segunda-feira, 20 de junho de 2016

Impeachment - Professores usam sala de aula para defender governo indefensável


O coordenador do site Escola Sem Partido, Miguel Nagib, encaminhou-me cópia de um e-mail que lhe foi enviado por uma professora, conforme segue:


Sou professora de geografia e em sala de aula não tenho tendência ideológica, basta colocar para os alunos os dados do IBGE e eles percebem que os oito anos do governo LULA foram os melhores para o país após a ditadura. melhora na qualidade de vida, moradias populares, a frota de carros aumentou 72%nos últimos doze anos, etc.


Em uma aula uma aluna me disse que o seu pai teria votado na Dilma e agora queria que ela saísse, eu pedi para que ela perguntasse para ele como era no governo Sarney e FHC, resumindo ele voltou atrás.


Em primeiro lugar, discordo da interpretação que a professora faz dos dados do IBGE, conforme já expliquei no livro Não culpem o capitalismo. E acrescento outras evidências apresentadas neste blog, como pode ser lido, por exemplo, nos textos abaixo:


Não houve "salto no IDH-M", mas mudança na forma de cálculo
Redução da desigualdade começou com FHC e foi revertida pelo PT
Números provam que PT é um lixo
PT esconde números que provam que seus governos são lixo



Em segundo lugar, é preciso fazer algumas indagações: os alunos do ensino médio devem ser obrigados a assistir aulas de história e de geografia para que seus professores lhes "ensinem" qual governo foi o melhor? A função dessas disciplinas não deveria ser a de apresentar uma introdução a teorias científicas que tratam de fenômenos de longo prazo e que não ocorrem exclusivamente no Brasil?



Nesse sentido, o mais correto em termos éticos e científicos não seria deixar de lado qualquer consideração explícita sobre governos específicos e se concentrar em transmitir informações factuais sobre processos de longo prazo e que possam ser explicados pela história, geografia e outras ciências?


Partidarização do ensino


Além disso, o comentário da professora deixa claro que o seu ponto de vista não só é ideológico como também partidário e contraditório.


O teor partidário e contraditório fica claro quando se considera uma questão de lógica elementar: a política econômica dos dois governos Lula foi a mesma aplicada no segundo mandato de FHC (câmbio flutuante, metas de inflação e de superávit primário). Por sinal, exatamente a mesma política que Lula, o PT e a maioria esmagadora dos professores tachavam de "neoliberal"... Mas, se a política macroeconômica foi continuísta, não tem nem cabimento supor que o período Lula poderia ter produzido um resultado muito melhor nessa área e menos ainda atribuir a diferença a qualidades próprias desse presidente ou de seu partido, pois qualquer resultado diferente só poderia ser efeito de mudanças na conjuntura internacional.


E os dados seguem a lógica, pois o crescimento da economia na era Lula foi puxado por uma dinâmica econômica internacional extremamente favorável. E, mesmo com o vento a favor, tal desempenho foi inferior ao de todos os outros Brics, à média de crescimento mundial e inferior também à média de crescimento da América Latina! Já nos governos de FHC, o desempenho da economia brasileira foi o mesmo da América Latina, demonstrando que, vis-à-vis a conjuntura internacional, esses governos foram melhores do que os petistas (Giambiagi; Schwartsman, 2014, p. 24) - e isso sem levar em conta o desastre posterior a 2013, pois aí é que o PT apanha mesmo.


Portanto, tentar usar indicadores de consumo para diferenciar qualitativamente os governos do PT daqueles que o precederam, como faz a professora, é cegueira ideológica a serviço de um partido que cometeu estelionato eleitoral, pois afronta tanto a lógica quanto o exame comparativo dos indicadores internacionais. E isso para não mencionar que, quando a conjuntura internacional mudou e a política econômica herdada de FHC foi sendo erodida pelo relaxamento progressivo das metas - algo que começou a acontecer em 2008, ainda no tempo de Lula - a inflação subiu e o crescimento econômico, que já era baixo para os padrões da época, declinou até se transformar na depressão que vivemos hoje.

Ideologia na veia

Já o momento em que o viés ideológico da professora se escancara mais plenamente é quando ela diz que convenceu o pai de uma aluna a se posicionar contra o impeachment de Dilma dizendo que os governos do PT teriam sido melhores do que os anteriores. Ainda que eu concordasse com essa avaliação do governo, teria de objetar o seguinte: o regime democrático é o império da lei, e a Constituição não diz que um presidente deve sofrer impedimento quando faz um governo "ruim" e nem que deve ser poupado disso caso seu governo seja "bom";  o que a Constituição determina é que um presidente sofrerá impeachment quando praticar algum crime, aí incluídos crimes de responsabilidade. E não há dúvida de que Dilma cometeu crime de responsabilidade por conta das "pedaladas fiscais", faltando ainda investigá-la para saber se cometeu também outras ilegalidades relacionadas ao "petrolão" e à possível "venda de medidas provisórias".



Portanto, ao dizer que Dilma merece ficar devido à suposta superioridade dos governos do PT, a professora deixa claro seu menosprezo pela institucionalidade, o que é uma atitude típica da esquerda radical, para quem os fins justificam os meios e as leis são apenas instrumentos de dominação de classe ou dos "grupos hegemônicos".



GIAMBIAGI, F.; SCHWARTSMAN, A. Complacência. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.
* Professor do Departamento de Geografia da UFPR



O coordenador do site Escola Sem Partido, Miguel Nagib, encaminhou-me cópia de um e-mail que lhe foi enviado por uma professora, conforme segue:
Sou professora de geografia e em sala de aula não tenho tendência ideológica, basta colocar para os alunos os dados do IBGE e eles percebem que os oito anos do governo LULA foram os melhores para o país após a ditadura. melhora na quaidade de vida, moradias populares, a frota de carros aumentou 72%nos últimos doze anos, etc.
Em uma aula uma aluna me disse que o seu pai teria votado na Dilma e agora queria que ela saisse, eu pedi para que ela perguntasse para ele como era no governo sarney e FHC, resumindo ele voltou atrás.
Em primeiro lugar, discordo da interpretação que a professora faz dos dados do IBGE, conforme já expliquei no livro Não culpem o capitalismo . E acrescento outras evidências apresentadas neste blog, como pode ser lido, por exemplo, nos textos abaixo:
Em segundo lugar, é preciso fazer algumas indagações: os alunos do ensino médio devem ser obrigados a assistir aulas de história e de geografia para que seus professores lhes "ensinem" qual governo foi o melhor? A função dessas disciplinas não deveria ser a de apresentar uma introdução a teorias científicas que tratam de fenômenos de longo prazo e que não ocorrem exclusivamente no Brasil? Nesse sentido, o mais correto em termos éticos e científicos não seria deixar de lado qualquer consideração explícita sobre governos específicos e se concentrar em transmitir informações factuais sobre processos de longo prazo e que possam ser explicados pela história, geografia e outras ciências?

Partidarização do ensino

Além disso, o comentário da professora deixa claro que o seu ponto de vista não só é ideológico como também partidário e contraditório.



O teor partidário e contraditório fica claro quando se considera uma questão de lógica elementar: a política econômica dos dois governos Lula foi a mesma aplicada no segundo mandato de FHC (câmbio flutuante, metas de inflação e de superávit primário). Por sinal, exatamente a mesma política que Lula, o PT e a maioria esmagadora dos professores tachavam de "neoliberal"... Mas, se a política macroeconômica foi continuísta, não tem nem cabimento supor que o período Lula poderia ter produzido um resultado muito melhor nessa área e menos ainda atribuir a diferença a qualidades próprias desse presidente ou de seu partido, pois qualquer resultado diferente só poderia ser efeito de mudanças na conjuntura internacional.



E os dados seguem a lógica, pois o crescimento da economia na era Lula foi puxado por uma dinâmica econômica internacional extremamente favorável. E, mesmo com o vento a favor, tal desempenho foi inferior ao de todos os outros Brics, à média de crescimento mundial e inferior também à média de crescimento da América Latina! Já nos governos de FHC, o desempenho da economia brasileira foi o mesmo da América Latina, demonstrando que, vis-à-vis a conjuntura internacional, esses governos foram melhores do que os petistas (Giambiagi; Schwartsman, 2014, p. 24) - e isso sem levar em conta o desastre posterior a 2013, pois aí é que o PT apanha mesmo.



Portanto, tentar usar indicadores de consumo para diferenciar qualitativamente os governos do PT daqueles que o precederam, como faz a professora, é cegueira ideológica a serviço de um partido que cometeu estelionato eleitoral, pois afronta tanto a lógica quanto o exame comparativo dos indicadores internacionais. E isso para não mencionar que, quando a conjuntura internacional mudou e a política econômica herdada de FHC foi sendo erodida pelo relaxamento progressivo das metas - algo que começou a acontecer em 2008, ainda no tempo de Lula - a inflação subiu e o crescimento econômico, que já era baixo para os padrões da época, declinou até se transformar na depressão que vivemos hoje.



Ideologia na veia
Já o momento em que o viés ideológico da professora se escancara mais plenamente é quando ela diz que convenceu o pai de uma aluna a se posicionar contra o impeachment de Dilma dizendo que os governos do PT teriam sido melhores do que os anteriores. Ainda que eu concordasse com essa avaliação do governo, teria de objetar o seguinte: o regime democrático é o império da lei, e a Constituição não diz que um presidente deve sofrer impedimento quando faz um governo "ruim" e nem que deve ser poupado disso caso seu governo seja "bom";  o que a Constituição determina é que um presidente sofrerá



 impeachment quando praticar algum crime, aí incluídos crimes de responsabilidade. E não há dúvida de que Dilma cometeu crime de responsabilidade por conta das "pedaladas fiscais", faltando ainda investigá-la para saber se cometeu também outras ilegalidades relacionadas ao "petrolão" e à possível "venda de medidas provisórias".


Portanto, ao dizer que Dilma merece ficar devido à suposta superioridade dos governos do PT, a professora deixa claro seu menosprezo pela institucionalidade, o que é uma atitude típica da esquerda radical, para quem os fins justificam os meios e as leis são apenas instrumentos de dominação de classe ou dos "grupos hegemônicos".

- - - - - - - - - - -

GIAMBIAGI, F.; SCHWARTSMAN, A. Complacência. 1. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. 

Flagrando o Doutrinador

De um modo geral, as estratégias da doutrinação ideológia são muito pouco sutis. 

(Link)Vejam, por exemplo, o que faz o Prof. Carlão, do Anglo Vestibulares de Tatuí-SP, filmado por uma de suas vítimas em pleno ato de incitação de ódio aos EUA.



Ao deparar-se, no entanto, com uma audiência intelectualmente mais sofisticada, o doutrinador pode também sofisticar sua abordagem, dissimulando a propaganda ideológica numa roupagem pseudo-científica. Selecionamos, neste espaço, alguns procedimentos utilizados por esses mestres da militância.


Você pode estar sendo vítima de doutrinação ideológica quando seu professor:
  • se desvia freqüentemente da matéria objeto da disciplina para assuntos relacionados ao noticiário político ou internacional;
  • adota ou indica livros, publicações e autores identificados com determinada corrente ideológica;
  • impõe a leitura de textos que mostram apenas um dos lados de questões controvertidas;
  • exibe aos alunos obras de arte de conteúdo político-ideológico, submetendo-as à discussão em sala de aula, sem fornecer os instrumentos necessários à descompactação da mensagem veiculada e sem dar tempo aos alunos para refletir sobre o seu conteúdo;
  • ridiculariza gratuitamente ou desqualifica crenças religiosas ou convicções políticas;
  • ridiculariza, desqualifica ou difama personalidades históricas, políticas ou religiosas;
  • pressiona os alunos a expressar determinados pontos de vista em seus trabalhos;
  • alicia alunos para participar de manifestações, atos públicos, passeatas, etc.;
  • permite que a convicção política ou religiosa dos alunos interfira positiva ou negativamente em suas notas;
  • encaminha o debate de qualquer assunto controvertido para conclusões que necessariamente favoreçam os pontos de vista de determinada corrente de pensamento;
  • não só não esconde, como divulga e faz propaganda de suas preferências e antipatias políticas e ideológicas;
  • omite ou minimiza fatos desabonadores à corrente político-ideológida de sua preferência;
  • transmite aos alunos a impressão de que o mundo da política se divide entre os “do bem” e os “do mal”;
  • não admite a mera possibilidade de que o “outro lado” possa ter alguma razão;
  • promove uma atmosfera de intimidação em sala de aula, não permitindo, ou desencorajando a manifestação de pontos de vista discordantes dos seus;
  • não impede que tal atmosfera seja criada pela ação de outros alunos;
  • utiliza-se da função para propagar ideias e juízos de valor incompatíveis com os sentimentos morais e religiosos dos alunos, constrangendo-os por não partilharem das mesmas ideias e juízos.

Vídeo: A verdade sobre a "ditadura"!

http://www.oretrogrado.com.br/2016/06/18/a-ditadura-militar-do-canal-nostalgia/










Anticristianismo disfarçado de multiculturalismo




Vejo essa turminha do “estado laico” alvoroçada, enfiando goela abaixo das crianças as ideologias progressistas e multiculturalistas, porém vivem patinando em um discurso que não tem nada de tolerante, mas, sim, anticristão. Um exemplo claro do nível de incoerência desse pessoal foi o que me ocorreu ano passado na escola onde lecionava:


Um dia, para minha surpresa, a Diretoria de Ensino trouxe até a escola um rapaz para ensinar aos alunos sobre a cultura afro-brasileira (religião, danças, crenças, costumes, etc.). Você deve estar se perguntando: o que tem de errado nisso? O problema é que o estado laico da maneira que eles pregam deveria ser neutro quanto a todas as religiões, em tese, mas na prática isso só é contra a propagação da religião e moral cristã nas escolas públicas; qualquer outra pode ser ensinada porque é patrimônio cultural dos “oprimidos” e “excluídos” – se fosse um polaco dando uma palestra sobre a “cultura europeia ocidental opressora” seria um escândalo.


Aconteceu também, no mesmo ano, que fiz uma prova na faculdade em que estudo, a qual era totalmente racista. O tema da prova era de um coitadismo ridículo: negros eram apresentados como coitadinhos que precisam de uma ajudinha por cotas; porque, segundo eles, os “afrodescendentes” não conseguem uma vaga numa boa faculdade se não for dessa maneira. Não poderia faltar também a maravilhosa história da dívida história, como se qualquer pessoal de pele mais clara tivesse culpa de algo que aconteceu centenas de anos atrás.


E a dívida histórica para com as pessoas descendentes dos europeus da Península Ibérica, que foram escravizados por cerca de 400 anos por muçulmanos norte-africanos*; e a dívida histórica para com os judeus, italianos, japoneses… Se formos pesquisar, todo mundo tem dívida história com todo mundo, como poderia haver cotas e privilégios somente para negros?


Além disso, havia na prova o discurso dizendo que o cristianismo gera preconceito para com os negros e a melhor maneira de acabar com isso é proibindo o cristianismo de entrar nas escolas, colocando em seu lugar o ensino de cultura e religiões de origem africana. Ora, mas isso claramente é segregação cultural e anticristianismo. Se devemos para retirar o cristianismo das escolas, que seja retiradas as outras religiões também – isso sim seria igualitário!


Mas os progressistas são assim mesmo: querem retirar crucifixos e símbolos cristãos de estabelecimentos públicos, mas não cogitam em retirar, por exemplo, a estátua da Têmis do Superior Tribunal de Justiça, ou retirar das escolas os mitos e lendas do folclore brasileiro quais vêm de religiões indígenas e africanas. Para a reflexão fica a pergunta: por que só o cristianismo incomoda tanto? – claro, é muito mais fácil ir contra uma religião que diz para darmos a outra face.


* Fonte: Folha Online


http://www.oretrogrado.com.br/2015/12/16/anticristianismo-disfarcado-de-multiculturalismo/?

África escravizou 1 milhão de brancos, diz historiador



  da Reuters, em Washington

Mais de 1 milhão de europeus foram escravizados por traficantes norte-africanos de escravos entre 1530 e 1780, uma época marcada por abundante pirataria costeira no Mediterrâneo e no Atlântico. A informação é do historiador americano Robert Davis, que falou sobre o assunto anteontem.

Segundo ele, embora o número seja pequeno perto do total de escravos africanos negros levados às Américas ao longo de 400 anos --entre 10 milhões e 12 milhões--, sua pesquisa mostra que o comércio de escravos brancos era maior do que se presume comumente e que exerceu um impacto significativo sobre a população branca da Europa.

''Uma das coisas que o público e muitos especialistas tendem a dar como certa é que a escravidão [na Idade Moderna] sempre foi de natureza racial --ou seja, que apenas os negros foram escravos. Mas não é verdade'', disse Davis, professor de história social italiana na Universidade Ohio State

"Ser escravizado era uma possibilidade muito real para qualquer pessoa que viajasse pelo Mediterrâneo ou que habitasse o litoral de países como Itália, França, Espanha ou Portugal, ou até mesmo países mais ao norte, como Reino Unido e Islândia."

Piratas

Davis escreveu um livro sobre o tema, recém-lançado, chamado "Christian Slaves, Muslim Masters: White Slavery in the Mediterranean, the Barbary Coast, and Italy, 1500-1800" (escravos cristãos, senhores muçulmanos: a escravidão branca no Mediterrâneo, na costa Berbere e na Itália). Nele, o historiador calcula que entre 1 milhão e 1,25 milhão de europeus tenham sido capturados no período citado por piratas conhecidos como corsários e obrigados a trabalhar na África do Norte.

Os ataques dos piratas eram tão agressivos que cidades costeiras mediterrâneas inteiras foram abandonadas por seus moradores assustados.

"Boa parte do que se escreveu sobre o escravagismo dá a entender que não houve muitos escravos [europeus] e minimiza o impacto da escravidão sobre a Europa", disse Davis em comunicado.

"A maioria dos relatos analisa apenas a escravidão em um só lugar, ou ao longo de um período de tempo curto. Mas, quando se olha para ela desde uma perspectiva mais ampla e ao longo de mais tempo, tornam-se claros o âmbito maciço dessa escravidão e a força de seu impacto."

Remadores em galés

Partindo de cidades como Túnis e Argel, os piratas atacavam navios no Mediterrâneo e no Atlântico, além de povoados à beira-mar, para capturar homens, mulheres e crianças, disse o historiador.

Os escravos capturados nessas condições eram colocados para trabalhar em pedreiras, na construção pesada e como remadores nas galés dos piratas.

Para fazer suas estimativas, Davis recorreu a registros que indicam quantos escravos estavam em determinado local em determinada época.

Em seguida, estimou quantos escravos novos seriam necessários para substituir os antigos à medida que eles iam morrendo, fugindo ou sendo resgatados.

"Não é a melhor maneira de fazer estimativas sobre populações, mas, com os registros limitados dos quais dispomos, foi a única solução encontrada", disse o historiador, cujos trabalhos anteriores exploraram as questões de gênero na Renascença.


http://www1.folha.uol.com.br/folha/reuters/ult112u32556.shtml

Gasta muito e gasta mal - PAULO GUEDES


O GLOBO - 20/06

As investigações da Lava-Jato e a guilhotina midiática só vão perder o ímpeto com o fim da impunidade e a reforma política


Acorrupção sistêmica é hoje fato estabelecido. A classe política está sob suspeita. As principais lideranças petistas e peemedebistas estão às voltas com a Justiça. O presidente interino, Michel Temer, não consegue sequer montar um ministério acima de qualquer suspeita. As investigações da Lava-Jato prosseguem com enorme apoio da opinião pública esclarecida. Aonde vai levar tudo isso? A um aperfeiçoamento

institucional de uma democracia emergente. Quando vão perder o ímpeto essas investigações e a guilhotina midiática? Quando uma reforma política acenar com um futuro diferente, e as condenações das principais lideranças do Antigo Regime saciarem a opinião pública. Apenas o fim da impunidade e a mudança desse degenerado regime político decretariam o fim da Lava-Jato.

A verdade é que se revelou à luz do dia uma fabulosa engrenagem para a coordenação de tráfico de influência e desvio de recursos públicos. Maus empresários, funcionários públicos corruptos e políticos inescrupulosos aperfeiçoaram essa engrenagem de administração centralizada para o financiamento das campanhas políticas, a compra de sustentação parlamentar e a apropriação indébita de recursos públicos. Grupos de interesses privados financiam políticos corruptos, que por sua vez nomeiam funcionários públicos corruptos para postoschave dessa engrenagem, que devolvem então aos corruptores privados recursos públicos suficientes para compensar seus “investimentos” na captura de influência política. 


O programa econômico que preparei em 1989, para uma campanha presidencial nas primeiras eleições diretas após a redemocratização, previa programa de privatização para resgate integral da dívida interna. A participação do governo nas empresas estatais teria sido suficiente para zerar a dívida pública federal interna. Quantos Prounis e Bolsas-Famílias poderíamos estar hoje financiando com os R$ 500 bilhões pagos anualmente como juros da dívida? 


Pior, o descontrole de gastos públicos, de um lado, e a meta de inflação, de outro, produziram juros astronômicos que nos levaram ao endividamento interno em bola de neve. O governo federal gasta muito, rouba muito e gasta mal, enquanto faltam recursos para saúde, segurança, saneamento e educação em estados e municípios falidos.

Nem de brincadeira - VALDO CRUZ

FOLHA DE SP - 20/06

Um grupo de deputados discutia o que vai sobrar depois das delações da Lava Jato, quando um deles soltou uma proposta: votar um projeto anistiando todos os políticos que receberam doações legais vindas de grana de propina.

Diante da incredulidade dos presentes na viabilidade da ideia, que seria motivo de críticas gerais, ele disse que haveria uma contrapartida. Todos os beneficiados teriam que abandonar a carreira política.

Reflexo do clima de pânico geral que domina a política, o "sacrifício" em troca da anistia teve aprovação unânime entre os presentes da reunião –o pessoal anda topando tudo para fugir das garras da Lava Jato.

Um participante do encontro diz que a ideia, por enquanto, é apenas uma ideia, lançada quase em tom de brincadeira. Diz ele, porém, ter certeza que hoje contaria com o apoio de mais de 90% do Congresso.

Sinceramente, não duvido. Afinal, as próximas delações, de Odebrecht e OAS, prometem provocar um cenário de terra arrasada na política brasileira. Pelo andar da carruagem da Lava Jato, quase nenhuma reputação ficará intacta.

A ideia da anistia surge, de forma discreta, porque muitos candidatos alegam que não sabiam que sua doação legal teve origem em propina. Em alguns casos, pode ser fato. Mas como separar o joio do trigo?

Não custa lembrar, contudo, o que disse o delator Sérgio Machado. Segundo ele, todos sabiam, em maior ou menor grau, que as doações vinham de contratos de empreiteiras com a Transpetro. Ou seja, ninguém é totalmente inocente.

Por sinal, a delação de Machado mostra por que políticos disputam nomeações para direção de estatais. Nada a ver com projetos de interesse do país. Tudo a ver com esquema para angariar recursos de campanha e, pior, até para o próprio bolso.

O mais inacreditável é que, em tempos de Lava Jato, esta turma segue brigando por cargos. Não por acaso os escândalos se repetem.