sábado, 9 de julho de 2016

Furo Privilegiado

Eduardo Cunha sai da Câmara para entrar na cadeia, 
mas presos protestam...


Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Agamenon Mendes Pedreira


Em mais um furo de reportagem, eu, Agamenon Mendes Pedreira, o único jornalista investigativo heterossexual e impotente da América Latina, tive acesso exclusivo (e inclusivo) à verdadeira carta que a quase ex-presidenta em exercício, Zica Roskoff, enviou ao Senado Federal. Disfarçado de lagosta ao Thermidor consigo circular tranquilamente pelo Palácio da Alvorada sem ser incomodado pelos ocupantes que preferem bife à parmegiana, picanha na brasa ou macarronada, culinária mais ao gosto do governo popular.



Como todos sabem, a presidanta se recusou a comparecer à Comissão de Impeachment. A princípio, pensou em arrumar um atestado médico falsificado do SUS, mas desistiu depois de ficar mais de quatro horas na fila e ser avisada que o posto estava fechado por falta de papel higiênico.



Depois de botar a culpa no Temer, embicou na direção da papelaria onde comprou um papel de carta bem bonito da Hello Kitty, onde escreveu a seguinte missiva para os senadores, que depois foi copidescada por seu adevogado José Eduardo Pomposo:


"Prezados Senadores e Senadoras, e por que não também saudar os parlamentares transgêneros e também aqueles que ainda não se identificam com nenhuma forma de sexualidade uma vez que a nossa espécie não se resume ao Homo e a Mulher Sapiens sem esquecer, é claro, da Criança Sapiens, que, por sinal, representa o futuro, muito embora o passado tenha muito a nos ensinar no que se refere ao tempo que passou e aos nossos ancestrais como os macacos, os orangotangos e os gorilas dos tempos da Ditadura Militar. Portanto, em resumo, para não ferir nenhuma das minorias que compõem a diversidade da raça brasiliana, saúdo a Mandioca.


Escrevo, porque se escrevo e porque aí não estou uma vez que estarei ausente como os senhores, as senhoras e os transgêneros bem como aqueles que como disse não se identificam com gênero nenhum podem constatar pessoalmente e por isso mesmo e mais uma vez saúdo a mandioca.


Não irei por única e exclusivamente dois motivos: falta de grana. Assim sendo não poderei requisitar um uma aeronave a jato da FAB com o propósito no que se refere ao meu comparecimento a esta comissão de 20 por cento, que desde já, esclareço, nada recebi uma vez que sou uma mulher proba e honesta. 



E mesmo porque, se recebi, aproveito para garantir que sobre este ou qualquer outro assunto nada sabia nem saberei uma vez que me ocupava da presidência da república inaugurando unidades do Minha Casa Minha Vida e frequentando as aulas do Pronatec. 


Como milhões de brasileiros acho que vou ficar desempregada em breve e, assim sendo, tenho que economizar muito. Tenho economizado até o vento, muito embora, como já disse a tecnologia humana não descobriu uma forma de armazenar o vento que não seja o intestino grosso.


Uma vez que o Senado Federal não possui um local adequado para o estacionamento de bicicletas oficiais, não vou comparecer a esta comissão de 30 por cento, comissão esta que, desde já esclareço, mais uma vez, não recebi. No que se refere ao meu transporte poderia ser questionada por que não vou a cavalo ou mesmo no lombo de um burro mais uma vez esclareço que o ex-presidente Lula se encontra em São Bernardo".


Agamenon Mendes Pedreira é jornalista investigativo e investigado. Originalmente publicado no espaço do Marcelo Madureira em 8 de julho de 2016. 

Blog: http://www.casseta.com.br/madureira/

Facebook: https://www.facebook.com/marcelo.madureira1


Twitter: @marcelomadu


Delação ou Danação para Cunha? Culpar juiz é melhor?

sábado, 9 de julho de 2016




Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net



A guerra de todos contra todos os poderes tem um componente preocupante e perigoso. Os esquemas organizadíssimos do crime institucionalizado tentam, de todo jeito, desmoralizar o senso de Justiça. Para isso, os mafiosos de plantão tiram proveito da falha estrutural do judiciário em um País com regramento excessivo e péssima tradição de abuso do poder estatal contra o cidadão. Infindáveis leis, regras, instruções normativas, burocracia processual, combinada com a apologia ao crime e cultura da impunidade, facilitam a Oclocracia (governo dos ladrões) em detrimento da Democracia (segurança do Direito, através do exercício da razão pública).



Traduzindo para o popular essa base teórica que só não enxerga quem sofre de cinismo - e não necessariamente de cegueira: em parceria com a máquina corrupta estatal, os bandidos desafiam os cidadãos e agora abrem fogo contra a banda do judiciário que tenta combater a corrupção - embora isso seja o mesmo que enxugar gelo, se não forem mudadas as condições estruturais do Brasil, um País concebido para ser uma rica e corrupta colônia de exploração artificialmente mantida na miséria, apesar de suas riquezas. A classe política - que fatura alto para obedecer às ordens de seus patrões e financiadores transnacionais para deixar o Brasil como sempre esteve - abre fogo contra magistrados e promotores.



A ministra Nancy Andrighi, Corregedora do Conselho Nacional de Justiça, já arquivou 14 reclamações contra o juiz Sérgio Fernando Moro, transformado em "Herói Nacional" por sua atuação nos processos da Lava Jato. As diferentes acusações contra o titular da 13a Vara Federal em Curitiba são sempre as mesmas: usurpação de competência. Indiretamente, advogados que acionam Moro reclamam que ele abusa de autoridade. Este é exatamente o mesmo argumento do Projeto de Lei 6418, do ano de 2009, que agora Renan Calheiros - presidente do Senado e notório réu na Lava Jato e em vários outros processos - comete a ousadia de defender.


A Associação dos Juízes Federais do Brasil critica duramente as intenções dos políticos, justamente no momento em que juízes, desembargadores e ministros do poder judiciário promovem um intenso enfrentamento contra a corrupção: "A Ajufe rechaça quaisquer medidas que enfraqueçam as garantias da magistratura, em especial aquelas que têm o objetivo de gerar, nos juízes, o receio da punição em desacordo com os trâmites constitucionais e legalmente previstos na Loman - Lei Orgânica da Magistratura".



A Ajufe bate forte: "A independência judicial existe para assegurar julgamentos imparciais, imunes a pressões de grupos sociais, econômicos, políticos ou religiosos. Ela garante que o Estado de Direito será respeitado e usado como defesa contra todo tipo de usurpação. Trata-se de uma conquista da cidadania, que é garantia do Estado Democrático de Direito e essencial à proteção dos direitos fundamentais do cidadão. As prerrogativas da magistratura são invioláveis porque agem em benefício da sociedade como um todo. Não cabe à lei ordinária restringi-las, nem, mais gravemente, aboli-las. A Ajufe e os magistrados federais esperam ser convidados para apresentar sugestões e debater publicamente matéria tão importante para o País".



Enquanto o debate não acontece seriamente, decisões judiciais polêmicas entram na berlinda... Mais uma vez, vigora a tese de que ricos e poderosos ficam pouco tempo na cadeia. O ministro Nefi Cordeiro, do Superior Tribunal de Justiça, determinou a soltura dos presos da Operação Saqueador, entre eles o bicheiro Carlinhos Cachoeira, o ex-dono da Delta Fernando Cavendish, o ex-diretor da Delta Cláudio Abreu e os empresários Adir Assad e Marcelo Abreu. A Justiça Federal no RJ tinha aceitado denúncia contra Cavendish, Cachoeira, Assad e mais 20 pessoas por envolvimento num esquema de lavagem de pelo menos R$ 370 milhões em verbas públicas federais.



Diante de mais uma decisão judicial que alimenta o clima de impunidade, o Brasil assiste à petética novela Eduardo Cunha. O cabra que renunciou à presidência da Câmara, muito a contragosto, depois de já ter sido afastado judicialmente pelo Supremo Tribunal Federal, faz de tudo para não perder o mandato e garantir seu foro privilegiado para julgamento. A manobra depende da eleição de um aliado para o comando da Câmara, contando com o temerário apoio velado do Presidento interino Michel Temer. Se Cunha não for bem sucedido, só lhe restará a alternativa que a maioria dos políicos não deseja: partir para a "transação penal".


Uma delação premiada de Eduardo Cunha seria o maior passo para as transformações institucionais no Brasil. Cunha é o homem bomba perfeito. Ele tem plenas condições de revelar quem são e como operam os maiores promotores da corrupção no Brasil. Por enquanto, excelente ator, Cunha insiste na complicada tese de "inocência". Ele não vai admitir que cometeu qualquer crime, a não ser que perca o mandato ou que sua mulher e filha acabem presas preventivamente por ordem do juiz Sérgio Moro. Cunha ainda aposta na remota chance de continuar deputado e ora feito doido para que consiga trazer de volta ao STF as broncas contra Claudia Cruz e Daniele Cunha.



A tática da politicagem corrupta é fazer de tudo para garantir o foro privilegiado de Cunha, para ganhar tempo. Aposta-se que o caso dele, no STF, possa demorar uns dez anos para chegar a um julgamento final, com aquele famoso "trânsito em julgado". Se Cunha não for bem sucedido na manobra, ele se credencia como o mais perigoso delator premiado da História brasileira. Concretamente, Cunha teme pela própria vida, caso chegue a tal estágio. Por isso, enquanto nada se resolve concretamente, o negócio é meter o pau nos magistrados


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O jogo bruto promete capítulos de tirar o fôlego, a liberdade e, em caso extremo, até a vida dos vários personagens envolvidos na trama.



Cunha ainda pode escolher entre a delação ou a danação. Tomara que o "Malfado Favorito" se torne o "Traidor Espetacular". 

Defesa dos atacados



https://youtu.be/ikMhFqnBPAU



Desembargador Laercio Laurelli defende que é preciso agir contra a corrupção em defesa da Magistratura e de Juízes atacados por acusados desesperados.

Na entrada, durante e na saída


Tudo pela família




Sortudo na Câmara

quarta-feira, 6 de julho de 2016

Excelente texto! Policiofobia ou Síndrome de Estocolmo coletiva, onde os indivíduos passaram a ter simpatia por seus algozes e odiar seus protetores, assim como ovelhas que odeiam cães pastores e sorriem simpáticas para os lobos que as devorarão.

Artigo no Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Filipe Bezerra


A policiofobia é uma construção cultural que pode ser conceituada como a promoção sistemática do ódio, da aversão, do preconceito, do descrédito e da desmoralização dos profissionais de segurança pública do Brasil.

Ao contrário do que imagina o senso comum a policiofobia não é consequência da violência policial ante a população de periferia, e tampouco é uma resultante do período do regime militar. A população de periferia historicamente nunca teve voz e a maioria dos policiais de hoje sequer viveram ou tiveram alguma ligação direta com o período dos chamados “anos de chumbo”.

Ela é, na verdade, uma construção artificiosa e ideológica de setores da política, da mídia e da academia, e é propagada, em regra,  por indivíduos das classes média e alta que, no alto de suas torres de marfim,  nunca sofreram abusos ou violência de policiais.

Não se pode negar, entretanto, que em meio ao efetivo das polícias exista uma minoria de psicopatas, corruptos e demais espécies de bandidos de farda, mas ninguém deseja mais que estes sejam excluídos, processados e presos do que a grande maioria de policiais honestos e de bem que tem a sua reputação profissional maculada pelas transgressões e crimes dos maus policiais. 


Mas é importante dizer que em nenhum outro grupo profissional o todo é julgado pela parte através de uma maliciosa e sistemática campanha de desmoralização.

Não faz muito tempo em que a mídia brasileira abordava o trabalho policial se não de uma forma positiva, mas, pelo menos, de uma forma neutra que possibilitava ao homem comum fazer um juízo de valor solidário aos homens e mulheres que arriscam a vida nas ruas na nobre missão servir e proteger a sociedade. 



De uma hora pra outra fatos isolados começaram a ganhar destaque e serem superdimensionados. A grande maioria das ações policiais -  legítimas por natureza - passaram a ser solenemente ignoradas, de uma forma que hoje quase toda a cobertura  do trabalho policial na grande mídia é em forma de pauta negativa. 


As séries e filmes policiais que exaltavam a humanidade, o heroísmo e a bravura desses profissionais sumiram e hoje é praticamente impossível encontrar uma produção cultural onde o personagem policial tenha razão.

Como os militares voltaram para os quartéis após a redemocratização  a polícia passou a ser o bode expiatório preferido de pseudointelectuais da academia e da política que, para promoverem a “luta de classes” através de um revanchismo tardio e descabido, fomentam abertamente à tolerância( e o estímulo moral) ao banditismo e, por conseguinte, a criminalização da atividade policial legítima.

 

O produto cultural destas ações é a grande inversão de valores que produz hoje no país a enorme sensação de impunidade que fez explodir a criminalidade. 



Essa mentalidade que odeia a polícia “opressora” invadiu também o judiciário já nos bancos universitários, e os policiais foram empurrados assim para uma legalidade que, de tão estreita, virou uma espécie de corda bamba onde se o policial age é acusado de abuso e caso se omita é acusado de prevaricação. 

Operou-se a assim um verdadeiro desmonte do arcabouço jurídico de proteção à atividade policial. Hoje no Congresso Nacional, por exemplo, partidos políticos que sobrevivem da promoção do caos patrocinam projetos que querem acabar com auto de resistência e com o crime de desacato o que, se concretizado, sepultaria de vez a polícia e entregaria o Brasil de bandeja ao crime.

Em países de cultura sadia o heroísmo e a bravura da polícia é estimulada. Policiais que trocam tiros com bandidos perigosos são aclamados e valorizados, e não são raras as vezes que são promovidos por bravura pelas autoridades constituídas. 



No Brasil a mesmas ações resultam sempre numa presunção de culpabilidade de forma que é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um policial ter, por exemplo, uma legítima defesa putativa reconhecida pelo judiciário. Ao policial brasileiro é presumido quase sempre o erro, a má fé, o excesso, o abuso e, muitas vezes, o crime.
Abandonados pelo estado e escutando apenas a parte esquizofrênica da sociedade que os condena, os policiais ficaram entregues à própria sorte e, por isso, são jogados à omissão.

 

O fomento da desmoralização da polícia ante a população menos letrada produziu também um paradoxo: se a polícia é violenta, ela deveria provocar medo e respeito na população e na criminalidade. 


Não é o que acontece. Se multiplicam as ocorrências em que pessoas desrespeitam a figura dos policiais e avançam sobre eles, o que tem causado mortes e lesões dos dois lados. Num passado recente era inconcebível uma pessoa sã atacar um policial armado.

 

Ante esse quadro, a desumanização da figura do policial veio à reboque. É possível observar uma certa psicopatia no ar ao ver que a sociedade não demonstra nenhuma empatia com os operadores de segurança pública que tombam assassinados por marginais. 


É como se o discurso hegemônico de proteção ao banditismo e criminalização da polícia produzisse uma Síndrome de Estocolmo coletiva, onde os indivíduos passaram a ter simpatia por seus algozes e odiar seus protetores, assim como ovelhas que odeiam cães pastores e sorriem simpáticas para os lobos que as devorarão.

Não se combate a criminalidade vestindo camisas brancas e pedindo paz. 


Nenhum bandido  abandonará o crime e se tornará um trabalhador por causa disso. É preciso que a sociedade entenda em sua plenitude o velho adágio romano: si vis pacem, para bellum, que, nos dias de hoje, significaria: se queres paz, apoie a polícia. 


É preciso sustar o cheque em branco da impunidade e da hipocrisia e valorizar os soldados cidadãos que, ao fazer o enfrentamento direto ao crime, tentam devolver as ruas do país às pessoas de bem.


Filipe Bezerra é Policial Rodoviário Federal, bacharel em Direito pela UFRN, pós-graduado em Ciências Penais pela Anhaguera-Uniderp, bacharelando em Administração Pública pela UFRN e membro da Ordem dos Policiais do Brasil. Originalmente publicado no site novojornal.jor.br

Temer, modas de primavera - VINICIUS TORRES FREIRE

quarta-feira, julho 06, 2016



FOLHA DE SP - 06/07

Desastres novos à parte, Michel Temer deve roer o osso mais duro de seu governo apenas lá por setembro. Então é que se deve voltar a discutir o teto de gastos e a Previdência.

Até a primavera, Temer teria então trégua e tempo de apresentar medidas de animação do setor privado, as quais em tese devem compensar o ajuste fiscal que não virá em seu governo, mas no "longo prazo". Esse parece ser o núcleo do plano temeriano.

Nesta quinta (7), Temer e companhia passam o último vexame maior do primeiro bimestre de governo. Apresentam a meta fiscal para 2017, o deficit primário (receitas menos despesas, exceto gastos com juros).

O rombo previsto será grande. O governo será acusado outra vez de relaxamento, mas não há sinal de debandada da elite: críticas abertas de gente de peso ou tumulto nas projeções e nos preços do mercado.

Ainda assim, será vexame e gasto do crédito que o governo Temer recebeu. Para não pegar mal, não deve vir quase nada de aumento de imposto (velho ou novo).

Há rumores de que o buraco nas contas federais deve ficar entre R$ 130 bilhões e R$ 170 bilhões, média de R$ 150 bilhões. A estimativa mediana no mercado anda pela casa de R$ 100 bilhões.

Ainda assim, o governo pode até mudar a lei de linhas gerais do Orçamento e a meta, que devem ser votadas depois de agosto. O Congresso entra em recesso branco na metade de julho. Até 21 de agosto, há a diversão da Olimpíada. No resto do mês, a provável deposição de Dilma Rousseff.

Nesses dois meses, o governo deve apresentar projetos que animem os donos do dinheiro grosso. Em escala menor, o plano, se é um plano, lembra um pouco o governo FHC 1.

Os superavit fiscais então eram minúsculos –não havia ajuste fiscal algum. O governo tinha, porém, o enormíssimo crédito de ter controlado a inflação e um programa de privatizações, de limpeza de esqueletos fiscais e de remoção de entulho burocráticos, um plano "amigo do mercado". Mesmo com as contas públicas em desordem, o país saiu do subsolo do buraco.

Nesta semana, o governo pretende aprovar a renegociação da dívida dos Estados, normas para limitar a farra podre nos fundos de pensão e desobrigar a Petrobras de tomar parte em todas as explorações do pré-sal.

A seguir, a ideia é tentar limpar alguma parte do entulho burocrático que dificulta a vida das empresas (grátis e consensual) e, mais complicado, flexibilizar a lei de licitações e os licenciamentos de obras de infraestrutura.

Pretende-se anunciar privatizações na área de energia, dos seguros da Caixa e do IRB, alguma definição sobre o financiamento das concessões de infraestrutura e alguma receita para diminuir a ruína das estatais maiores (Petrobras e Eletrobras).

É o que dizem, pelo menos: mudanças "nada traumáticas" que diminuam o "custo de fazer negócios" no país, como diz o chavão.

O programa não será de grande utilidade, porém, se não vierem o teto e uma reforma da Previdência.

A praça está engolindo a seco a perspectiva de deficit primários enormes até pelo menos 2018. Mas, se não houver perspectiva, "regras fiscais", para tapar o rombo no médio prazo, tudo desanda. Para começar, os juros não caem. O recomeço do futuro ficaria adiado para 2019.


A alternativa - ROSÂNGELA BITTAR

quarta-feira, julho 06, 2016



Valor Econômico - 06/07

Existe apenas uma alternativa ao governo Michel Temer: é o governo Dilma Rousseff. O processo de desestabilização aplicado ao governo interino tem feito questão de desconhecer essa realidade. Estão ambos em campanha para que, em agosto, o Senado Federal diga qual dos dois vai comandar o país.

O governo Dilma é mais do que conhecido. Nesses dois meses de gestão na interinidade, Temer se deu a conhecer. Conseguiu muito: estabelecer uma base mais fiel no Congresso, fixar a meta de resultado fiscal para este ano e o próximo (o que deve acontecer a qualquer momento esta semana), aprovar a desvinculação de receitas, formular uma política fiscal com base no teto de gastos e aguardar pela sua aprovação negociada, conseguir do Congresso a realização de votações para liberar reajustes concedidos e represados há oito meses, promover a correção do programa símbolo Bolsa Família, recompor uma equipe de excelência para gestão da economia, aí incluídos dirigentes de estatais e bancos públicos que pudessem devolver segurança no manejo do elevador de subida, renegociar a dívida dos Estados e tocar o dia a dia junto com a sombra da Operação Lava-Jato, que incapacita os governos de qualquer partido à tranquilidade. É um senhor saldo. O clima negativo mudou um pouco, esmaeceu a opacidade e a paralisia incapacitante parece ter ficado para trás.

Há, então, esse governo de dois meses incompletos, e há o da Dilma, de 17 meses anteriores a maio, com um saldo menor e crise política, econômica e moral equivalentes. Depois de agosto, ou é um, ou é o outro. Arquivem-se ideias mirabolantes do arsenal de recursos para manter o poder, tais como uma nova eleição agora, um plebiscito, ou qualquer invencionice que, neste momento, se apresente como alternativa.

Essa é a realidade da política, de um governo político, de uma democracia representativa, de nível e gosto duvidoso, porém não importa, é este o Congresso que há e, a julgar pela evolução da história da política brasileira, o próximo será seguramente pior.

Portanto, melhor seria se o multifacetado mercado, que não é um, mas são muitos, dominados por diferentes tipos de forças e pressões - há o financeiro, doutor em manobrar a crise, há o produtivo, insulado pelo colapso do consumo, há o dos negócios da infraestrutura, sem o qual não há crescimento e emprego - fosse tratado como tal, um jogo, que não inclui entre suas regras a paciência, a persistência, e a criatividade nas soluções.

O que prevalece nele é a falta de imaginação e a pressa. Tecnocratas que voltam a repetir o mesmo que disseram em todas as crises de todos os governos, os conceitos vagos, as saídas de sempre, ao ônus das mesmas presas fáceis de sempre. Do governo Temer, cobra-se, hoje, um plano pronto e acabado e zero de experiências e negociações políticas, antes mesmo de se tornar definitivo. Se entregar o que pedem, não se tornará.

Empossada com pompa uma equipe econômica de excelência não porque o mercado o exigia, mas porque o país precisava de autoridade para formular um projeto e reverter a sua queda vertiginosa abismo adentro, enquanto no plano político havia boa tensão para dar solidez ao governo a seguir adiante. Desta equipe se está a exigir, agora, 50 dias depois, o resultado de uma vida.

Do caminho percorrido até aqui não brotam milagres, menos ainda do que é preciso seguir nos próximos dois anos, seja com que gestão for. O governo em ação é interino, vale lembrar a todo momento, precisa da confirmação dentro de um mês e é a política que o comanda, embora seja admirável o grupo que conseguiu nomear no seu projeto para a economia.

São muitas as tentativas de desestabilizá-lo, mas está aí um governo que acredita na política, na interação entre os Poderes Executivo e Legislativo, principalmente, num momento em que o Judiciário está às voltas com a liderança firme do combate à corrupção, mal que gravou todos os Poderes, em especial os Executivos do PT e do PMDB, titulares dos governos em disputa. A realidade exige prosseguir nesta guerra e governar lado a lado com a Operação Lava-Jato.

Para manter o país funcionando, fazer política é preciso. Inaceitável, por exemplo, que o presidente em exercício, Michel Temer, anuncie constrangido que vai tomar, no futuro, medidas impopulares. Uma substituição de um governo por outro não pode ser uma sucessão de falta de originalidade. Temer faz uma ameaça à sociedade. Se as medidas são impopulares, como aponta, por que adotá-las? Se o são, não as faça. Para que punir o cidadão? Não tem mais de onde tirar soluções a não ser do assalariado? O governo tem obrigação de ser generoso.

Temer, no seu mais recente discurso, aceitou a corda para se enforcar. Essa equipe de alto nível, com Ilan Goldfajn, Henrique Meirelles, Mansueto de Almeida, Carlos Hamilton, Pedro Parente, Silvia Bastos, José Serra, Paulo Caffarelli, não conseguirá inventar uma nova política? O crescimento só se fará com as dores do povo?

Juscelino Kubitschek, o exemplo de democrata para os governos pós ditadura militar, sempre vencendo a comparação com qualquer outro, foi criticado por ambíguo, contraditório, e conseguiu compatibilizar a, digamos simbolicamente, plutocracia paulista com a panela de pressão da esquerda, sem descuidar da classe média.

A política de desenvolvimento é feita de contradições e ambiguidades necessárias. O mercado não é monolítico, a sociedade também não, a política menos ainda. Não leva a nada contrapor um ao outro. A ruptura, no Brasil de hoje, acabou ficando inaceitável.

Aponte-se o dirigente de maior sucesso hoje, no mundo, e identifique-se o que o move. O Papa Francisco deve seu destaque ao rompimento com a inflexibilidade ou não? Não está tergiversando com a moral, com os costumes, com a fé, mas reconhecendo as situações de fato e enfrentando-as com bom senso.

O torniquete que se quer impor a um governo que prefere agir politicamente está viciado, representa interesses específicos que talvez não sejam o bem comum. Não é momento de aplicar teorias, mas de ter proposta para pessoas reais. Um governo necessário precisa coragem para contrariar velhos modelos.

Se ficar, por sucessão constitucional, o governo Temer tem que estar preparado para apresentar seu caminho depois de agosto. E Dilma Rousseff, em lugar de estar brincando de guerrilha, inclusive internacional, deveria debruçar-se sobre seu plano de condução do país para os dois anos finais até a próxima eleição presidencial. Senão não se sabe para quê quer voltar. Só existem os dois governos, e um é a alternativa ao outro.


Paradoxo de Chaui – UIRÁ MACHADO



Folha de SP - 06/07

Marilena Chaui não é o dr. Simão Bacamarte, mas, assim como o personagem inventado por Machado de Assis, a certa altura da vida passou a enxergar no mundo somente dois tipos de pessoa.

Para o médico de "O Alienista", havia os loucos e os sãos; para a professora de filosofia da USP, há os defensores intransigentes dos governos petistas e os inimigos do Brasil. Entre as categorias, nenhuma nuance.

Quando Bacamarte decidiu levar suas ideias ao extremo, ampliando desmesuradamente o território da loucura, quatro quintos da população de sua Itaguaí terminaram enclausurados no manicômio local.

Quando Chaui faz o mesmo com suas teorias, o juiz federal Sergio Moro se transforma num agente treinado pelo FBI para desestabilizar o país e entregar o petróleo nacional às companhias norte-americanas.

"A Operação Lava Jato não tem nada a ver com a moralização da Petrobras", ensina a professora. "É para tirar de nós o pré-sal."

No maniqueísmo de Chaui, tudo que atinge a esquerda está a serviço da direita. O combate à corrupção não tem valor se afetar administrações do PT —pois integrará, nesse caso, um plano para debilitar os únicos defensores da soberania nacional. Foi assim durante o mensalão, é assim no petrolão.

Em vez de fomentar a autocrítica dentro do campo ideológico que representa, a autora do premiado "Convite à Filosofia" propõe discussões em torno de puros disparates. Com suas simplificações risíveis, Chaui, considerada uma referência intelectual, pouco ajuda e muito atrapalha a causa em que acredita.

No conto "O Alienista", após muito refletir sobre suas teorias, o médico curvou a cabeça e recolheu-se ele próprio ao manicômio. Marilena Chaui não é Simão Bacamarte, mas, se considerar bem o estrago que tem provocado na esquerda brasileira, talvez venha a acusar a si própria de estar a serviço da direita —sabe-se lá se treinada pelo FBI.

domingo, 3 de julho de 2016

20 regras (odiosas) do pensamento feminista

http://machismoesclarecido.blogspot.com.ar/2012/08/como-as-mulheres-modernas-pensam.html


por Soldado


Baseado no texto The Sweet Pink Rules of Feminism


1. Feminismo é a idéia de que podemos fazer os dois sexos iguais focando apenas nos problemas de um deles.

2. As mulheres são tão boas quanto os homens em tudo, exceto nas coisas em que as mulheres são melhores.

3. As mulheres são igualmente capazes de fazer tudo que os homens fazem e os homens não fazem nada direito.

4. Nós desprezamos comportamentos associados ao estereótipo da masculinidade, mas celebramos quando o mesmo comportamento é exibido pelas mulheres.

5. Nós exigimos que as mulheres possam entrar na polícia/exército porque nós somos igualmente capazes de encarar pessoas perigosas e violentas. Mas nós também rimos da idéia de que um marido possa ser vítima de abuso físico porque todo mundo sabe que elas não são capazes de encará-los.

6. Nós atacamos os estereótipos de gênero que retratam as mulheres negativamente, enquanto abraçamos os que nos retratam positivamente. Para os homens nós invertemos essa regra.

7. “Poder” nas mãos dos homens é sempre destrutivo, egoísta, tirânico, nocivo e opressor. O mesmo “poder” nas mãos das mulheres é sempre democrático, acolhedor, honesto, bom para o meio-ambiente e bom para a humanidade.

8. Os homens não sabem como é difícil ser mulher porque nunca estiveram na nossa pele. Mas nós sabemos como é fácil ser homem mesmo sem nunca ter estado na pele deles.

9. Qualquer crítica ao feminismo é um discurso de ódio, mas o discurso feminista pode criticar e ser odioso quanto quiser. Qualquer crítica às mulheres é machista, odiosa ou frustrada, mas críticas aos homens são aceitáveis.

10. Se alguém ousa criticar os comportamentos das feministas, você deve desdenhá-lo dizendo que ele está atacando “femistas” ou “falsas feministas” – caricaturas das “verdadeiras feministas”. Sinta-se livre para atacar os homens todos os dias da semana com a falácia do espantalho.


11. Se você não é mulher, então sua opinião não conta, seu sexista.

12. O único feminismo que você está oficialmente autorizado a criticar é o da Valerie Solanas. Essa feminista precisou defender o extermínio de metade do planeta – literalmente – antes que as outras feministas percebessem que ela tem um parafuso a menos.

13. Uma feminista precisa dizer “patriarcado” ou “machismo” pelo menos noventa e sete vezes por hora. Na milionésima vez que ela usar uma dessas palavras, ela ativa uma chuva de confetes e ganha um prêmio fabuloso.

14. Como uma feminista, você deve se opor aos estereótipos de gênero. Mas não deixe isso impedi-la de constantemente estereotipar os homens como uma classe privilegiada de opressores debilóides que sempre conseguem o que querem.

15. Ovários bons, testículos maus. O cromossomo X é bom, Y é ruim. Testosterona malvada.

16. Nós acreditamos que todas as mulheres deveriam ter acesso irrestrito a qualquer tipo de aborto, sem nenhuma pergunta. Nós também acreditamos que aborto deveria ser firmemente restrito na China para prevenir que milhões de garotas em potencial tenham suas vidas roubadas.

17. Nós definimos o machismo como "a crença de que os homens são superiores às mulheres" ou "comportamento de quem não admite a igualdade de direitos para o homem e a mulher". Mas tudo que nos desagrada chamamos de machismo, mesmo quando não cabe nas nossas definições.

18. Se um homem trabalha 60 horas por semana para sustentar sua mulher que cozinha e lava, o homem explora a mulher. Se uma mulher trabalha 60 horas por semana para sustentar seu marido que cozinha e lava, o homem explora a mulher.

19. Se existem mulheres que não aceitam o feminismo, o problema está só nelas e não no feminismo.

20. Queremos igualdade dos sexos, mas sem perder nossos benefícios exclusivos, como cavalheirismo, prioridade em emergências, pagar menos em festas, não pagar contas de restaurantes e motéis (no máximo rachar) etc.