terça-feira, 10 de outubro de 2017

Fascistas e Rentistas contra Bolsonaro


domingo, 8 de outubro de 2017

Fascistas e Rentistas contra Bolsonaro


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

A presidente do Supremo Tribunal Federal, Cármen Lúcia, aproveitou muito bem o Festival de Jornalismo Piauí Globo News, em São Paulo, para mandar alguns recados. Após recitar um trecho do poema “Nosso Tempo”, do também mineiro Carlos Drummond de Andrade - “Os homens pedem carne. Fogo. Sapatos/ As leis não bastam/ Os lírios não nascem da lei/ Meu nome é tumulto, e escreve-se na pedra.” -, Cármen do STF disparou: “Vivemos tempos de muito tumulto. Para mim, infelizmente, eu estou na presidência do Supremo e o Brasil quer uma solução para um mundo de tumulto”.
 

Cármen Lúcia associou o tumulto a um grave problema: “Hoje temos as questões gravíssimas de organizações criminosas dominando em todos os estados do Brasil. Por isso eu digo que não é cômoda, nem confortável, nenhuma poltrona na qual eu me assente, por uma singela circunstância: eu sou uma das pessoas que mais tendo informações não tenho a menor capacidade de ter sono no Brasil. Se o brasileiro soubesse tudo o que sei, tendo visitado 15 penitenciárias masculinas e femininas, seria muito difícil dormir”.

Cármen Lúcia manifestou sua preocupação direta com uma faceta do Crime. Uma pena que – talvez por força de seu poderoso cargo -, tenha incorrido em um erro habitual cometido por muitas autoridades. Focou na violência praticada pelas facções criminosas – o braço explícito das explosões de violência urbana. Também tocou nas polêmicas colaborações premiadas – que hoje abrem caminho tanto para obtenção legítimas de provas como também para ações nem tão legítimas de rigor seletivo, no pior estilo fascistóide.

Carmem Lúcia só não tratou do Crime Institucionalizado – definido claramente como a associação delitiva entre criminosos de toda espécie e membros da máquina estatal, a verdadeira geradora da quase totalidade dos crimes. O Crime não se organiza sem a ajuda ou conivência estatal. Por isso, não é surpresa o recente relatório do Tribunal Superior Eleitoral demonstrando como “facções criminosas” se infiltram e participam, diretamente, da atividade Política – que deveria ser legítima. As quadrilhas, de fino trato ou as mequetrefes, têm poder de eleger “seus” representantes.

O Brasil é um grande pesadelo. Mais parece um gigantesco manicômio penitenciário a céu aberto. Os cidadãos de bem são os prisioneiros. Reféns da hegemonia do Crime Institucionalizado. O Estado-Ladrão, sua Constituição e seu regime Capimunista viabilizam a ditadura criminosa. Os autoproclamados “donos do poder” e seus bandidos associados promovem um espetáculo fascista de violência institucionalizada. Empreendedores rurais e urbanos sentem a barbárie na pele. Seja a promovida pela máquina estatal e seus aparelhos repressivos, ou aquela praticada por assaltantes, narcotraficantes e afins.

A maioria do povo está cansada de tanta insegurança, roubalheira e covardia. Este sentimento, que beira a revolta e pode causar ou agravar grandes “tumultos”, é quem alimenta a candidatura presidencial de Jair Bolsonaro. Não é a eficácia do discurso ultraconservador do Bolsonaro que o coloca bem posicionado na corrida maluca ao Palácio do Planalto em 2018. O suposto sucesso dele, na realidade, é um reflexo da indignação popular – que beira à revolta. O Brasil se divide, claramente, entre quem é a favor do crime (ou conivente com ele) e aqueles que não suportam mais a covardia praticada pelo Crime Institucionalizado ou pelas facções criminosas dos presídios e áreas carentes.

Alguns segmentos da sociedade brasiliana, que se autoproclamam os donos do poder, não conseguem entender a realidade ou fingem que vivem no planeta manicômio. Eles promovem e acentuam as divisões e radicalismos que acirram a violência e os “tumultos”. É espantosa a atitude reacionária da esquerda radicalóide, da mídia hegemônica e do rentismo econômico contra Jair Bolsonaro. Estes parasitas estatais não entendem que, quando se ataca Bolsonaro, na verdade, agridem a maioria do povo brasileiro violentada pela máquina estatal e seu sistema de Crime Organizado e Institucionalizado. Por isso, quanto mais batem no Bolsonaro, mais fazem crescer o sentimento de revolta que ele corporifica.

O ataque infantil praticado pela Revista Veja contra Bolsonaro é um exemplo gritante da estupidez praticada pela turma Capimunista Rentista que deseja continuar mamando nas tetas estatais. O próprio Bolsonaro, em vez de ficar respondendo aos ataques, deveria deixar mais clara qual a sua proposta e visão de Estado. Se for para seguir com o modelo de Estado Interventor, parceiro do Crime, Bolsonaro deixa de ser uma ameaça ao sistema de corrupção vigente. A “alternativa” Bolsonaro não sobreviverá, caso insista apenas na repetição de clichês (supostamente) conservadores.

Inegavelmente, até agora, ele é o candidato que reflete o sentimento de descontentamento e revolta de grande parte do povo brasileiro que vive uma contradição: odeia a máquina estatal quando ela lhe oprime e prejudica economicamente, porém ainda alimenta uma ilusão de que um Presidente corajoso, no comanda desta mesma máquina estatal falida, pode liderar o milagre messiânico da salvação. Não há indicações de que essa contradição popular será resolvida até a próxima escolha do fantoche presidencial.

Agora, o que se vê claramente, é um ataque claramente fascista contra Bolsonaro – curiosamente um personagem acusado pela esquerda de ser “um fascista, defensor do golpe militar e do Estado Forte”. O recente ataque desferido pela Veja foi um tiro no pé do rentismo cínico-pragmático que comanda uma mídia que não defenda a Liberdade e não se descola do regime estatal Capimunista ou Oligarquista do Estado Interventor e gerador de dependência.

A maioria do povo brasileiro ainda não sabe o que realmente quer. Porém, já demonstra saber o que não deseja mais. Por isso, não será fácil inventar, midiaticamente, via marketagem política, uma candidatura que satisfaça um eleitorado à beira da revolta e cansado da violência praticada pela máquina estatal e os criminosos a ela associados.

O duro é ter de suportar, até a próxima eleição, um governo ilegítimo, com apenas 3% de popularidade, que a cada momento se torna alvo de mais denúncias indefensáveis de corrupção. É por isso que os Generais mandam recados diretos ao Judiciário para que cumpra, minimamente, o papel de punir os corruptos. Os militares também se sentem prejudicados pela ação criminosa e pressionados por segmentos ideológicos do Ministério Público Federal. Os Comandantes repetem que não darão golpe, ao mesmo tempo em que ressalvam que não aceitam mais os golpes dados pelos criminosos. Assim, se consolidam as pré-condições para alguma forma de “Intervenção”.

O tumulto descrito por Cármen Lúcia é um fato real. O caos tende a se agravar, ainda mais se o próximo vôo de galinha da economia não acontecer conforme profetizado pelos rentistas tupiniquins que não desejam mudanças estruturais efetivas, mas apenas reformas meia-boca. O povo perde a paciência. Os militares, claramente acuados, também. Resumindo: a porrada pode comer a qualquer momento. Pode nem dar tempo de chegar até a eleição de 2018.

Releia o artigo de sábado: A legítima Intervenção contra os Donos do Poder


Indefensável



Perdido na prisão


Acredita no Batisti?



Inocência culpada



O Samba do Ariano Retardado

Posted: 09 Oct 2017 11:38 AM PDT


Edição do Alerta Total – www.alertatotal.net
Por Jorge Serrão - serrao@alertatotal.net

No gigantesco manicômio judiciário em que se transformou o Brasil, Stanislaw Ponte Preta não poderia escrever o “Samba do Crioulo Doido”. O jeitinho brasileiro agora manda compor o “Samba do Ariano Retardado”. Afinal, o fascismo contamina boa parte da intelectualidade acadêmica, da mídia abestada, dos rentistas da jogatina e dos autoproclamados donos do poder. Os mantenedores do regime Capimunista, majoritariamente associados ou coniventes com o Crime Institucionalizado, simplesmente alopraram.

Quem sabe ler cenários e faz uma análise estratégica da conjuntura constata que a zelite podre no poder exala pavor por todos os buracos. Eles não conseguem responder a uma simples perguntinha: Se o Bolsonaro está com 30 milhões de eleitores, em segundo lugar nas “pesquisas”, se a Marina está em terceiro lugar e o fantástico Lula, sempre em primeiro, de onde vieram os eleitores do Bolsonaro? A resposta vale 50 barras de ouro – daquelas que ajudaram a premiar a corrupção olímpica.

A fascistada que ataca o Bolsonaro – e que só faz crescer a popularidade dele – armou mais uma daquelas inacreditáveis para induzir que existe alternativa ao nome dele... Os digitadores de aluguel espalharam uma nova pesquisa feita pelo Ibope para a Fundação Getúlio Vargas, revelando que 29,8% dos eleitores apóiam “um candidato novo, fora da política tradicional”. Só faltou escrever que o sujeito se chama Luciano Huck. A mesma pesquisa adverte que 29,3% dos entrevistados prometem anular o voto ou votar em branco na eleição presidencial de 2018...

O Bom Dia Brasil desta segunda-feira nos brindou com mais uma daquelas matérias com jeitinho de “patrocinadas pelos banqueiros”. A espetacular reportagem teve a cara de pau de culpar os 60 milhões de inadimplentes pelas altas taxas de juros... Rede Globo, você não deveria chamar as pessoas endividadas idiotas. Na verdade, a relação de causa e efeito é a contrária: temos 60 milhões de inadimplentes justamente porque as taxas de juros são altamente criminosas no Brasil. Por que os gênios globais não explicam que a usura é alta por dois motivos: 1) excesso de especulação promovida pelo sistema financeiro e 2) porque a rolagem da trilhonária dívida pública, financiada pelos bancos em troca dos juros altíssimos, ajuda a financiar os caríssimos donos do poder no Brasil?

Nas redes sociais, Negão da Chatuba roubou um texto que mandou eu copiar e colar aqui. Comenta que o Fantástico de domingo foi tão sensacional que já pode até mudar o nome pra Lacrástico! Nele aprendemos que: (abre aspas)


“1) Um casal de dois bizarros esquisitos de aparência suja, que criam os filhos homens brincando de bonecas, são mais modernos e corretos do que você, seu mauricinho retrógrado e cafona, que usa cabelo curto, faz a barba 3x por semana, usa camisa pólo de grife importada e que cria seu filho homem jogando futebol”.

“2) Chamar uma menina de princesa é uma ofensa, porque segundo a "especialista", toda princesa é loira de olhos verdes (a ignorante não sabe que há princesas de todas as etnias em desenhos animados e em bonecas)”.

“3) Segundo a outra especialista (entre aspas), não criar meninos como meninas pode gerar divisão desigual no trabalho no futuro, inclusive salarial (oi?). Porém, a ignorante esqueceu que mulheres não aguentam carregar sacos de 50 kg de cimento nas costas e, por isso, a divisão do trabalho é necessária. Foi justamente a divisão do trabalho entre trabalhos de homens e trabalhos de mulheres que possibilitou o desenvolvimento da humanidade”.

“4) 1700 assassinatos em atentados causados por psicopatas armados nos EUA, em toda a história, são muito mais relevantes do que os 60 mil assassinatos anuais ocorridos no Brasil. Mas só porque lá o acesso a armas legalizadas é facilitado, ok?” 

“5) Traficantes são intolerantes com umbandistas em comunidades dominadas por eles porque são religiosos cristãos, não porque são bandidos com ética e moral distorcidas. Fazem isso porque são crentes, entendeu?”

“6) Não há problema algum em avacalhar com símbolos do cristianismo, inclusive com Jesus Cristo, desde que você faça através de arte de gosto completamente duvidoso”.

“7) Obrigar uma criança a tocar um homem nu não fere o ECA. Só dar umas palmadas corretivas é que fere”. 

“8) Pedofilia, zoofilia e escárnio da fé alheia são totalmente toleráveis e saudáveis quando feitos dentro de um museu, em uma exposição de arte”.

“9) Marcelo Crivella é um ditador facínora porque proibiu a exposição Queermuseu no MAR, no Rio”. 

Só não dá para dar “parabéns” à Rede Globo porque a Rede Record também produziu uma reportagem digna de ganhar um verso na versão do Samba do Ariano Retartado”. A matéria senta o pau nos desempregados que ajudam a movimentar uma “máfia” de venda de passagens de bilhetes únicos, com preços subsidiados, no câmbio negro. O foco correto seria investigar como funciona, detalhadamente, este sistema de pagamento de transporte público de passageiros. Quem realmente ganha com ele? Certamente, não é o sem emprego que embolsa 10 centavos em cada viagem revendida para “espertalhões”.

“Lalau” – que era o apelido do Stanislaw e não sinônimo de “ladrão” – morreria 13 vezes do coração com um Brasil repleto de tanto “intelectual” que só tem dois defeitos: não usa corretamente o intelecto ou raciocina demais com o intestino... Haja Samba do Crioulo Doido ou sua inversão bipolar e radicalóide, o “Samba do Ariano Retartado”...

O negócio seria mudar para a Islândia – País que realizou em 2012/2013 uma inédita Intervenção Constitucional, tirou ladrões e incompetentes do poder e que agora deve até disputar a Copa do Mundo de Futebol da Rússia... Só não vou para “Iceland” porque detesto frio...

Releia o artigo desta segunda: “Petrobrás! Oh, Petrobras... Até quando continuarás sendo espoliada por suas sócias? Respondas...

Reveja o artigo de domingo: Fascistas e Rentistas contra Bolsonaro


Congresso do Avança Brasil

Nossos leitores estão convidados para o CONGRESSO ANUAL AVANÇA BRASIL – Belo Horizonte, 18/11/17

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Vamos encarar a verdade?

por Fernão


O Brasil está exausto de saber que “o sistema” está falido e é preciso mudar tudo. Mas dessa constatação em diante é só escuridão.

“Na crise, de volta ao básico”. É preciso lembrar todos os dias que não existe alternativa 
à fórmula dos tres poderes independentes respaldados na vontade popular expressa 
pelo voto universal convivendo harmonicamente. Fora daí regride-se ao monarca absoluto. 
A História não registra outra hipótese.

A “narrativa”, no momento, é a dos poderes Legislativo e Executivo desmoralizados pela
 corrupção encurralados por um Poder Judiciário impoluto batalhando pela reforma dos
 costumes daqueles perdidos. Mas ela não para um minuto em pé. O sistema inteiro está 
cevado na corrupção e no privilégio, o Judiciário inclusive e principalmente, só que a 
 blindagem "inata" desse poder contra investigações externas e pressões diretas do 
eleitorado mantem suas próprias mazelas fora das manchetes e essa é a conjunção de 
fatores que o "elege" como o protagonista ideal dos golpes contra a democracia que 
assistimos neste continente. O país real, paralisado pelo medo de que as ambições 
à solta façam tudo degringolar irreversivelmente, sabe que essa briga não é a sua e 
por isso mantém-se fora dela.

A discussão da questão "técnica" supostamente envolvida – o STF deveria ou não ser só
 uma corte constitucional? – também é ociosa. Na matriz que inventou esse sistema a 
 constituição, com 230 anos, tem 7 artigos e 27 emendas estabelecendo os direitos 
 de todos e os limites precisos das prerrogativas do governo. A nossa, com apenas 
29 anos, tem por enquanto 250 artigos e 96 emendas, a maioria definindo exceções
 aos direitos de todos e os privilégios dos titulares do governo e seus servidores e 
apaniguados. 

A consequência resumida disso é que gasta-se 11% da metade do PIB arrecadada 
em impostos por ano com funcionários da ativa e outros quase 58% (!!) com 
funcionários aposentados pela simples e escandalosa razão de que outorgar 
o “direito” de ganhar sem trabalhar é a moeda com que se compra poder 
neste país. Por isso o funcionalismo – e por cima dele a casta dos “marajás” de ate 
R$ 500 mil por mes constituída por membros do Judiciário e do Ministério 
Público – tem aposentadorias precoces, o que faz com que o numero de inativo
s se multiplique na velocidade dos avanços da medicina, e com proventos médios
 entre 6 vezes (os do Executivo) e 23 vezes (os do Judiciário e Ministério Público)
 maiores que os dos brasileiros comuns.

Esse é o problema real!

Todas as distorções das nossas instituições, assim como toda a corrupção que está aí, 
giram em torno desse poder de distribuir e "legalizar" mais e mais formas de apropriação
 ilícita do dinheiro público. Só que como a esmagadora maioria dos protagonistas da 
discussão do resultado disso – promotores, juizes, políticos, “especialistas” (professores das universidades públicas, ex-ministros do STF, etc.), além de boa parte dos jornalistas – são, eles próprios ou seus pais, filhos e conjuges, os clientes desses privilégios, todos hesitam em ser suficientemente  claros a esse respeito. É isso, mais o que se “aprende” nas nossas escolas, 
que mantém o país na desorientação em que está.


As delações premiadas foram boas para destravar os ventos da mudança. Mas logo 
“o sistema” aprendeu a usa-las para desviar a atenção da evidência maior de que o 
texto da Constituição e a instrumentalização da lei, muito mais que as violações delas, 
é que estão matando o país ao legalizar e automatizar parcelas crescentes do assalto sistemático à riqueza da nação.

Ha mais de 100 anos as democracias entenderam que na vida real manda quem tem o
 poder de demitir. O direito de eleger (ou de contratar) desassociado do poder de deseleger
 (ou demitir) a qualquer momento só conduz à corrupção galopante dos representantes 
(e dos servidores públicos), como já ficara provado mil anos antes na experiência romana. 
Por isso elas incorporaram a solução suiça de, num ambiente de estrito respeito ao 
principio federalista, dividir o eleitorado em distritos, amarrar todas as ações de governo 
da vida comunitária aos municipios e dar aos eleitores, em cada um deles, plenos poderes
 para fazer e  desfazer suas próprias leis, chancelar as do Legislativo mediante referendos
 e retomar a qualquer momento os mandatos de seus representantes. Essa combinação 
– plenos poderes para o eleitor mas com um alcance “geográfico” restrito – mudou tudo. 
Resultou num remédio contra a corrupção tão potente que deixou ricos todos quantos o 
adotaram sem aumentar a instabilidade da nação.

A perna que falta para que o Brasil se reequilibre é ligar o fio terra da nossa 
democracia na unica fonte que pode legitima-la. Essa briga destrutiva entre poderes, 
para tudo quanto diz respeito ao país real, não terá vencedores.

Na receita de Montesquieu o Judiciário não faz nem modifica leis, só executa as que o 
 Legislativo eleito pelo povo escreve. A questão objetiva, portanto, é como mudar o que
 está aí sem destruir as instituições para as quais a alternativa é a opressão. Se quiser 
reformar-se dentro da e para a democracia, o Brasil terá de criar caminhos para faze-lo 
dentro do e através do Legislativo. Tornar ilegais comportamentos que ja foram legais 
é o caminho, desde que se tenha em vista um futuro ao qual todos possam aderir na 
negociação de um projeto de salvação nacional. Fazer leis retroativas é amarrar o país
 a um passado que não pode ser mudado apenas para encurralar adversários na disputa
 pelo direito de nos explorar.

A chance de ressurreição da democracia brasileira depende do Legislativo retomar a 
 iniciativa. E isso só pode se dar cooptando o povo para uma batalha decisiva por um 
futuro sem privilégios. Para essa briga, entretanto - Temer é a prova - não ha meio termo. 
É tudo ou nada. Ou se desnuda de uma vez por todas essa esfinge de araque no meio da 
praça pública, ou ela continuará jantando os trouxas dentro e fora do “sistema”.

Fernão | 10 de outubro de 2017 às 06:21 | 



sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Como sair da guerra do Rio

VESPEIRO

Como sair da guerra do Rio

3 de outubro de 2017 § 43 Comentários

Artigo para O Estado de S. Paulo de 3/10/2017
A gente vive ouvindo o oposto mas, pensado o problema numa perspectiva histórica, o Brasil não é um caso de fracasso de um projeto educacional. Bem o contrário. Nós somos os que nunca reformamos o nosso. O mais resiliente dos casos de sucesso de um esforço de (des)educação para um modo de estruturar hierarquias morto ha pelo menos 240 anos. Não uma sociedade “an”-alfabeta nem uma sociedade de fugidos da escola.


Temos sido meticulosamente “anti”-alfabetizados, na escola e fora dela, para a negação da lógica apenas lógica da ciência moderna que nasceu junto com ela desde as primeiras vitórias da democracia sobre o absolutismo monárquico. Pelo terror puro e simples da Contrareforma e da Inquisição, primeiro; pela proscrição da honestidade mediante o bloqueio sistemático do razoável pela burocracia desde a ocupação do estado pelas corporações de Getulio Vargas; pelos expedientes menos diretamente físicos de exercício de repressão por uma “hegemonia cultural”  fabricada pelos sócios da “privilegiatura” a partir da falência do socialismo real.



Na cultura ibérica de eternos “cruzados” contra os “infiéis” o ofício dos educadores (exclusivamente jesuítas nos primeiros 400 anos) e dos narradores a serviço de El Rei nunca foi interrogar ou relatar fatos mas sim elaborar “provas” da existência do que não há (mas sustenta um sistema multimilenar de poder). E isso vem numa linha de coerência que percorremos sem grandes solavancos pois, desde que o pecado passou a ser caracterizado também pelos “pensamentos”, além das “palavras e obras”, a prova cabal da inocência tornou-se impossivel e todos passaram a estar sujeitos à tortura o que transformou a mentira num imperativo de sobrevivência que a escravidão confirmou com o chicote, para além da ameaça da fogueira nesta vida ou na outra.

Era disso que falava Octávio Paz quando dizia que nós, católicos, sentimo-nos confortaveis demais dentro da mentira. Foi contra a versão institucionalizada dela que protestou o primeiro protestante. E só depois que a mentira armada de violência (o dogma) foi afastada do caminho passou a ser possivel perguntar-se porque, de fato, cai a maçã da árvore e fazer-se a luz que trouxe o mundo moderno ate onde chegou.


Só a lógica não-lógica requer força para se impor. Só a lei de Bolonha, a serviço do príncipe e não da justiça, precisa de 800 páginas a cada passo para desexplicar o que a inteligência naturalmente compreende. A lei comum e a lógica apenas lógica nascem com cada cabeça e consolidam-se com a experiência prática. E os espaços que ela não define de bate-pronto, os interstícios entre o direito de cada um e o do próximo, são o espaço do livre arbítrio, as fronteiras da liberdade individual. Ninguém tem nada com o modo como cada um os preenche.
Abrir-se ao absurdo requer uma intrincada construção que começa por negar a veracidade daquilo que os olhos vêm e os ouvidos escutam, passa pela subversão da ordem cronológica dos acontecimentos para confundir causas com efeitos e termina, no extremo, pela negação da concretude até daquilo que ocupa lugar no espaço e o tato pode palpar. Qualquer semelhança entre tais expedientes e tudo quanto caracteriza o divórcio do Brasil oficial com o Brasil real hoje não é mera coincidência. 


A democracia é o triunfo do senso comum (no sentido inglês da expressão), daí o esforço concentrado para desqualificá-lo como pouco sofisticado ou reacionário. Ela começa pela reafirmação das cadeias de causa e efeito que até as formas de vida mais básicas são capazes de discernir e apreender. O restabelecimento da primazia do fato sobre a versão que sua majestade dá dele é o que põe a vontade do rei “under god”, e a afirmação do direito igual para todos de ser e acreditar no que quiser e como quiser até à fronteira inviolável do direito do próximo, é o que põe o rei “under the law” como decretou o juiz Coke no ato de lançamento da pedra fundamental da democracia moderna na Inglaterra de 1605 (veja como foi essa história neste link).


Para quem parte do dogma e da repressão à verdade; para quem vive sob uma ditadura dos comportamentos “corretos” ou “incorretos”; para os nascidos e criados na Contrareforma vendo toda dissonância tratada como heresia ser purgada em autos-de-fé, é a vida quem imita a arte pautada por um “diretor”. Mas a libertação está no contrário.

A guerra do Rio de Janeiro, muito mais que à disputa pelo controle dos pontos de venda de drogas nos morros, está referida à guerra de Brasilia e ramificações pelo controle dos pontos de acesso às artérias e veias do Tesouro Nacional no serviço publico, nas estatais e nos órgãos de governo pelas corporações que se apropriaram do estado e sustentam os pretensos ditadores da “hegemonia cultural” sobre tudo que for capaz de produzir eco. Uma coisa é o espelho invertido da outra. A uns une o acesso ao privilégio; aos outros une o nihilismo que resulta da impotência do esforço e do merecimento, sem a consagração dos quais não existe meio de dar a cada um o controle do seu próprio destino.


Não ha como “vencer” a guerra do Rio. As forças armadas dos Estados Unidos com todo o seu poderio e insenção da suspeita de corrupção pelo vietcong não conseguiu vencer a do Vietnã. E de qualquer jeito, guerra urbana só termina no “padrão Síria”, com cidades inteiras reduzidas a pó.


O Brasil só sai do inferno enriquecendo. E só começa a desempobrecer se quebrar a “privilegiatura”.


Se a força continuar derrotando a razão; se permanecer aberta uma única fresta para justificar poder ou dinheiro senão pelo esforço e pelo merecimento; se existir qualquer outra forma de legitimar poder político que não seja pela definição absolutamente clara da representação popular, a circunscrição dessa representação aos limites seguros do distrito e a submissão completa do representante ao representado pela retomada de mandatos a qualquer momento e o referendo direto de toda lei importante pelos eleitores, só restará, no final, o fuzil. De toga, como na Venezuela, ou de balaclava, como no Rio.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Não estamos sozinhos…

Novo post em VESPEIRO


Não estamos sozinhos…

por Fernão
O presidente da França, Emmanuel Macron, assinou sexta-feira passada cinco decretos para reformar a legislação trabalhista francesa.
Montado ao longo de um século, o Code du Travail francês contém mais de 10 mil artigos. Das suas 3324 páginas, 170 regulam demissões, 420 tratam de questões de segurança e saude do trabalho, 50 cercam o trabalho temporário, 85 impõem regras sobre negociações coletivas, e vai por aí. Ha regras minuciosas para tópicos como salários, diferentes industrias, extensões multinacionais, tempo de interrupção para ir ao banheiro, o tamanho requerido das janelas, consumo de álcool no trabalho, como comer na mesa do escritório, regras para a emissão de emails em dias de semana e nos fins-de-semana, etc., etc., etc.
É uma festa para a China; é uma benção para os trabalhadores e centros financeiros de Inglaterra, Alemanha e, ultimamente, até de Portugal, primeiros portos de eleição dos empreendedores e investidores franceses refugiados.
A tentativa de Macron de por a legislação trabalhista francesa mais próxima da impiedosa realidade da competição global por empregos no 3º Milênio provocou aproximadamente 4 mil greves somente no mes de setembro.
Ah, se metade dos professores da USP tivessem sido ingleses, alemães e americanos em vez de só franceses!