acreditam ser fundamental a nomeação de um futuro ministro da Educação disposto a romper com a linha ideológica que se instalou na pasta durante os governos do PT.

“É um vexame ver o que cai na prova do Enem”, avalia Bolsonaro

“É um vexame ver o que cai na prova do Enem”, avalia Bolsonaro

Presidente eleito não vê problemas em professores serem gravados nas salas de aula


Jair Bolsonaro e Datena
Jair Bolsonaro e Datena. (Foto: Reprodução / Facebook)
Na tarde desta segunda-feira (5), ao programa “Brasil Urgente” da TV Band, o presidente eleito Jair Bolsonaro comentou a “doutrinação exacerbada” nas escolas do país, chamando atenção para a polêmica das questões do Enem 2018.
O futuro mandatário disse a José Luiz Datana que “é um vexame ver o que cai na prova do Enem” e defende que seja cobrado em futuras edições do processo seletivo material “que tenham a ver com a cultura do Brasil”.

ENEM: de “dialeto de travesti” a beijo lésbico de avó

https://www.youtube.com/watch?v=d-Yw7ILD6Kk

Prova do Enem deste ano!!!

ENEM: de “dialeto de travesti” a beijo lésbico de avó

Ativismo gay e ideologia de gênero em exame geram revolta em estudantes


ENEM 2018
ENEM 2018. (Foto: Ananda Migliano/Ofotográfico/Folhapress)
Assim como aconteceu em outros anos, a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve fortes tons ideológicos, com questões abordando temas relacionados com ideologia de gênero. As imagens da prova de Linguagem, realizada neste domingo (4), se multiplicaram nas redes sociais, quase sempre acompanhadas de críticas aos temas.
O país vive um outro momento, após a eleição de Jair Bolsonaro. Segundo o analista político conservador Alexandre Borges, “Se o Enem fosse um mês antes, Bolsonaro levava no primeiro turno”.


Folha de S. Paulo – Brasil está entre os países que menos punem assassinatos de jornalistas, diz entidade

Folha de S. Paulo – Brasil está entre os países que menos punem assassinatos de jornalistas, diz entidade


São Paulo

O Brasil está entre os países que menos punem crimes contra jornalistas, segundo um levantamento do Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ).

Realizado pela organização com sede em Nova York, o Índice de Impunidade Global, divulgado na segunda-feira (29), calcula o número de assassinatos de jornalistas sem resolução em relação à população de cada país.

Nesta edição, 14 países foram incluídos. O Brasil é o décimo do ranking, com 17 casos não resolvidos de setembro de 2008 a 31 de agosto deste ano. A Somália encabeça a lista pelo quarto ano consecutivo, seguida por Síria, Iraque, Sudão do Sul, Filipinas, Afeganistão, México, Colômbia e Paquistão.

Nos 11 anos em que é feito o ranking, o Brasil foi incluído nove vezes. No ano passado, o país ficou na oitava posição
Homenagem a jornalistas equatorianos sequestrados e mortos na Colômbia; país foi um dos incluídos no ranking deste ano
Homenagem a jornalistas equatorianos sequestrados e mortos na Colômbia; país foi um dos incluídos no ranking deste ano - Dolores Ochoa/AP

Na última década, ao menos 324 jornalistas foram silenciados por meio de assassinatos no mundo, diz o CPJ. Em 85% dos casos, ninguém foi condenado.

A metodologia do ranking considera apenas ataques deliberados contra um jornalista específico em retaliação contra seu trabalho —repórteres mortos em combate ou em coberturas que oferecem perigo, como protestos, não são contabilizados.

Fora da lista do ano passado, o Afeganistão voltou a ser incluído após um ataque suicida que teve como alvo um grupo de repórteres e deixou nove deles mortos em setembro. A Colômbia também voltou a aparecer após o sequestro seguido de morte de jornalistas equatorianos em março deste ano.

A falta de justiça para assassinatos de jornalistas cria uma clima de censura, alerta a organização, que divulga o levantamento para marcar o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade de Crimes contra Jornalistas, 2 de novembro.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Valor Econômico – Políticos assassinos / Coluna / Jeffrey Sachs

29/10
 
"Ninguém vai me livrar deste padre intrometido?", perguntou Henrique II ao instigar o assassinato do arcebispo de Canterbury, Thomas Becket, em 1170. Ao longo dos séculos, presidentes e príncipes do mundo inteiro foram assassinos e facilitadores de assassinatos, como documentaram o grande sociólogo de Harvard, Pitirim Sorokin, e Walter Lunden, com rico detalhamento estatístico, em sua obra-prima "Power and Morality". Uma das principais descobertas deles foi a de que o comportamento dos grupos no poder tende a ser mais criminoso e imoral que o das pessoas sobre as quais exercem esse poder.
 
O que os governantes mais almejam é não terem de responder pelos malfeitos de outros. Mas, com o assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi por seu próprio governo, o envenenamento dos ex-espiões russos que viviam no Reino Unido e rumores de que o chefe da Interpol, Meng Hongwei, pode ter sido executado na China, a máscara tem caído mais frequentemente que o comum ultimamente. Em Riad, Moscou e mesmo Pequim, a classe política tenta, precipitadamente, encobrir seus métodos letais.
 
Mas ninguém tem direito de se fazer de santo nessa esfera. Os presidentes americanos têm uma longa história de assassinatos, algo pouco tendente a preocupar o atual ocupante do cargo, Donald Trump, cujo predecessor preferido, Andrew Jackson, (que governou o país de 1829 a 1837) foi um assassino frio, senhor de escravos e praticante da limpeza étnica de americanos nativos. Para Harry Truman, o lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima o poupou dos custos provavelmente elevados de invadir o Japão. Mas o lançamento da segunda bomba atômica, sobre Nagasaki, foi totalmente indefensável e foi feito por puro embalo burocrático: ocorreu aparentemente sem a ordem explícita de Truman.
 
Desde 1947, a não responsabilização dos presidentes por assassinatos tem sido facilitada pela CIA, que fez as vezes de exército secreto (e, às vezes, de grupo de extermínio) para os presidentes americanos. A CIA tem participado de assassinatos e lesões corporais em todas as partes do mundo, com quase nenhuma supervisão ou responsabilização por seus incontáveis assassinatos.
 
Muitos assassinatos em massa realizados por presidentes envolveram as forças armadas convencionais. Lyndon Johson escalou a intervenção dos EUA no Vietnã sob o pretexto de um ataque, dos norte-vietnamitas, no Golfo de Tonkin, que nunca aconteceu. Richard Nixon foi além: ao desfechar bombardeios maciços sobre Vietnã, Cambodja e Laos, ele tentou instilar na União Soviética o medo de que ele era um líder irracional capaz de qualquer coisa. No final, a guerra americana de Johnson e Nixon na Indochina custou milhões de vidas inocentes.
 
As matanças em massa no Iraque sob o governo George W. Bush são mais conhecidas, porque a guerra, capitaneada pelos EUA, foi feita para a TV. Um país supostamente civilizado empenhado em espalhar "choque e pavor" para derrubar o governo de outro país com base em acusações total e deliberadamente falsas. Centenas de milhares de civis iraquianos morreram.
 
Os EUA se orgulham de ser uma democracia constitucional, mas, na política externa, o presidente pouco se diferencia de um déspota. O domínio de uma só pessoa nessa esfera, como nos EUA e na Arábia Saudita, é quase garantia de grande derramamento de sangue
 
Barack Obama era atacado em amplos círculos pela direita por ser brando demais, mas ele também computou um alto número de mortos. Seu governo aprovou reiteradamente ataques de drones que não mataram apenas terroristas, como também inocentes e cidadãos americanos contrários às sangrentas guerras movidas pelos EUA em países muçulmanos. Ele firmou a determinação presidencial que autorizou a CIA a colaborar com a Arábia Saudita na derrubada do governo sírio. Aquela operação "secreta" levou a uma guerra civil em curso que resultou em centenas de milhares de vítimas fatais civis e em milhões de pessoas desalojadas. Ele usou os ataques aéreos da Otan para derrubar Muammar Gaddafi, o que resultou num governo fracassado e na violência crônica.
 
Sob o governo Trump, os EUA apoiaram os assassinatos em massa (inclusive de crianças) da Arábia Saudita no Iêmen ao vender-lhe bombas e armas avançadas com quase nenhum conhecimento, supervisão ou responsabilização pelo Congresso ou pela opinião pública.
 
Quando a máscara cai, como ocorreu com o assassinato de Khashoggi, vemos, brevemente, o mundo tal como é. Um colunista do "Washington Post" é atraído para uma morte brutal e esquartejado pelo "aliado" próximo dos EUA. A grande mentira americano-israelense-saudita de que o Irã está no centro do terrorismo mundial, uma afirmação refutada pelos números, é posta em xeque, por pouco tempo, pela constrangedora revelação do pavoroso fim de Khashoggi. O príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, ostensivamente o mandante da operação, é encarregado de "investigar" o caso; os sauditas afastam devidamente algumas altas autoridades; e Trump, o mestre nas mentiras incessantes, reproduz hiperbólicas histórias sauditas sobre uma operação independente.
 
Alguns dirigentes de governos e de empresas adiaram visitas à Arábia Saudita. A lista das retiradas anunciadas de uma reluzente conferência de investimentos é um "quem é quem" do complexo militar-industrial dos EUA: altos dirigentes de bancos de Wall Street, executivos-chefes de grandes empresas de mídia e graduadas autoridades de empresas de fornecimento de produtos e serviços militares, como o diretor de defesa da Airbus.
 
Os EUA se orgulham de ser uma democracia constitucional, mas, na esfera da política externa, o presidente pouco se diferencia de um déspota. Trump acaba de anunciar a retirada dos EUA do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário sem sequer mencionar o Congresso.
 
Os cientistas políticos deveriam testar a seguinte hipótese: países encabeçados por presidentes (como os EUA) e por monarcas não constitucionais (como a Arábia Saudita), e não por parlamentos e premiês, são especialmente vulneráveis a uma política assassina. Os parlamentos não são garantia de contenção, mas o domínio de uma só pessoa sobre a política externa, como nos EUA e na Arábia Saudita, é quase garantia de enorme derramamento de sangue.
 
Os americanos estão, com razão, horrorizados com o assassinato de Khashoggi. Mas os métodos assassinos de seu próprio governo talvez não se diferenciem em nada. A expansão dos assassinatos patrocinados por governos não é desculpa para tratar o assassinato como coisa aceitável, jamais. É, em vez disso, argumento para submeter o poder a rígidas limitações constitucionais e, principalmente, à legislação internacional, como a Carta das Nações Unidas e a Declaração Universal dos Direitos do Homem. Essa é nossa única esperança verdadeira de sobrevivência e de segurança em um mundo em que o recurso gratuito à violência pode facilmente ser o fim de todos nós. (Tradução de Rachel Warszawski)
 
Jeffrey D. Sachs é professor de Desenvolvimento Sustentável, de Política e Gestão de Saúde e diretor da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da ONU. Copyright: Project Syndicate, 2018.
 

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

O Globo – Museu Imperial corre ‘gravíssimo risco diário’

 
Alerta é do Ministério Público Federal, que recomendou à instituição, em Petrópolis, e também ao Museu Nacional de Belas Artes, no Rio, a elaboração, em seis meses, de um plano de combate a chamas e prevenção de incêndios
 
VINICIUS SASSINE
 
O Museu Nacional de Belas Artes, no Centro do Rio, e o Museu Imperial, em Petrópolis, funcionam sem um projeto de prevenção a incêndio, sem plano de gestão de riscos e sem alvará de funcionamento. No caso do palácio da Região Serrana, que foi a residência de verão de D. Pedro II e hoje abriga 55 mil títulos relacionados à história brasileira, existe um “gravíssimo risco diário de sofrer dano irreparável”. O alerta é do Ministério Público Federal, que recomendou que as duas instituições se adequem e elaborem, em seis meses, um plano de prevenção e combate a incêndio aprovado pelo Corpo de Bombeiros. Outros quatro museus do Brasil deverão fazer o mesmo.
 
As recomendações feitas pelo MPF acontecem quase dois meses depois do incêndio que destruiu o Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista. Os problemas no Museu Imperial são antigos: reportagem do GLOBO, em 12 de setembro, mostrou que a instituição continua sem reparos, três anos depois de ter problemas de segurança — que põem em risco seu acervo — identificados por auditoria do Ministério da Transparência e Controladoria Geral da União (CGU). O levantamento apontou na época riscos em 28 dos 30 museus sob a responsabilidade do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram).
 
PENA DA LEI ÁUREA
 
A recomendação do MPF foi expedida no último dia 5 pela procuradora da República Monique Cheker, que afirma que informações do próprio Ibram apontam que o Museu Imperial “não possui elaboração conclusiva do plano de gestão de riscos, alvará de funcionamento ou sequer aprovação definitiva do projeto de prevenção a incêndio e pânico, pelo Corpo de Bombeiros”. A procuradora lamentou que “o Museu Imperial, sem um plano de prevenção, corre gravíssimo risco diário de sofrer dano irreparável”. Entre outras preciosidades, o Museu Imperial abriga 8 mil itens de uma coleção de obras raras e a pena de ouro usada pela princesa Isabel para assinar a Lei Áurea. No Centro do Rio, o Museu Nacional de Belas Artes, que funciona em um edifício de 1908, tem em seu acervo a maior e mais importante coleção de arte brasileira do século XIX, com 70 mil itens, entre pinturas, gravuras e esculturas.
 
Entre esses objetos, estão peças da coleção de D. João VI deixadas no Brasil após o retorno a Portugal, em 1821. A recomendação do MPF em relação ao Museu Nacional de Belas Artes acontece após uma ação civil pública pedir, dias após o incêndio no Museu Nacional, a interdição do local, assim como a de outros cinco museus, por falta de segurança. A Justiça negou a demanda. Segundo o MPF, um projeto executivo de restauração do Museu de Belas Artes está em andamento, com previsão de entrega em 25 de novembro. “Há, portanto, possibilidade de inclusão de plano de prevenção e combate a incêndio e pânico e plano de gerenciamento de riscos por meio de termo de aditivo”, afirma o procurador Renato Machado na recomendação.
 
A museóloga Muna Raquel, que integra a comissão de gestão de risco do Museu Imperial, disse que a contratação da empresa que prepará a documentação para obtenção do alvará está em “fase final”, com previsão de que seja finalizada até o fim do ano. É o mesmo caso da contratação de uma brigada de incêndio, com bombeiros civis, segundo ela. Muna afirmou ainda que o museu pediu ao MPF ampliação do prazo para conclusão do plano de riscos, de seis para oito meses: — A gente não tem um sistema de combate a incêndio nos moldes previstos, mas o museu tem hidrantes próprios, cobrindo todo o perímetro da instituição, e 120 mil litros de água dispostos em caixas e cisternas próprias. O Museu Nacional de Belas Artes, por meio da assessoria de imprensa, afirmou que o Corpo de Bombeiros fez uma vistoria para que se obtenha o alvará. Em nota publicada no site do museu em setembro, a instituição sustentou ter “diversos dispositivos de prevenção de incêndio e de segurança”.
 

terça-feira, 23 de outubro de 2018

(Nem todo diplomata é contra o Bolsonaro. Muitos são a favor! )O Estado de S. Paulo – Caça às bruxas / Coluna / Eliana Cantanhêde

O Estado de S. Paulo – Caça às bruxas / Coluna / Eliana Cantanhêde

21/10/2018
 
A polarização política chegou ao Itamaraty, com acusações mútuas de caça às bruxas e perspectiva de grandes mudanças a partir de janeiro de 2019, se o presidente for Jair Bolsonaro, como indicam as pesquisas. Nesse caso, haverá uma guinada na política externa e uma forte dança de cadeiras. A campanha de Bolsonaro acusa diplomatas de estarem por trás da avalanche de reportagens negativas ao candidato nas principais publicações da Europa, Estados Unidos e América Latina.
 
E ressalta: elas não apenas classificam Bolsonaro como “racista”, “homofóbico” e “ameaça à democracia”, como poupam ou até enaltecem o PT. Na fila, The Economist, um bastião do liberalismo econômico internacional, Financial Times, Liberation, The New York Times e Le Figaro, além de importantes jornais da América Latina, no que o comando bolsonarista classifica de campanha externa contra o candidato e que atinge também organismos internacionais.
 
Ao acusarem diplomatas brasileiros de municiarem jornais e jornalistas estrangeiros, aliados do candidato do PSL apontam os que seriam “líderes da campanha”: os embaixadores aposentados Celso Amorim e José Viegas, que foram ministros da Defesa nos governos do PT e recebidos com desconfiança principalmente pelo Exército.
 
Amorim foi chanceler nos oito anos de Lula e participou ativamente da campanha dele à Presidência. Ao liderar a política externa “ativa e proativa”, ou Sul-Sul, Amorim direcionou o foco para países emergentes e alternativos e foi assim que a China desbancou os EUA como principal parceiro comercial brasileiro e Amorim forjou toda uma geração de diplomatas. Bolsonaristas dizem que são “todos petistas” e estão em cargos- chave que, aliás, citam de cor.
 
Paulo de Oliveira Campos, o POC, chefe do Cerimonial da Presidência de Lula, é embaixador em Paris; Mauro Vieira, ex-chanceler, na ONU, em Nova York; Antonio Patriota, também exchanceler de Dilma, em Roma; Antonio Simões, em Montevideo, sede do Mercosul. Eles são a elite do Itamaraty. Patriota, por exemplo, é primeiro de turma.
 
Apesar de listar os “inimigos” sem cerimônia, a equipe de Bolsonaro acusa “os petistas do Itamaraty” de estarem fazendo listas de colegas que tenham manifestado apoio ou simpatia pelo capitão. Grosso modo, assim como há uma guerra de guerrilhas das duas campanhas na internet, ela poderia estar ocorrendo também na Casa de Rio Branco.
 
A campanha de Bolsonaro também diz que o “aparelhamento” do PT na administração pública, estatais, bancos públicos e agências reguladoras se estendeu a órgãos internacionais e cita a ex-ministra de Dilma Ideli Salvatti, que ganhou uma função na Organização dos Estados Americanos (OEA), em Washington.
 
É desses órgãos, segundo bolsonaristas, que saem as notícias negativas não apenas contra Bolsonaro, “mas contra o Brasil”, desde atribuir o impeachment de Dilma a um “golpe” até a manifestação de dois integrantes de um comitê da ONU “determinando” que Lula tinha de concorrer às eleições, mesmo preso em Curitiba.
 
A intenção de Bolsonaro, caso vença as eleições, é trazer de volta esses técnicos, fazer uma dança de cadeiras nas embaixadas e principais consulados, cancelar postos abertos por Amorim em pequenos países – que considera ser de alto custo e baixo retorno para o Brasil – e, principalmente, mudar a política externa. Principais objetivos: “recuperar o pragmatismo, a liderança natural do Brasil na América do Sul e os parceiros tradicionais, como os EUA”.
 
O primeiro alvo é a Venezuela. Com Bolsonaro na Presidência, será o fim da aliança com Nicolás Maduro, como na era PT, e da “leniência” com o regime dele, no governo Temer. Falta descobrir os “bolsonaristas do Itamaraty”. Até agora, estão por baixo dos panos.