terça-feira, 15 de janeiro de 2019

UOL – Damares estreia no Twitter: "nenhuma criança mais vai chorar nessa nação"


UOL – Damares estreia no Twitter: "nenhuma criança mais vai chorar nessa nação"


Colecionando polêmicas causadas por declarações recentes e antigas, a ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, estreou neste domingo (13) o seu perfil oficial no Twitter, abrindo assim um canal direto o público.

Em quase seis horas, ela já tinha mais de 16 mil seguidores na rede social, que se tornou um dos principais meios de comunicação do presidente Jair Bolsonaro (PSL).

Já no segundo tuíte, ela tratou de um dos temas mais presentes em seus discursos e entrevistas: a pedofilia.

No mês passado, a ministra detalhou em entrevista à Universa a série de estupros dos quais revelou ter sido vítima quando era criança.

Depois de anunciar o início de "uma nova era!", Damares decretou o fim de "pedófilos, consumidores de pornografia infantil, traficantes e exploradores de crianças", justificando a constatação pelo fato de Bolsonaro ser presidente e de o ex-juiz federal Sergio Moro ser ministro da Justiça.

"Nenhuma criança mais vai chorar nessa nação. Não mediremos esforços para amá-las e protegê-las!", escreveu.

Na primeira publicação, ela deu as boas-vindas ao seu Twitter oficial e informou que qualquer outro com o seu nome é "fake" (falso).

Damares pediu aos usuários que denunciem uma conta de paródia que, disse, não tem qualquer relação com ela ou com o ministério.

A descrição do perfil informa que ela é "mãe, pastora evangélica, educadora e advogada".

Na foto de capa da página, ela aparece ao lado do presidente Jair Bolsonaro (PSL), no dia da posse, ao lado do título "Dra. Damares Alves".

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Valor Econômico – A conta do populismo ( e da corrupção sic*)no Brasil e na Argentina

Valor Econômico – A conta do populismo no Brasil e na Argentina / Artigo / Cristiano Romero


Por Cristiano Romero
Silvia Izquierdo / AP Photo

A história mostra que, no continente em que vivemos, é ilusório esperar que o ajuste das contas públicas seja feito por meio de corte de despesas, e não pelo aumento de impostos. A chaga do populismo na região, somada no Brasil à do patrimonialismo, impõe uma espécie de piso à redução dos gastos. Diante disso, sair de uma crise fiscal parece impossível, uma vez que políticas populistas tornam os eleitores muito sensíveis a cortes em programas que, na aparência, têm caráter social, isto é, distribuem renda e visam melhorar a vida dos mais pobres.

A irresponsabilidade fiscal é um cancro em sociedades como a brasileira e a argentina, justamente, as duas maiores da América do Sul. Por aqui, a aprovação no ano 2000 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) parecia ser o marco histórico da mudança de costume na maneira como políticos e agentes do Estado passariam a lidar com a contabilidade pública. O princípio básico da LRF é o seguinte: uma despesa pública não pode ser criada sem que haja uma receita equivalente para pagar a conta; e, na hipótese de queda da arrecadação, fim da vigência legal de um tributo ou renúncia tributária, gastos - de valor equivalente ao da perda - devem ser cortados.

O que permeia esse princípio é o equilíbrio: na contabilidade pública, o que o governo arrecada com impostos deve ser suficiente para pagar as contas. Dito de outra forma: a despesa pública não deve superar o que o Estado recolhe em tributos pagos pelos cidadãos. Quando os gastos superam as receitas, o governo tem duas alternativas: aumentar impostos ou tomar dinheiro emprestado de cidadãos e empresas.

Não se deve ter dúvida: ajuste terá elevação de imposto

Como elevar tributos é a faceta mais visível do enfrentamento do desequilíbrio orçamentário, cidadãos e empresários costumam reagir de maneira ruidosa. A razão é simples: alta de imposto diminui imediatamente a renda disponível das famílias e das empresas. Já o aumento da dívida, a segunda alternativa para lidar com o desequilíbrio das finanças públicas, é algo etéreo para a maioria dos viventes nesta Ilha de Vera Cruz e, por isso, tão equivocadamente "aceita".

A carga tributária cresce e todos nos revoltamos porque o dinheiro no bolso para gastar com consumo, viagens e coisas mais nobres encolhe. A dívida se expande e não tomamos conhecimento. Parece uma estatística sem consequência, sem efeito na vida real. Ledo engano.

Quando um país gasta muito mais do que arrecada, a dívida pública, isto é, de todos nós como nação, cresce sem parar e suas decorrências são perversas: como o governo precisa tomar emprestado para bancar os gastos adicionais, o dinheiro disponível para financiar consumidores e empresas diminui e, por essa razão, o custo do crédito (a taxa de juros) eleva-se, tornando mais difícil financiar o consumo e o investimento produtivo.

O crescimento contínuo da dívida pública é trágico para qualquer país, especialmente, para países ainda em busca do desenvolvimento, como o Brasil. Com o passar do tempo, pressionados por diversos setores da sociedade, governantes, diante da dificuldade de cortar gastos e elevar impostos, começam a criar "soluções" para, em tese, minorar o problema. Foi daí que, no nosso caso, surgiram uma miríade de subsídios e privilégios para grupos específicos (todos muito bem representados em Brasília) e jabuticabas como o crédito direcionado, que cobra taxas de juros bem inferiores às do mercado, é bancada com dinheiro público e hoje equivale a cerca de 50% do volume de crédito da economia, o que significa dizer que a outra metade se financia a taxas de mercado, referenciadas na taxa básica de juros (Selic), sendo que esta, por sua vez, reflete o custo dos títulos emitidos pelo governo (para financiar o desequilíbrio das contas públicas).

Um parêntesis para mostrar a perversidade brasileira: ora, se 50% do crédito é direcionado, ou seja, é alheio ao aumento da taxa Selic, administrada pelo Banco Central (BC) como instrumento de controle da inflação, conclui-se que o BC é obrigado a elevar os juros, para a outra metade do crédito, com maior intensidade para assegurar o mesmo resultado do ponto de vista dos preços. O círculo da crueldade se completa assim: o crédito direcionado vai, primordialmente, para grandes empresas, que a rigor não precisam desse dinheiro, uma vez que poderiam captá-lo nos mercados nacional e internacional, e o chamado "crédito livre", muito mais caro, vai para pessoas físicas, pequenos lojistas e construtoras, empreendedores etc., que ademais, por falta de garantias, têm enorme dificuldade de ter os empréstimos concedidos pelos bancos. Alguma coisa está (muito) fora da ordem...

Economistas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas analisaram dois modelos de ajuste fiscal adotados em momentos de grande dificuldade pelo Brasil (em 1999-1998) e a Argentina (desde 2015). "Em ambos os casos, os ajustes pouco se deram pelo corte de gastos correntes e implicaram fortes recuos do investimento público. Os dois episódios revelam padrão semelhante: gastos previdenciários e sociais incompreensíveis e ajustamento via alternativas como corte de investimentos, alguma compressão de custeio e salários e aumentos de tributos", diz Luiz Guilherme Schymura, diretor do Ibre e que tratará da questão no próxima carta de conjuntura da entidade.

O que fica evidente nos dois casos de ajustes fiscais drásticos e profundos, no contexto de democracias sul-americanas, é que é ilusão achar que esses podem ser feitos exclusivamente pelo corte de despesas. "O problema é que as crises econômicas por trás da necessidade imperiosa de ajustamentos fiscais têm componentes estruturais e conjunturais. Os primeiros estão ligados a despesas rígidas e cujo aumento é difícil de conter dentro do jogo político democrático, já que abrangem gastos previdenciários e sociais", diz Schymura.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2019

Folha de S. Paulo – Bolsonaro recua e desiste de base americana no Brasil

Folha de S. Paulo – Bolsonaro recua e desiste de base americana no Brasil


Presidente fez chegar aos líderes militares, contrariados com a sugestão, que não dará curso à ideia

Em mais um recuo após a má repercussão da ideia, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez chegar aos comandantes militares e oficiais generais da cúpula das Forças Armadas a informação de que não haverá nenhuma base americana instalada no Brasil durante seu mandato.

Segundo a Folha apurou com oficiais generais que receberam o recado, a mensagem foi passada pelo ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva.

Bolsonaro havia citado a possibilidade da instalação de uma base dos EUA, país com o qual vem travando uma aproximação agressiva desde que foi eleito, durante entrevista ao SBT na semana passada.

Seu chanceler, Ernesto Araújo, confirmou a intenção na sequência. Ela foi elogiada, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, pelo secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, que esteve na posse do presidente no dia 1º.

A declaração pegou os militares de surpresa, ainda mais vinda de um egresso das fileiras do Exército conhecido pela retórica nacionalista.

O Alto Comando do Exército, centro de gravidade do poder militar brasileiro, expressou seu descontentamento em conversas de seus membros —os generais de quatro estrelas, topo da hierarquia. Azevedo e Silva, que foi do colegiado e hoje está na reserva, conversou com Bolsonaro.

Os EUA possuem mais de 800 bases em cerca de 80 países, mas nenhuma ativa na América do Sul. Estiveram presentes na Colômbia em acordo com o governo local, dando apoio ao combate às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia).

Atuaram no Paraguai e, de 1999 a 2009, ocuparam uma base no Equador.

No caso colombiano, há talvez mil militares americanos ainda em solo após o acordo de paz entre governo e Farc, em 2016. Mas o plano de estabelecimento de bases locais foi rejeitado pela Justiça do país.

No Brasil, a simples ideia de haver militares americanos instalados permanentemente causa urticária ao alto oficialato. O grau do desconforto, ou de alívio com o recuo, será aferível nesta terça (8): Bolsonaro estará em um almoço em homenagem ao comandante da Marinha.

A ideia da base contraria os princípios de soberania e busca de meios de autodefesa estabelecidos pela Política Nacional de Defesa e pela Estratégia Nacional de Defesa.

Mesmo que prosperasse, ela precisaria de autorização do Congresso, após o presidente consultar o Conselho Nacional de Defesa.

O Brasil só abrigou militares americanos durante a Segunda Guerra Mundial. Em 1942, a ditadura de Getúlio Vargas cedeu áreas em Natal para operações aeronavais aliadas no Atlântico, em troca de favorecimento político e econômico.

Outra preocupação levantada pelos militares diz respeito a precedentes. A Rússia conversa há anos com a ditadura chavista da Venezuela sobre instalar uma base na costa caribenha do país, e poderia se sentir estimulada por um movimento do gênero do Brasil.

De quebra, uma base russa cairia como uma luva para o acossado governo de Nicolás Maduro, cuja reeleição foi denunciada por Brasil e outros.

A China, que vem comprando posições na exploração de commodities e na área de energia na região, também poderia buscar alguma parceria, trazendo elementos exógenos à tradição neutra da região.

A sugestão de Bolsonaro também causou preocupação na Força Aérea Brasileira, mediadora das negociações para o estabelecimento de um acordo com os americanos para o uso comercial da Base de Alcântara, que tem uma das melhores posições geográficas para lançamento de foguetes do mundo.

O temor era que a discussão de uma outra base americana fosse levada ao Congresso, confundindo com o papel da base de foguetes, totalmente diverso, melando o acordo.

Todo esse contexto leva à dúvida: como Bolsonaro deu curso à possibilidade?

Não existe certeza, mas o núcleo militar do governo, formado por generais da reserva em altos cargos, não havia sido ouvido sobre o caso.

A Folha ouviu de oficiais da ativa que as suspeitas todas recaem sobre o novo chanceler, que é um fã declarado do governo de Donald Trump e considera o presidente americano um líder no suposto embate entre os valores ocidentais e o globalismo.

Segundo a visão que esposou em artigos e em seu discurso de posse, o globalismo seria um ataque de raiz marxista a esses valores, e apenas a união de países de tradição cristã poderia enfrentá-lo.

Isso casa com as ideias do escritor Olavo de Carvalho, que indicou Araújo. Como o fiador do chanceler no cargo é Eduardo Bolsonaro, deputado pelo PSL-SP e filho do presidente, os militares creem que a ideia emergiu por meio da influência familiar.

De uma forma ou de outra, assim como teve a decisão de subir impostos desmentida pela área econômica na sexta (4), Bolsonaro teve de recuar.

E o fez numa área delicada, já que há um complicado equilíbrio entre os influentes militares de sua equipe e as Forças Armadas, que os apoiam, mas que temem politização de suas fileiras.     

Poder 360 – Em artigo, Ernesto Araújo afirma que Bolsonaro foi eleito para mudar o país

Em artigo, Ernesto Araújo afirma que Bolsonaro foi eleito para mudar o país

Fala em política externa ‘esquerdista’
Critica governos de Lula e de Dilma
Em artigo, chanceler diz que críticos querem que o Brasil 'não pense'Sérgio Lima/Poder360 - 14.nov.2018

07.jan.2019 (segunda-feira) - 17h15
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou, em artigo publicado nesta 2ª feira (7.jan.2019) pela agência de notícias Bloomberg, que se oporá à política externa “esquerdista e caótica” dos últimos governos petistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
No texto, o chanceler ainda promete que tornará “o Brasil 1 ‘player’ global novamente“.

O chanceler destacou que seus críticos defendem que o Brasil “não pense” e “não incomode” outras nações. Afirmou que tal estratégia “não funciona e não será respeitada“. Confira a íntegra.
“Querem que a abordagem de marketing [do Brasil] seja: ‘olhe, sou o Brasil. Não penso nada. Não tenho ideias. (…). Não tenho 1 eu. Não incomodo ninguém. Faça negócios comigo!’, ironiza o ministro, que rebate com um exemplo: ‘Olhe para a China, que defende sem piedade seu sistema, afirma seus interesses e identidade nacionais, suas ideias específicas sobre o mundo – e todos fazem mais e mais comércio com eles.’”
Araújo cita também o filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein, afirmando, de acordo com o artigo, que as pessoas devem aceitar o mundo como ele é. Desta maneira, o ministro destaca que as pessoas estão “acostumadas a mudanças ruins que preferem não arriscar nenhuma mudança“.
“Eu não gosto de Wittgenstein”, afirma Ernesto Araújo. “O pessimismo de tomar o mundo tal como o encontramos é a raiz filosófica da atual ideologia globalista totalitária”, afirmou. Ele acrescenta: “[Bolsonaro] não foi eleito para tomar a política externa brasileira como a encontrou, levantar a bandeira do ‘pragmatismo’ superficialmente e ir para casa. Não é isso que o povo brasileiro –o pensamento, o ego independente com suas próprias paixões e ideias, e não os autômatos pós-modernos– querem e merecem. A política externa brasileira deve mudar: isso faz parte do sagrado mandato do povo confiado a Jair Messias Bolsonaro”.
O diplomata ainda afirma que “o Brasil tem um papel muito maior no mundo do que aquele que atualmente atribuímos a nós mesmos”.
“Queremos promover a liberdade de pensamento e liberdade de expressão em todo o mundo. Isso é essencial para promover qualquer outro tipo de mudança e qualquer outro tipo de liberdade. A eleição de Bolsonaro no Brasil só foi possível porque as pessoas puderam trocar livremente suas ideias e expressar seus sentimentos livres da ‘camisa-de-força’ da mídia tradicional. Esta lição é inestimável”.
No texto, Araújo diz que o Brasil conseguiu mostrar ser possível “desmantelar pacificamente um sistema de décadas de crime e corrupção com coragem“.
“Queremos promover a paz (…). Mas você não promove a paz e a segurança fingindo que as ameaças que você enfrenta não existem (…). Você tem que enfrentar as ameaças, e a principal delas vem de regimes não democráticos que exportam crime, instabilidade e opressão”, afirmou. “Você não pode simplesmente ignorar ditaduras como Venezuela e Cuba (…). Especialmente, quando você as deixa preservar e estender seu poder, com a desculpa de que isso é ‘o mundo como o encontramos’”.
O chanceler termina dizendo que a política comercial brasileira “ficou adormecida por muito tempo”. Afirma que sua gestão expandirá o comércio “de forma ambiciosa e criativa”.
“Os críticos diriam que, falando sobre liberdade e democracia, e levando esses conceitos a sério, somos ideológicos. Eles argumentariam que a defesa da liberdade e da democracia porá em risco nosso comércio. Seria um mundo triste se esse fosse o caso”, afirmou. “O Brasil mostrará que você pode aumentar sua participação no comércio internacional e nos fluxos de investimento, mesmo quando você pisa com confiança no cenário mundial para defender a liberdade, falando com a voz do próprio país”, disse.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Folha de S. Paulo – A guerra acabou / Artigo / Carlos Brickmann

Folha de S. Paulo – A guerra acabou / Artigo / Carlos Brickmann É preciso pôr fim à propaganda eleitoral e trabalhar Está difícil perceber, mas a campanha eleitoral já terminou. O PT está na oposição; Bolsonaro é o presidente. Os dois lados fariam bem se, agora, se dedicassem à tarefa que os eleitores lhes indicaram. Nossa bandeira é um símbolo da pátria e não deve ser banalizada. Não façamos com nossa bandeira o que o futebol fez com nosso hino: de tão repetido, o público já não canta junto, não se emociona, nem sequer faz silêncio. Campanha é campanha, e os candidatos tentam provar que são gente como a gente. Não são: têm diferenças que nos levam a escolhê-los. O lema "um brasileiro igualzinho a você" não funcionou por esse motivo: se é para escolher alguém igualzinho a mim, voto em mim, e a eleição fica empatada. Foi bonito ver a esposa de Bolsonaro discursando em Libras, a Língua Brasileira de Sinais, para os surdos? Sim --emocionante. Mas não é tema para debater dias e dias. Bolsonaro assina documentos com caneta Bic? Não tem importância: importa, isso sim, o conteúdo dos documentos. São medidas boas, corretas? Beleza --assinadas com Bic, Parker ou Montblanc. Michele tem costureira boa, não gasta com grifes? Seu marido gosta de arroz, feijão e pastel? Eu também --e daí? Isso nada diz sobre sua competência. E alguém acredita que Bolsonaro lave roupa? A propaganda (de ambos os lados) já encheu. Chega de notícias que surgem só para gerar fotos e manchetes. O governador do Rio, Wilson Witzel, disse que Bolsonaro vai propor lei que iguale terroristas e traficantes e autorize alvejá-los se portarem armas de guerra. É falso: como terrorismo não está definido em lei, não adianta igualar traficantes a terroristas. Seria preciso antes definir o crime de terrorismo e suas penas. E atirar em quem porta publicamente armas de combate não será a implantação da pena de morte, vedada por nossas leis? Por melhor que seja o governo Bolsonaro, terá oposição. Faz parte da democracia. O comunismo não deu certo em potências como União Soviética e Alemanha Oriental, mas ainda existe. No Brasil continuará havendo comunismo e comunistas, mesmo que todos os projetos do atual governo deem certo. Se o caro leitor acha absurda a sobrevivência do comunismo após a queda do Muro de Berlim, lembre-se de que há até hoje adeptos da tese de que d. Sebastião, rei de Portugal derrotado e morto em batalha na África, em 1578, na verdade não morreu e voltará em triunfo para reassumir o trono de Portugal, extinto há 108 anos. Há um filme, "A Facada no Mito", que lança dúvidas sobre o atentado a Bolsonaro. De quem é o filme? Não se sabe. Qual a produtora? Não se sabe. Há indícios de que um canal de YouTube foi criado só para divulgá-lo. E há quem o recomende. Um parlamentar quer inserir no ensino público a biografia elogiosa de um torturador, Brilhante Ustra. O que pretende, além de provar que não sabe o que é ensinar sem doutrinar? Eliminar os livros que, a seu ver, inoculam o veneno do comunismo nos estudantes, e trocá-los por outros que fazem a mesma coisa, mas louvando bárbaros do outro lado? É demais. A guerra acabou. Poupem-nos, senhores políticos. Que nos permitam um tempo de descanso de propaganda eleitoral. Vamos trabalhar --se houver suficientes empregos. E vamos viver.

O Globo – Bolsonaro é parte da ascensão de direita forte no mundo / artigo/ Merval Pereira

O Globo – Bolsonaro é parte da ascensão de direita forte no mundo / artigo/ Merval Pereira


5/01/2019

O governo Bolsonaro que ora se inicia tem proximidades ideológicas com dois movimentos internacionais que se unem em torno de ideias políticas de direita com pensamento liberal na economia. A emergência de uma direita politicamente forte no mundo, culminando em nossa região coma de Bolsonaro, leva a esquerda a perder força na América do Sul, com metade dos países sendo governados por partidos de direita, revertendo uma situação geopolítica. Há cinco anos, dos 12 países da região, só três eram governados por partidos de centro ou à direita: o Chile, de Sebastián Piñera, o Paraguai, de Federico Franco, e a Colômbia, de Juan Manuel Santos. Hoje, metade da região tem governos de centro ou centro-direita, dominando a vasta maioria da população e do PIB.

Steve Bannon, ex-conselheiro de Donald Trump e ideólogo de uma direita internacional, projeta um grupo para reunir os partidos de direita ou extrema direita da Europa em torno de discussões políticas comuns. Eduardo Bolsonaro, eleito o deputado federal mais votado da história do país, pretende ser o líder intelectual da direita na região, e está em sintonia com Bannon.

Na América Latina, a Fundação Índigo, ligada ao PSL, fez recentemente uma reunião em Foz do Iguaçu com diversos representantes de partidos de direita ou centro-direita, que pretendem ser um contraponto ao Foro de São Paulo, que reúne a esquerda de vários países, criado em parceria entre Lula e Fidel Castro, e chegou a elegera maioria dos presidentes de países vizinhos. Ao mesmo tempo, a adesão do novo governo brasileiro a uma política externa alinhada aos Estados Unidos leva a uma maior aproximação com Israel. A anunciada decisão de transferira embaixada brasileira para Jerusalém, acompanhando a decisão deTrump, tema ver com o apoio que evangélicos fundamentalistas lá e cá dão aos governos Trump e Bolsonaro.

O pastor Silas Malafaia chegou a afirmar que os evangélicos apoiaram Bolsonaro sobretudo porque ele se comprometeu com o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel, o que foi reafirmado por Bolsonaro ao próprio primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que permaneceu no Brasil por cinco dias. O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, muito ligado a Netanyahu, foi das autoridades presentes à posse de Bolsonaro. Aluta contra a elite globalista abarca desde aposição deTrump contra a ONU e demais organismos internacionais, a movimentação na Inglaterra para o Brexit, assim como os ataques do presidente da Turquia, Recep Erdogan, e do próprio Orbán contra a União Europeia. A emergência política da direita no mundo está merecendo análises em diversos centros de estudos, e um dos especialistas na área, o professor Jonathan Weiler, da Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, vê paralelos entre a vitória de Bolso n aro eaascen sã ode líderes populistas de direita que defendem as virtudes do nacionalismo e os perigos do globalismo, entre outras causas não diretamente ligadas aos problemas brasileiros, como o controle da imigração. Governos autoritários de direita surgem em países tão diversos quanto Dinamarca, Áustria, Hungria, Polônia, Guatemala e Peru. O que todos esses líderes têm em comum, diz W ei ler,éa habilidade de convencer muitas pessoasd eque om undoé um lugar perigoso, eque eles são os únicos que podem protegê-las. Oapeloàl ei eàord eme o nacionalismos ã o traços comuns a eles. Weiler divide os cidadãos em três campos de temperamento: os fixos, que têm medo de mudanças; os fluidos, mais abertos a elas, e os mistos, ambivalentes. É nesse ambiente que trabalham os líderes políticos.

O professor da Universidade da Carolina do Norte diz que classificares ses políticos simplesmente de autoritários reduza questão a fenômeno marginal, quando o comportam entoem relaçãoàr aça ei migraçãoé central na formação da opinião pública dos países. Aqui no Brasil, poderíamos fazer uma relação com os valores morais, enfrentamento da violência ou questões de gênero. E coma adesão do novo chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, ao movimento anti globalista. Quando as pessoas consideram que o caos está tomando contada sociedade e as ameaças são onipresentes, pondera o professor JonathanW ei ler, tendem afazer vista grossa ao autoritarismo no interesse de impor mais ordem. Sem levarem conta que a democracia é intrinsecamente conturbada. (Amanhã, o movimento evangélico)

Metade da América do Sul tem governos de centro ou centro-direita, dominando a maioria do PIB e da população

O Estado de São Paulo – Embaixador toma posse como número 2 do Itamaraty


Por Lu Aiko Otta

Chanceler Ernesto Araújo nomeou Otávio Brandelli como secretário–geral, que ficará a cargo da máquina do ministério

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, deu posse ontem ao embaixador Otávio Brandelli no posto de número 2 da pasta, o de secretário–geral. Trata–se do cargo mais elevado da casa, que é exclusivo dos diplomatas de carreira.

Em seu discurso, Araújo fez uma analogia: o presidente da República seria o arquiteto, o chanceler, o engenheiro, e o secretário–geral, o “mestre de obras” na construção de uma nova política externa para o Brasil. Ele frisou que sua gestão não se limitará a administrar a pasta, mas sim “construir algo”.

Brandelli, por sua vez, abriu seu discurso agradecendo sua “promoção” a mestre de obras. A brincadeira deixou clara a amizade entre os dois. Araújo contou que eles se tornaram amigos quando serviram em Bruxelas, nos anos 90. “Olho para o Otávio e sei o que ele está pensando, qual é o trocadilho”, disse o ministro, sorrindo. Brandelli confirmou, dizendo que a comunicação entre ambos é praticamente “telepática”.

Gaúcho como Brandelli, Araújo terminou seu discurso dizendo que será necessário abrir uma exceção ao lema proclamado pelo presidente Jair Bolsonaro em sua posse, que a bandeira verde–amarela jamais será pintada de vermelho. “Exceto se for a do Inter.”

Responsável pela administração da máquina do Itamaraty, Brandelli afirmou que dará “atenção prioritária” a um problema que aflige o corpo diplomático: o fluxo de carreira. Ele admitiu que esse problema “aflige” seus colegas e prometeu mudanças para “preservar a capacidade de recrutar e manter os melhores quadros do Brasil”.

Hoje, o Itamaraty convive com um inchaço nos níveis hierárquicos mais baixos causado pelo grande número de concursados durante a gestão de Celso Amorim, no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2003–2010).